Expansão do PIM precisa de estratégia

Reunir mentes que pensam a economia local, economistas e emprasários para discutir idéias em torno da expansão do Polo Industrial de Manaus à Região Metropolitana de Manaus e aproximar interesses das fábricas localizadas no PIM com as já existentes nos municípios a serem contemplado: estes foram o objetivo do Seminário “RMM e o papel do Corecon”, que foi realizado na tarde de ontem pelo Conselho Regional de Economia.
De acordo com o presidente da entidade, o economista Marcus Evangelista, apesar de a discussão ser antiga, a tramitação no Congresso da PEC que estende os banefícios da Zona Franca de Manaus a mais sete municípios que compõem a RMM (Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru, Novo Airão, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva) torna o debate mais urgente.
“Este é um assunto que modifica a economia, por isso o Conselho Regional de Economia não poderia se omitir em dar suas opiniões sobre o assunto. E é justamente isso que estamos fazendo aqui hoje. Cada economista tem o seu pensamento e o encontro de hoje é justamente para isso. Cada um fará sua exposição e no fim será elaborado um documento oficial sobre o que foi tratado que será enviado para os órgãos de desenvolvimento, como Seplan e Suframa”, explicou Evangelista.
A discussão abordou cinco pontos básicos: Projetos com uso intensivo de mão de obra na montagem de linhas de produção, possibilidade de terceirização de parte dos PPBs, surgimento de novas tecnologias, possibilidades de transferir parte das linhas de produção para o interior e a expansão e diversificação das fábricas existentes no entorno da cidade.
Ainda segundo Marcus Evangelista, cada município deverá aproveitar suas características específicas na hora de desenvolver a cadeia produtiva, utilizando inclusive recursos naturais, como no caso do Polo de Componentes para cosméticos, por exemplo.
“Temos vários municípios no entorno de Manaus com bastante área, com bastante mão de obra e nós podemos utilizar isso como forma de adensar a nossa cadeia produtiva. Todos saem ganhando, não só Manaus, mas todos os municípios e o Polo Industrial de maneira geral. Então eu acredito que isso seja muito importante para o desenvolvimento da região. A sociedade toda, não só o PIM tem muito a ganhar com essa extensão”.

Indústria

O representante da indústria Solteco Tecnologia de Corte Ltda., Edvaldo Sabbadini, citou a pesada carga tributária brasileira como um dos entraves para o desenvolvimento da indústria. Ele vê com bons olhos a extensão do PIM para a Região Metropolitana da Manaus já que, para ele, a medida deverá tornar a indústria local mais competitiva e reduzir o custo final dos produtos.
“Eu vejo como uma possibilidade boa, porque hoje em dia tudo gira em torno da palavra custo. Quando essa isenção de impostos compõe os custos e quando temos custos menores somos, com certeza, mais competitivos. No mundo global de hoje, onde se compra matéria-prima e bens finais da Ásia com a mesma facilidade que compramos no centro da cidade, os nossos concorrentes também são globais. Contudo, o “Custo Brasil” é muito maior. Hoje a gente recolhe 40% do PIB em impostos, o que se torna um verdadeiro fardo para o empresariado brasileiro carregar – e isso se reflete diretamente no custo final do produto”, resumiu Sabbadini.

Gargalos precisam ser eliminados

Mas apesar do otimismo de economistas e empresários, há quem enxergue alguns gargalos que precisam ser eliminados antes de levar os incentivos fiscais aos municípios do interior. O economista e ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa, mesmo enfatizando que não é contra a expansão do PIM para a RMM, manifestou algumas preocupações com relação à proposta.
A primeira delas é sobre o fim dos incentivos fiscais da Amazônia Ocidental que são administrados pela Suframa. Segundo ele, tais benefícios serão encerrados no dia 31 de dezembro deste ano.
“Ninguém está preocupado com isso. Então esta é uma das preocupações que eu estou colocando”, alertou.
A segunda preocupação de Serafim Corrêa é a infra-estrutura. Na opinião do ex-prefeito, para que os municípios vizinhos se tornem atraentes para receber vultosos investimentos da indústria, serão necessários fortes investimentos em energia, transportes e comunicação – problemas que já existem na capital e que são muito mais graves no interior.
“É importante levar investimentos para o interior do Estado, mas hoje as empresas exigem cinco coisas: energia boa e barata; internet banda larga; portos; aeroportos; e logística. Nossos municípios no interior não têm nada disso. Mesmo Manaus tem dificuldades com a distribuição de energia, nossa internet não é boa, temos dificuldades no porto, e dificuldades de logística para tirar os produtos daqui. Essas dificuldades no interior aumentam, e muito”, disse.

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