16 de abril de 2021

Evolução do emprego mantém crescimento menor que fevereiro

Ainda sob pressão da instabilidade financeira, refletida tanto na queda do volume de investimentos quanto na aquisição dos insumos fabris, o setor industrial amazonense reduziu o saldo negativo na evolução do emprego

Ainda sob pressão da instabilidade financeira, refletida tanto na queda do volume de investimentos quanto na aquisição dos insumos fabris, o setor industrial amazonense reduziu o saldo negativo na evolução do emprego, saindo dos 6.360 em fevereiro para 1.280 postos de trabalho atingidos em março.
Da indústria da transformação, os segmentos de eletroeletrônicos (-584), mecânica (-475) e componentista de duas rodas (-291) foram os que obtiveram piores desempenhos na manutenção de empregos com carteira assinada.
Os dados divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho) comparados aos de março do ano passado mostram a força com que a crise se abateu sobre as atividades produtivas do Estado. Se, de um lado, o saldo de 3.391 empregos deu a tônica do avanço econômico no primeiro trimestre de 2008, contrariamente em igual período deste ano, a involução na geração de emprego atingiu nada menos que 13.942 postos de trabalho.
Na opinião do economista Alcides Leite, os dados do Caged apontam para uma trajetória de recuperação do nível de emprego na economia local. Esta recuperação deverá ser lenta, porém contínua, segundo o especialista, fato que mostra a situação menos grave da economia brasileira no comparativo a dos países desenvolvidos, que continuam apontando aumento da taxa de desemprego. “A recuperação do setor industrial é muito importante para o Amazonas, porque é o principal propulsor da economia. Dele, dependem praticamente quase todo o arsenal de ganhos e proventos do Estado e da iniciativa privada. Se ele vai mal, todo um ciclo econômico padece junto”, comentou.

Setores sentem o golpe

Para o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, o setor eletroeletrônico acusou rapidamente o golpe da crise e reduziu a produção com força em janeiro, porque foi o mais afetado pelas oscilações na política monetária e pela desenfreada importação de insumos chineses, o que afetou os níveis de emprego. “Não dá para tapar o sol com a peneira. De fato, os eletroeletrônicos foram os que mais demitiram por conta dessa instabilidade financeira. Esses resultados do mercado de trabalho, sem dúvida, acompanharam o menor dinamismo da indústria desde o ano passado”, admitiu.
Sobre a redução do saldo negativo, o presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Manaus), Athaydes Félix Mariano, garantiu que a evolução da mão-de-obra ganhará fôlego a partir de julho, quando as empresas do setor componentista de duas rodas esperam recuperar algo entre o crescimento de 2007 ou de 1,5% em relação ao primeiro semestre do ano passado. “Acredito que a persistência desse saldo negativo se deve principalmente ao fato de as montadoras terem encalhado a produção no primeiro bimestre e com isso serem obrigadas a demitir para adequar as despesas. Essa redução pode ser resultado dos acordos firmados entre empresas e sindicatos laborais”, lembrou o dirigente.
Já o diretor executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra, frisou a reabertura da produção das montadoras de grande porte como fundamental para a retomada dessa evolução no emprego. “É preciso encarar o atual momento com boa vontade. O saldo de empregos em março ainda foi negativo, embora bem menor que fevereiro. Com isso, o mercado de trabalho dá sinais inequívocos de que a recuperação vai acontecer ainda neste semestre”, avaliou.

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