Evolução do consumo neste início de ano é considerada benéfica por especialistas

O Banco Central, na Ata de sua última reunião que decidiu pela manutenção da taxa básica de juros em 11,25% a.a., surpreendeu ao anunciar que cogitou um aumento da taxa Selic.
A autoridade monetária, ao declarar isso, promoveu de fato aumentos da taxa de juros: não a taxa oficial, mas as taxas para vencimentos futuros. O argumento básico ventilado pelo órgão é que o crescimento da demanda interna tem sido muito elevado. Cabe ressaltar que a pressão de demanda não acende o perigo da inflação por si só; para que desperte aumentos de preços é necessário que ao lado disso a oferta de bens e serviços na economia não acompanhe a sua trajetória.
O ponto básico da avaliação dos riscos de inflação está na análise comparativa dos ritmos projetados para a demanda, de um lado, e para a oferta, de outro. É importante acompanhar o comportamento da demanda, especialmente do consumo familiar, objeto das linhas a seguir. Será mostrado que de fato todas as indicações dão suporte à conclusão de que houve no último trimestre de 2007 uma expressiva aceleração do crescimento do consumo interno. Será colocado em evidência também que os dados de janeiro deste ano apontam para um crescimento importante das vendas do varejo, muito embora as promoções do comércio tenham contribuído bastante para o maior volume de vendas apurado nesse mês.
Quanto ao cotejo das tendências de demanda com a oferta, a evidência das últimas pesquisas da FGV e da CNI vai na direção de que os investimentos realizados no ano passado já se traduzem em aumento de capacidade produtiva, fator que levou ao estancamento dos aumentos do grau de utilização de capacidade que vinham ocorrendo ao longo do ano passado como resultado de um ritmo de expansão da demanda maior do que a oferta doméstica, algo que não se traduziu em pressão sobre os preços devido ao aumento das importações.
A propósito, os dados para a importação no primeiro bimestre desse ano, que registram acréscimo na compra de bens de capital ao redor de 50% em comparação com o primeiro bimestre do ano passado, é um indicador forte de aceleração dos investimentos na economia.

Acelerar
demanda

Isso deve reforçar a continuidade do crescimento da capacidade de produzir da indústria, permitindo, assim, que a aceleração da demanda do final do ano passado e o bom ritmo do consumo no início de 2008 sejam satisfeitos sem que a inflação aumente. Talvez resida em uma subestimada avaliação do ritmo com que a capacidade produtiva passou a crescer, depois de transcorridos os períodos normais entre as decisões de investir e a real incorporação de nova capacidade produtiva, a principal diferença entre os argumentos apresentados pelo Banco Central em sua Ata e uma avaliação alternativa, mais otimista, sobre as perspectivas futuras de inflação.
Vejamos os indicadores de crescimento do consumo. Os dados das Contas Nacionais divulgados na semana passada não deixam dúvidas: 2007 se encerrou com um ritmo de evolução do consumo das famílias em aceleração, processo que pode ser acompanhado pela observação das taxas de crescimento com relação ao mesmo trimestre de 2006: 5,7% no primeiro trimestre de 2007, 5,8%, 6,0% e 8,6% nos trimestres seguintes.
Já a pesquisa do comércio varejista do IBGE mostrou para janeiro de 2008 um crescimento muito intenso com relação a dezembro, variação de 1,8% na série com ajuste sazonal. Na comparação anual, vale dizer, janeiro de 2008 com relação a janeiro do ano passado, o aumento em volume do comércio chegou a 11,8%, contra 9,5% em dezembro. Trata-se, portanto, de um desempenho muito elevado do comércio varejista na entrada de 2008, como, aliás, as sondagens junto às grandes empresas do setor já indicavam.
Houve, por outro lado, um crescimento que pode ser considerado excessivo e muito particular para o mês de janeiro último, devido a promoções realizadas com grande êxito pelo comércio e que compensaram um resultado de vendas de dezembro que, embora longe de ser considerado adverso, não corres

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