Evento celebra Charles Parker com jazz amazônico

Tudo começou há pouco mais de um mês quando, por acaso, o músico Ênio Prieto descobriu que no dia 29 de agosto de 2020 o americano Charlie Christopher Parker Jr. completaria, se vivo estivesse, 100 anos de idade. Para um leigo, nada de mais. Para um jazzista, uma data que não pode passar sem ser comemorada. Charlie Parker é considerado um dos melhores saxofonistas de jazz de todos os tempos e responsável pela evolução do estilo musical iniciada nos primeiros anos da década de 1940, quando, em suas apresentações, fazia solos inovadores.

Charlie Parker estaria completando 100 anos de idade se estivesse vivo

“Então o Ênio me procurou e disse que precisávamos fazer um show grandioso, para comemorar a data”, lembrou Humberto Amorim, intérprete de jazz.

Enquanto Ênio se prontificou a fazer uma seleção de músicos para o show, Humberto ficou encarregado de correr atrás de patrocínios e divulgação.

Um a um os músicos foram sendo convidados, e aceitando: Alex Diego (trompete/flugelhorn), Régis Gontijo (guitarra), Júlio Feitosa (piano), Sérvio Túlio (contrabaixo), Yuri Lima (bateria), e o próprio Ênio (saxofone/flauta).

“Mas havia um porém. Não existiam partituras das músicas de Charlie Parker para que os músicos as pudessem interpretar. Pois o Ênio escreveu uma a uma, das dez músicas selecionadas. Isso é coisa para quem entende”, garantiu Humberto.

Só então Humberto Amorim se deu conta que o jazz de Charlie Parker é apenas instrumental. Como ele, um intérprete de jazz, poderia participar do tributo ao músico americano?

Tico tico no fubá

Pesquisando as músicas de Parker, Humberto descobriu que a brasileiríssima ‘Tico tico no fubá’, chorinho composto por Zequinha de Abreu, em 1917, e que fez muito sucesso nos Estados Unidos ao ser gravado por Carmen Miranda, em 1945, com letra de Aloísio de Oliveira, havia tido uma versão com o nome de ‘Tico tico’, gravada por Charlie Parker, em 1951.

“Então fizemos uma adaptação para que eu cantasse a música e vou apresentá-la no show”, revelou.

Humberto também verificou que ‘Lover Man’, jazz escrito por Jimmy Davis, Roger Ramirez e James Sherman, para a cantora Billie Holiday, igualmente teve uma versão interpretada por Parker.

“Irei cantar ‘Lover Man’ numa grande homenagem a estes dois ‘monstros sagrados’ do jazz. Enquanto Charlie Parker será homenageado pelos seus 100 anos no dia 29, Billie Holiday era um pouco mais velhinha. No dia 7 de abril passado ela completaria 105 anos, se viva estivesse”, informou.

Humberto lembrou que sua participação no tributo será especial, bem como a de Alexandre Vieira, trombonista de vara. Assim como o jazz de Parker não precisava de intérpretes, o trombone de vara, imprescindível nas orquestras de Glenn Miller e Tommy Dorsey, entre outros, nos anos de 1930 e 1940, foi abolido por Parker em suas performances.

No início dos anos de 1940, junto com o trompetista Dizzy Gillespie nas apresentações que faziam, Charlie Parker resolveu que deveria mudar as regras de até então daquele estilo musical. Foi quando a dupla criou o bebop, uma das correntes mais influentes do jazz e que caracterizaria o que passou a ser considerado jazz moderno, e será apresentado em dez interpretações pelos músicos manauaras na noite de hoje.

O tributo a Charlie ‘Bird’ Parker será transmitido, através de live, a partir das 20h, direto do Teatro Amazonas.

“Devido às medidas de segurança contra o coronavírus, achamos melhor que o espetáculo não tivesse público e fosse transmitido através de uma live. Ao menos um número maior de pessoas poderá assistir confortavelmente de suas casas”, disse.

A transmissão será realizada pela TV e Rádio Encontro das Águas, e pelo Amazonsat. Serão dez músicas com Humberto Amorim interpretando duas delas, junto com Alexandre Vieira. Humberto também fará a apresentação da performance.

Um gênio do jazz

Charlie Parker nasceu na cidade de Kansas City, no dia 29 de agosto de 1920. Inicialmente apelidado de Yardbird, marcou apenas o Bird. Filho único de Charles e Addie Parker, aos 13 anos o garoto ingressou no Lincoln College, onde teve seu primeiro contato com a música. Na banda do colégio, começou a tocar tuba, mas sua mãe achou que não seria um instrumento adequado e, com suas economias, comprou um saxofone alto. Parker, autodidata, começou imitando os grandes saxofonistas de Kansas City. Com apenas 15 anos, já tocava profissionalmente e era cadastrado no Local 627, sindicato dos músicos de Kansas. Também estava casado, ia ser pai, e usava todo tipo de droga.

Em 1939, Charlie Parker chegou a Nova York, onde foi lavador de pratos em um clube. Sua primeira gravação, em 1940, foi com Jay McShann, quando criou solos de destaque e apresentou novas ideias musicais. Nesse mesmo ano tocou pela primeira vez com Dizzie Gillespie. Com 25 anos, Parker era o jazzista mais admirado por seus colegas. Com 26 anos, devido aos excessos com comidas, bebidas e drogas, teve um AVC. Morreu em 12 de março de 1955, em razão de um colapso cardiovascular, com apenas 34 anos.

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