5 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Eu vi minha Mãe rezando… 

No mês de março, que ora finda, lembramos das mulheres e da água, recursos vitais à sobrevivência dos sapiens na Terra. Quem estuda a Geologia histórica entende que a vida nasceu na hidrosfera, há alguns bilhões de anos atrás.

Quero dedicar o presente artigo a minha mãe, legionária da Boa Vontade, Abigail Borges Nava (1932-2013), que nunca me deixava esquecer de uma sentença curativa, especialmente, quando tínhamos que atravessar uma rua, ou caminho sombrio: “é melhor perder um minuto na sua vida, do que perder a sua vida em um minuto”.

Só um olhar materno poderia comungar a máxima expressão de CUIDADO. Hoje, “ando devagar, pois, já tive pressa”…

Benção minha Mãe!

Nasci em 1967, em plena revolução civil militar. Tempos onde a censura calava os arredios, classificados de “bois contrários”, de olhares comuns…

Ainda no resguardo, recebi de minha mãe um presente de Deus, um irmão, meu saudoso Ismael Borges Nava. Morávamos no Centro do Rio de Janeiro, próximo à praça da Cruz Vermelha, onde funcionava o Hospital do Câncer. 

Eu era muito pequeno, 4 anos, quando o médico vaticinou: “MÃE, não temos como tratar a enfermidade de seu filho. Talvez ele não tenha uma semana de VIDA… então, para que ele não fique no “frio hospital”, leve seu filho para CASA”… (o grifo é meu).

Havia uma tradição em casa: minha mãe nos colocava em frente ao quadro de Jesus, e com o rádio ligado, ouvíamos Alziro Zarur (1914-1979) e suas preces da Hora do Ângelus.

Naquele dia do fatídico diagnóstico, minha mãe fez um pedido diferente: “Daniel, você vai rezar para seu irmão Ismael; Ismael, você vai rezar para seu irmão Daniel! ”

Sempre me lembro do início da prece, quando Zarur orava, dizendo: “eu vi minha Mãe rezando aos pés da Virgem Maria. Era uma Santa escutando, o que a outra Santa dizia”…

Bebíamos, juntos, ao final, um copinho de água fluidificada por nossas orações, acreditando na sentença do saudoso Zarur: “se Deus criou a água, não poderá colocar nela o remédio necessário a cada um de nós”…. 

Levo essas lembranças por toda a minha vida. Passados 50 anos, trabalho na Gerência de Recursos Hídricos do Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas), no delicado trabalho de cuidar da maior e mais importante Bacia Hidrográfica do Planeta, a Amazônica.

No último dia 22 de março, comemoramos o 𝗗𝗜𝗔 𝗠𝗨𝗡𝗗𝗜𝗔𝗟 𝗗𝗔 𝗔́𝗚𝗨𝗔. 

Para saudar o dia e o mês de março, compartilho um poema do amigo Celdo Braga (@celdobraga), intitulado “𝘈́𝘨𝘶𝘢 𝘊𝘪𝘳𝘤𝘶𝘭𝘢𝘳”: 𝘈 𝘢́𝘨𝘶𝘢 𝘦𝘮 𝘮𝘰𝘷𝘪𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 /- 𝘴𝘪𝘯𝘤𝘳𝘰𝘯𝘪𝘢 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘭𝘢𝘳 – / 𝘰𝘳𝘢 𝘤𝘢𝘮𝘪𝘯𝘩𝘢 𝘯𝘢𝘴 𝘯𝘶𝘷𝘦𝘯𝘴, / 𝘰𝘳𝘢 𝘯𝘢𝘷𝘦𝘨𝘢 𝘯𝘰 𝘮𝘢𝘳 / 𝘤𝘢𝘳𝘳𝘦𝘨𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘰 𝘥𝘰𝘮 𝘥𝘢 𝘷𝘪𝘥𝘢 / 𝘦 𝘢 𝘨𝘳𝘢ça 𝘤𝘰𝘯𝘤𝘦𝘣𝘪𝘥𝘢 / 𝘥𝘢 𝘮𝘪𝘴𝘴𝘢̃𝘰 𝘥𝘦 𝘴𝘦 𝘥𝘰𝘢𝘳. / 𝘌́ 𝘮𝘢𝘳𝘤𝘢𝘥𝘢 𝘱𝘦𝘭𝘰 𝘥𝘰𝘵𝘦 / 𝘥𝘰 𝘪𝘮𝘱𝘶𝘭𝘴𝘰 𝘮𝘪𝘭𝘦𝘯𝘢𝘳 / 𝘥𝘦 𝘴𝘦𝘮𝘱𝘳𝘦 𝘴𝘦𝘨𝘶𝘪𝘳 𝘦𝘮 𝘧𝘳𝘦𝘯𝘵𝘦 / 𝘴𝘦𝘮 𝘵𝘦𝘳 𝘩𝘰𝘳𝘢 𝘱𝘳𝘢 𝘤𝘩𝘦𝘨𝘢𝘳, / 𝘯𝘢 𝘷𝘰𝘤ação 𝘳𝘦𝘯𝘰𝘷𝘢𝘥𝘢 / 𝘥𝘦 𝘴𝘦𝘳 𝘭𝘶𝘻 𝘢𝘯𝘶𝘯𝘤𝘪𝘢𝘥𝘢 / 𝘯𝘢 𝘩𝘰𝘳𝘢 𝘥𝘦 𝘴𝘦 𝘦𝘯𝘤𝘰𝘯𝘵𝘳𝘢𝘳. / 𝘕𝘰 𝘮𝘪𝘭𝘢𝘨𝘳𝘦 𝘥𝘰 𝘧𝘭𝘢𝘨𝘳𝘢𝘯𝘵𝘦 / – 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘦𝘴𝘱𝘦𝘵𝘢𝘤𝘶𝘭𝘢𝘳 – / 𝘰 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘰 𝘦𝘯𝘤𝘰𝘯𝘵𝘳𝘰 𝘥𝘢𝘴 𝘢́𝘨𝘶𝘢𝘴 / 𝘯𝘶𝘮 𝘢𝘣𝘳𝘢ço 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘭𝘢𝘳 / 𝘦𝘹𝘢𝘭𝘵𝘢 𝘰 𝘳𝘪𝘵𝘰 𝘥𝘰 𝘢𝘣𝘳𝘢ço / 𝘯𝘢 𝘭𝘦𝘷𝘦𝘻𝘢 𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘮𝘱𝘢𝘴𝘴𝘰 / 𝘲𝘶𝘦 𝘥𝘦𝘴𝘧𝘪𝘭𝘢 𝘦𝘮 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘰 𝘰𝘭𝘩𝘢𝘳.

O poema me chegou pelas redes sociais, compartilhado com uma foto do Encontro das Águas (foz dos rios Solimões e Negro, formando o rio Amazonas) tirada pela câmera do irmão e amigo Valter Calheiros (@valter.calheiros).

Água, Mulheres, Mães… são, todos, sinônimos de vida!

Aos que querem saber que fim levou meu irmão Ismael… ele faleceu de leucemia. Não tínhamos os tratamentos de hoje, há 50 anos atrás.

Mas, lembro do meu irmão e eu, juntos, no Jardim de Infância do Campo de Santana, uniforme quadriculado azul e branco, e da professora Denise. Meu irmão, com diagnóstico e sem quaisquer sintomas, recebeu autorização para ingressar na minha turma.

Eu era tão magrinho e franzino que, certa vez, uma mãe, sabendo da doença dos irmãos, tocou a minha cabeça dizendo: “coitadinho… tão pequeno… não merecia tanto sofrimento…”

Descobri ali, a força da oração de minha Mãe Abigail e de tantas mulheres guerreiras pelo mundo. Os últimos sete dias de meu irmão transformaram-se em 543 dias de vida, sem quaisquer sintomas, ou sequelas da enfermidade…

EU VI MINHA MÃE REZANDO AOS PÉS DA VIRGEM MARIA. ERA UMA SANTA ESCUTANDO O QUE A OUTRA SANTA DIZIA!

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