“Eu farei uma campanha limpa”

Dando sequência à série de entrevistas com os prefeituráveis de Manaus, o Jornal do Commercio, conversou com o candidato a reeleição Arthur Neto, pela coligação “POR UMA SÓ MANAUS”. O atual prefeito da capital amazonense entra na disputa com o maior número de partidos coligados, doze ao todo, dos quais o maior destaque é para o PMDB que traz o seu vice, o deputado federal Marcos Rotta. Desta vez a estratégia é conseguir o maior número de aliados, para garantir recursos do governo federal e assim conseguir tirar do papel obras emblemáticas como o BRT (Bus Rapid Transit). “É impossível realizar grandes obras no sistema sem recursos do governo federal”, desabafa. Segundo Arthur é preciso saber da realidade da cidade para poder criticar a atual gestão. “Brasília é menor que Manaus e tem muito mais recursos que nós”. Arthur tem convicção que irá avançar mais na próxima gestão com o apoio do governo federal através do presidente interino Michel Temer. Ele descarta a possibilidade da presidente afastada Dilma Rousseff, retornar ao cargo. Saiba por que:

Jornal do Commercio: Segundo o cronograma de julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, o processo deverá ser concluído hoje, 31 de agosto. Como o senhor avalia as duas possibilidades de resultado final? Ou seja, se for favorável ao impeachment, como fica a política no país e seus reflexos no Amazonas e em Manaus? E, caso contrário, como será a reação da classe política com o retorno de Dilma?
Arthur Neto: Não vejo possibilidade dela [Dilma] voltar ao poder. Está tudo se encaminhando para que Michel Temer faça um governo decente. A sangria do país já parou e agora temos notícias de que investidores estão apenas esperando passar este momento para voltar a apostar no país. Em 2007 eu já alertava que isso iria acontecer com país. Poucos me deram ouvidos. Tratavam Lula como semideus. Deu no que deu. Logo no primeiro mês de governo Temer conseguimos liberar um empréstimo internacional que estava paralisado. Será bom para Manaus e para o Amazonas, que durante três anos e meio viveu praticamente com recursos próprios. Vejo muita gente fazer demagogia dizendo que foram repassados recursos. Sim, mas repassaram apenas aqueles obrigatórios por lei. Nada mais do que isso.

JC: Sobre essa aliança do PSDB com o PMBD que trouxe mais dez partidos, formando a maior chapa para a disputa das eleições em Manaus, isto também vem acontecendo em outros municípios representativos em todo o país, o que leva a crer que é uma estratégia política visando às eleições gerais em 2018, já que o presidente interino Michel Temer, tem popularidade baixa e pouco carisma junto à população. O senhor concorda com esse cenário político que vem se desenhando?
AN: Esta aliança está acontecendo em todo o Brasil. PMDB e PSDB estão juntos em nível nacional. É claro que existe um projeto de governo. Ninguém governa sozinho. São dois grandes partidos do país e nada mais natural que tenham projetos. Neste momento convergiram para um pensamento único: colocar o país de voltar aos trilhos. Do jeito que estava não poderia permanecer. Com a união nacional, logicamente que existe alinhamento nas demais cidades e é aí que Manaus se encaixa. Teremos recursos que não tivemos no último governo. Não dá para governar mais quatro anos sem recursos. Seria perversidade, não comigo, mas com a população.

JC: Manaus tem a tradição de não reeleger seus prefeitos. Há que fato o senhor atribui esse comportamento dos eleitores manauaras e qual a sua preocupação em relação a esta estatística?
AN: Não me preocupo com isso. Na verdade o histórico mostra que Serafim Corrêa e Amazonino Mendes não foram reeleitos, um por não conseguir e outro por desistir antes de concorrer. Tenho plena consciência de que fiz um trabalho consistente dentro das possibilidades. Não há como negar que a crise nos atingiu. Lógico que atingiu. Mas gostaria de colocar a população de Manaus em um avião e levar para qualquer outra cidade do país. Seria possível comparar o trabalho que fizemos, mesmo com a presidente Dilma virando as costas para nós. Aqui não tem salário de servidor atrasado em nem 13º salário parcelado em não sei quantas vezes. Aqui inauguramos obras praticamente todas as semanas. Vou colocar meu trabalho para ser julgado pelas pessoas.

JC: Mesmo com o maior tempo de propaganda eleitoral na TV e Rádio as pesquisas de intenção de voto, registradas do TRE-AM, apontam uma crescente rejeição dos eleitores em relação à sua reeleição? Como virar esse jogo?
AN: Estes números são normais. A crise deixou um sentimento de descontentamento geral nas pessoas. É natural que haja desconforto em relação aos políticos. Ou você acha que alguém que ficou desempregado quando cortaram empregos no Distrito Industrial está feliz? Todos ficam irritados. Temos um trabalho bom para mostrar e acredito que no momento certo a população saberá avaliar e pesar na balança os avanços conseguidos. Não há como negar que Manaus está muito melhor do que no início de 2013, quando chegamos à prefeitura.

JC: Com as novas regras da minirreforma eleitoral de 2015, que além de reduzir em dez dias o período de veiculação do horário eleitoral gratuito na TV e Rádio, também vão combater a propaganda negativa (difamatória). Qual a estratégia para fazer uma campanha limpa e ainda conquistar a popularidade dos eleitores?
AN: Na verdade a conta não é bem essa. Agora estamos na televisão todos os dias e com programas diferentes. Apenas os candidatos a vereador que não participam do Horário Eleitoral. Eles entram como inserção no decorrer da programação. São dez minutos para os prefeitos e acredito que, com isso, a população volte a ver a apresentação de ideias. Não fica cansativo. Eu farei uma campanha limpa. Nunca participei de baixaria e não será agora que isso vai acontecer. Alguns adversários estão atacando minha família. É um jogo que eles usam para tentar reverter a situação. Mas as pessoas são inteligentes e não compactuam com isso. Sabem de onde vem.

JC: Há poucos dias o senhor explicou, publicamente, que já foi casado por duas vezes e agora quer reconstruir sua vida e ser feliz. De que forma o prefeito de Manaus; candidato à reeleição; apresentando sua nova esposa; consegue conciliar seus compromissos, já que o senhor cancelou algumas participações em debates e caminhadas? Em uma delas o senhor justificou sua ausência por ter compromissos na Prefeitura de Manaus.
AN: Eu sou o único candidato que tem mais compromissos que todos os outros. Eles estão inteiramente dedicados à campanha. Eu não. Sou prefeito e candidato. Faço questão de cumprir expediente durante as manhãs e as tardes e sem falar de eleição quando não é o momento. Não suporto misturar as coisas. Só anunciei minha candidatura quando era o momento e vai continuar assim. Só faço caminhadas e gravo programas eleitorais durante a noite. Às vezes invado a madrugada gravando e estou de pé cedo para cumprir agendas pelo Executivo Municipal. Sempre que tiver que faltar compromissos de campanha para me dedicar às agendas da prefeitura isso será feito. A prioridade é o governo. Farei campanha quando tiver tempo. Está sendo muito difícil conciliar estes horários, mas acredito que as pessoas entendem que preciso trabalhar mais do que fazer campanha. Quanto a minha vida pessoal, isso diz respeito apenas a minha família. Quem usa disso é porque não tem propostas para o debate.

JC: Na coligação “POR UMA SÓ MANAUS” qual a proposta que o senhor destaca e que fará a diferença para o eleitor na hora da votação?
AN: Temos propostas em todas as áreas, a exemplo do que fizemos nesta gestão. Mas acredito que desta vez, poderemos, enfim, avançar como queremos em termos de transporte e mobilidade. Fizemos o viaduto do aeroporto com recursos próprios e algumas outras intervenções no trânsito para dar maior fluidez. No transporte coletivo reformamos o T3, o T4 e o T5. Demolimos o T2 e fizemos outro e já iniciamos a reforma do T1. Este dois pontos nevrálgicos precisam de extrema ajuda do governo federal. Como todos sabem, não tivemos ajuda. Agora esta união será muito benéfica para cidade e poderemos investir com mais peso em ambos os setores. O BRT contará com recursos do governo para poder sair do papel.

JC: Por que tentar a continuidade de sua gestão, com a reeleição? Tem algo que o senhor gostaria de ter feito e que irá realizar nos próximos quatro anos, caso conquiste a vitória nas urnas?
AN: Exatamente o que falei acima, dar maior estrutura ao trânsito e ao transporte. Quem está de fora critica, mas é muito fácil tacar pedra quando não se sabe da realidade. São pontos problemáticos em quase todas as cidades brasileiras. É impossível realizar grandes obras no sistema sem recursos do governo federal. Como vou construir e desapropriar áreas apenas com recursos da prefeitura? Brasília é menor que Manaus e tem muitos mais recursos que nós. É preciso saber da realidade até para criticar. Tenho certeza que vamos avançar mais na próxima gestão. Conto com a confiança da população.

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