9 de maio de 2021

O famoso ditado que religião, política e futebol não se discute é, provavelmente, o ditado mais mentiroso que existe. Tenho maior respeito pela maioria dos ditados, porque trazem sabedoria milenar em si, mas este não. Não há no mundo assuntos mais discutidos que esses. Concordo que a discussão religiosa, sectária, para trazer o adepto de uma crença à sua, só deve ser feita a pedido do interlocutor. Porém nunca vi um torcedor mudar de time por causa de discussões insólitas sobre resultados de placar. Os torcedores do time vencedor fazem chacotas sobre os torcedores de quem perdeu. Os perdedores por sua vez se tornam professores de história, enumerando glórias do passado. 

Igualmente nunca vi alguém mudar sua convicção política da esquerda ou direita porque foi convencido por alguém.  Normalmente isso acontece pelo amadurecimento político. Claro que não estou falando de nomes de candidatos. Quem prende as suas convicções a um nome, está fadado a dar com os burros n’água ou num despenhadeiro. O sentido intrínseco da palavra política merece um estudo a parte. 

Até o início do século passado, os católicos eram proibidos de ler a bíblia. A medida visava evitar má interpretação dos textos bíblicos sem passar pelo filtro do clero. Todos aprendiam os ensinamentos pela ótica de alguém. A sede tentava harmonizar o discurso de todo clero, mas nem sempre conseguia. Depois sim, a interpretação do livro sagrado se popularizou, criando uma miríade de crenças de mesma origem, mas com siglas diferentes. O sectarismo traz a vantagem da liberdade de ação, isto é: não obedecer os ditames da central. Infelizmente, leva a divisão de pessoas que querem provar que seu Deus é maior que do outro. Enfim, discussões inócuas que nunca podem ser confundidas com o estudo sério da teologia, ou religiosidade de cada um. 

O esporte competitivo ou não, em qualquer modalidade, é assunto de estudo e debate positivo. Depois vêm as paixões por times que, em determinadas situação podem ser até patrióticas. Por incrível que pareça, são mais as paixões que alimentam o esporte que a sua essência. O espaço na mídia dado ao futebol só ajuda a aumenta-las. 

A política, não partidária, nem sectária em algumas vezes, é saudável. Um mercadinho, na vizinhança de um grande supermercado pode não ameaça-lo com sua concorrência, mas evita preços absurdos praticados pelo mais forte porque ele oferece preços menores. Da mesma forma alguns acreditam que devam existir posições políticas antagônicas, sem que os extremos radicais  cheguem ao poder.

O que de fato acontece, tanto com o adepto de alguma religião, como o simpatizante de algum segmento político e com o torcedor de futebol é que nenhum é forçado a pagar por suas convicções. Pode expressá-las livremente e discuti-las até cansar. O mero torcedor vira especialista e pode dar palpite até em assuntos médicos de algo que acomete tal jogador. Ou pode simplesmente papagaiar o que ouviu de um comentarista. O fiel de alguma religião, por ouvir ou por ler, se julga um teólogo ou espiritualista que pode orientar seus semelhantes. Da mesma forma se comporta o seguidor de alguma corrente política. 

O que eles têm em comum? Salvo raras exceções, seu “parecer” é carregado de paixões e vazio de razões.

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