Estudo mostra várias facetas do coronavírus no Amazonas

O Amazonas registra pelo menos três linhagens diferentes do novo coronavírus que já matou quase 3 mil pessoas em todo o Estado, com mais de 80 mil casos da doença. É o que diz um estudo realizado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em nove municípios do interior.

A pesquisa foi feita pelo Núcleo de Epidemiologia Molecular Sars- CoV-2 da Fiocruz/Amazônia. O estudo identificou três linhagens distintas do novo coronavírus que circulam em Manaus, uma em outros cinco municípios e duas em Manacapuru, Manicoré e Manaquiri.

Por enquanto, nesse momento, o estudo em desenvolvimento pela Fiocruz chama ainda os coronavírus identificados de linhagem. A nomenclatura ‘tipos’ só virá com a evolução da pesquisa sobre o genoma do micro-organismo.

Segundo Felipe Naveca, vice-diretor de Pesquisas e Inovação da Fiocruz/Amazônia, os coronavírus, assim como outros vírus, vão adquirindo mutações à medida que infectam à população. “Essas mudanças vão adquirindo características únicas que chamamos de linhagem”, explica o pesquisador, que está à frente do estudo científico da fundação.

Naveca disse que foram definidas algumas linhagens para o novo coronavírus, principalmente duas, as linhagens A e B com suas respectivas subdivisões. “Temos utilizado essa ferramenta para entender a epidemiologia da doença e avaliar se o vírus tem as mesmas características dos que circularam na Espanha, na Itália, Estados Unidos e na China. Vamos usar essas informações nesse sentido”, afirmou o vice-diretor e pesquisador da Fiocruz.

O estudo da Fiocruz não sabe ainda, porém, definir cada caraterística e as diferenças sobre mutações desde que o vírus migrou para o Estado. Na realidade, a descoberta foi sobre a origem predominante das três linhagens do novo coronavírus que circulam hoje no Amazonas.

Mas está constatado que três linhagens chegaram à região. De acordo com Felipe Naveca, no Brasil, as pesquisas identificaram mais as linhagens do coronavírus B1 e B1.1. Mas a linhagem A também já foi encontrada.

“No Amazonas, encontramos a linhagem A2, a B1 e a B1.1. Isso quer dizer que tivemos pelo menos três introduções do vírus separadas no Estado do Amazonas num curto período de tempo”, explica ele. “Ainda nessas três mutações identificadas, estamos dando continuidade ao estudo para saber se uma determinada linhagem apareceu mais de uma vez em relação às outras duas”, afirma.

Mais genoma

A Fiocruz/Amazônia mantém também várias outras pesquisas sobre o genoma do novo coronavírus, principalmente os que circulam em Manaus – o A2, o B1 e o B1.1. Nos outros municípios, a predominância seria a do B1 e em três (Manacapuru, Manicoré e Manaquiri), a disseminação acontece através do B1 e do B1.1. Portanto, são duas linhagens diferentes do vírus que se espalham pelo interior do Estado.

Agora, o próximo passo do estudo da Fiocruz é tentar descobrir o caminho percorrido pelo novo coronavírus para chegar ao Amazonas e também aos 62 municípios do Estado, onde a doença se dissemina, principalmente entre as populações indígenas.

Mesmo com a reabertura do comércio e de outras atividades econômicas no Estado, a FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde no Amazonas) ressalta que é importante a população continuar mantendo as medidas preventivas contra o novo coronavírus. O uso de máscara, de álcool em gel, com distância de pelo menos 1,5 metro em relação às pessoas, evitando situações de aglomerações, são cuidados que podem prevenir uma possível segunda onda da doença no Estado.

 “É visível que a pandemia está reduzindo a cada dia. Mas não se iluda quem pensa que não existe mais risco. O vírus continua circulando em Manaus e também no interior”, alerta a diretora-presidente da FVS-AM, Rosemary Costa Pinto. “Vamos continuar reforçando a prevenção”, acrescenta ela.

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