Estudo com células tronco ganha laboratório

O primeiro LaNCE (Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias do Brasil), inaugurado no final do ano passado, começa 2010 em boa forma. Ele já está funcionando com a promessa de trazer inovações para o campo de estudos da terapia celular. Contando com os equipamentos mais modernos do mundo e criado com apoio de R$ 446 mil da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), o LaNCE fica no Rio de Janeiro e é uma parceria da USP (Universidade de São Paulo) e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

A Universidade Federal do Rio de Janeiro abriga parte do laboratório em um complexo de 250 metros quadrados que fica dentro do Hospital Universitário e apresenta uma infraestrutura de ponta. A outra parte fica sediada no Instituto de Biociências da USP. O LaNCE foi uma das propostas selecionadas pelo edital voltado para a criação de centros de tecnologia celular, lançado em conjunto pela Finep e pelos ministérios da Ciência e Tecnologia e da Saúde em 2008, com R$11 milhões em recursos não reembolsáveis (que não precisam ser devolvidos). Foram aprovados oito projetos no total, em cinco Estados.

Material genético

A principal função do laboratório é produzir células-tronco humanas pluripotentes, ou seja, aquelas que possam se transformar em qualquer tecido do corpo humano. Serão produzidos dois tipos: as embrionárias, originadas de embriões humanos congelados que seriam descartados pelas clínicas de reprodução, e as pluripotentes induzidas, obtidas a partir de amostras de outras células comuns que recebem material genético de embriões humanos. Segundo o coordenador do laboratório, Stevens Kastrup Rehen, a expectativa para esse ano é muito boa e as pesquisas caminham bem, mas é necessário esperar seu tempo de maturação.

O LaNCE tem como objetivo distribuir essa produção a grupos brasileiros interessados em realizar pesquisas relacionadas ao tema, suprindo assim a demanda por essas células, que normalmente são importadas a altos custos. A parceria feita entre o Instituto de Biociências da USP e a UFRJ permite a divisão de tarefas do LaNCE. “Enquanto o laboratório na USP é responsável pelo isolamento da massa interna dos embriões, na UFRJ é feita a produção em grande escala para sua distribuição”, afirmou Stevens.

Além disso, o laboratório deve oferecer cursos para habilitar pesquisadores a trabalhar com terapia celular. O primeiro deve acontecer no segundo semestre de 2010 e terá como objetivo ensinar técnicas de manipulação e cultivo de células-tronco embrionárias pluripotentes.

Pesquisa é amparada pela lei

A utilização de células-tronco em estudos foi permitida pela Lei de Biossegurança, de 24 de março de 2005. Aprovada pelo Senado, ela permite que células-tronco de embriões obtidos por fertilização in vitro e congelados há mais de três anos possam ser utilizadas em pesquisas mediante autorização dos pais. A validade desses embriões acaba ao final de quatro anos de congelamento, quando então são descartados.

Mesmo trabalhando com um assunto polêmico, Stevens afirma que as pesquisas do LaNCE vêm sendo bem recebidas. “Nós recebemos mensagens de pacientes que querem saber mais sobre os estudos, e nós vamos informando e educando quanto ao trabalho que estamos fazendo aqui”, concluiu o coordenador.

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