18 de maio de 2021

Estudo aponta eficácia da CoronaVac contra a variante P1 da Covid-19

Dados preliminares de um estudo feito com 67.718 trabalhadores da área de saúde no Amazonas apontam que a vacina CoronaVac tem uma eficácia de 50% contra a variante brasileira P1 do novo coronavírus após 14 dias da primeira dose. Identificada pela primeira vez no começo do ano no Estado, a nova cepa deflagrou a segunda onda da pandemia que causou um colapso na rede hospitalar de Manaus.

Em outros palavras, isso quer dizer que, de cada grupo de 100 pessoas imunizadas, 50 não serão infectadas e as outras 50 podem desenvolver apenas sintomas leves da Covid-19.

Os resultados das pesquisas foram apresentados, na tarde dessa quarta-feira (7), durante uma live com o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), reunindo cientistas envolvidos nas pesquisas e representantes da FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas), da Opas (Organização Panamericana de Saúde)  e da SES-AM (Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas).

Realizado pelo grupo Vebra Covid-19, o estudo envolve pesquisadores de instituições nacionais e internacionais e servidores da SES-AM e das secretarias estadual e municipais de São Paulo e de Manaus. Eles também têm apoio da Opas.

Segundo o médico infectologista Julio Croda, responsável pelos trabalhos científicos, foi constatado que a vacina mantém contra a variante P.1 o mesmo nível de eficácia apontado nos ensaios clínicos feitos pelo Instituto Butantã.

“É uma tranquilidade. Enquanto a gente tiver a P.1 como variante predominante, o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais podem continuar administrando a vacina porque ela vai trazer algum impacto do ponto de vista do controle da doença”, disse ele.

Croda afirmou que a CoronaVac demonstrou um nível de eficácia de 65% na Indonésia. E que o estudo desenvolvido no Amazonas é o primeiro em escala mundial sobre a real eficácia, efetividade, contra  o novo coronavírus. “A população pode confiar. A vacina protege, realmente, contra a Covid-19”, acrescentou ele.

O estudo levou em consideração a efetividade da vacina contra a P.1 com base na incidência no local, mas os casos positivos para a Covid-19 não foram sequenciados para confirmar a contaminação pela variante, informou Croda.

Análise de impactos

A metodologia consistiu na análise dos impactos do imunizante nos profissionais que tiveram diagnóstico confirmado de Covid, com base nos dados da Semsa (Secretaria Municipal da Saúde de Manaus).

“Verificamos quem desses trabalhadores tinha tido a doença e checamos se ele tomou a vacina. E, a partir desses dados, conseguimos calcular a efetividade da vacina, que é a eficácia na vida real, no mundo real”, explicou Croda durante a live.

De acordo com o infectologista, os dados relativos à efetividade completa, com as duas doses, ainda estão sendo coletados. Além do estudo em trabalhadores de saúde em Manaus, o grupo vai avaliar a efetividade da CoronaVac e da vacina da AstraZeneca em Idosos nas cidades de Manaus, Campo Grande, São Paulo e no Estado de São Paulo.

“Nesse momento, o dado é preliminar e com uma dose o nível de efetividade foi de 50%. Importante ressaltar que Manaus tem muitos profissionais com infecção prévia. E por isso que talvez a efetividade da vacina com duas doses, que a gente vai estar acompanhando ainda isso, pode ser muito maior do que 50%”, avalia.

O governador Wilson Lima ressaltou a importância da vacinação contra a Covid-19, mas admitiu a possibilidade de uma terceira onda da pandemia. “Esses dados mostram a necessidade de aumentarmos ainda mais a cobertura vacinal nas medidas de enfrentamento ao novo coronavírus”, disse.

O diretor-presidente da FVS-AM, Cristiano Fernandes, salientou que as pesquisas representam um salto enorme nos estudos científicos sobre o coronavírus. “É a melhor mensagem para população brasileira e mundial no dia consagrado à saúde”, disse. Ontem, foram as comemorações sobre a data. “Vamos apostar mais na ciência”, enfatizou ele.

Representante da Opas, Rodrigo Said disse que os dados preliminares sobre a efetividade da CoronaVac dão mais segurança vacinal na região das Américas e de outros países que utilizam a vacina. “As pesquisas trazem resultados fundamentais para a humanidade”, afirmou.

O secretário de Estado da Saúde, Marcellus Campêlo, disse que a SES-AM já elabora um novo plano de contingência para o enfrentamento de uma terceira onda de Covid-19. “Esses dados da pesquisa nos dão mais condições para prevenir um novo colapso na saúde, como observamos no início do ano”, disse ele. “Nos dão um alento de 50% para um eventual novo pico da doença”, afirmou.

Foto/Destaque: Divulgação

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