21 de abril de 2021

Estimativa de queda na produção agrícola do AM é mantida

Em contraste com o reforço na previsão agrícola nacional (+3,8%), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) manteve estimativa de queda para a safra agrícola 2019/2020 do Amazonas. A previsão é que a produção local (1.787.040 toneladas) fique 4,59% abaixo do registro de 2018/2019 (1.873.122). As áreas de plantio (183.791 hectares) e de colheita (170.856 hectares) ainda seguem empatadas com as apresentadas no período anterior. Os números foram divulgados nesta terça (11).

Os números globais da safra amazonense ainda são puxados pela permanência de seu principal produto agrícola no terreno negativo, após o recorde registrado na safra anterior (+58,1% e 1.331.531 toneladas). A projeção do IBGE ainda é de uma produção 6,90% menor, totalizando 1.239.598 toneladas. 

Cereais, leguminosas e oleaginosas compareceram novamente com estimativa de produção total de 41.420 toneladas para o ano, montante 0,52% superior ao apresentado na safra anterior (41.207 toneladas). Os números de área plantada (24.072) e colhida (22.930), contudo, seguem iguais aos de 2018/2019. No Amazonas, o grupo inclui arroz, feijão e milho.

O melhor dado das três culturas vem da primeira – e única – safra de milho (+1,05%) no Estado, que deve render 19.093 toneladas neste ano. A previsão de alta do arroz (14.220 toneladas) ainda é de 0,10%, enquanto os cálculos do IBGE para as duas safras de feijão – 4.107 e 4.000 toneladas – ainda apontam para estabilidade. As áreas de plantio estimadas são de 7.886, 7.589 e 4.343 hectares, respectivamente.

Fruticultura e cana

A fruticultura permanece retraída. Cacau (-4,16%), banana (-2,32%) e laranja (-2,29%) replicam quedas do ano anterior. A produção de cacau deve cair para 1.266 toneladas, em intensidade maior do que a apresentada na safra passada (-1,34%). Banana (109.913 toneladas) e laranja (65.232), por sua vez, tiveram retrações mais suaves em relação ao período anterior (-10,08% e -6,11%, respectivamente). As projeções para as respectivas áreas plantadas são de 2.404, 9.310 e 3.895 hectares.

O melhor número da safra agrícola do Amazonas ainda está na cana-de-açúcar (+3,51%), conforme as estatísticas do IBGE. A estimativa é que a produção aumente para 283.676 toneladas neste ano. As projeções para os cafés arábica (1.836) e canephora (2.679), por outro lado, ainda apontam para estagnação. O IBGE calcula que as áreas de plantio serão de 4.607. 

Calor e chuvas

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, destaca que os produtos que apresentam alta na produção, não tiveram aumento na área plantada e o resultado se deu pela melhora no rendimento médio. O pesquisador que a temperatura e regime de chuvas foram preponderantes para os números locais apontados pelo LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola).  

“A estimativa de meio do ano geralmente leva em conta o momento das vazantes, quando ocorre uma pausa por parte dos moradores das várzeas, aguardando o aumento da intensidade da descida dos rios para poder efetivar as plantações. Já as culturas de terra firme, estão enfrentando um momento não propício, que é a estiagem das chuvas e a chegada do sol amazônico. Estes fatores ‘travam’ momentaneamente a melhora das previsões de safra”, assinalou.

Retomada em questão

Na avaliação do presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas), Muni Lourenço, a estimativa divulgada pelo IBGE prevê “alterações discretas”, tanto para aumento de algumas culturas, quanto para redução de outras. O dirigente considera que a nova projeção aponta para um fator importante, que é o aumento de produtividade média de culturas agrícolas, o que demonstraria maior adoção de tecnologias, mecanização e técnicas eficientes.

“Lógico que o ideal era termos incremento de volume de produção em todas as culturas, mas sabemos que ainda estamos vivenciando um ano de pandemia, que traz um contexto de incertezas. Mas, ainda há possibilidade de uma alteração nos números da safra, principalmente se a economia como um todo tiver retomada mais rápida, o que encorajaria o produtor a ampliar produção e investimentos”, ponderou.

Produtividade e sustentabilidade

Na mesma linha, o titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, aponta que os números do IBGE apontam para a manutenção do crescimento agropecuário amazonense, ao mesmo tempo em que a produtividade aumenta. Para o secretário estadual, trata-se de uma boa notícia, em um momento em que a Amazônia vem sendo pauta internacional.

“Isso confirma que já dispomos de tecnologias suficientes para um crescimento sustentável em um Amazonas com 97% de sua cobertura florestal preservada. Não precisamos desmatar. A expectativa é grande, pois estamos nos esforçando para que nossos produtores rurais tenham maior acesso às políticas e programas de fomento estabelecidos no Plano Safra Amazonas, como ATER [Assistência Técnica e Extensão Rural], crédito rural e programas de subvenção das cadeias produtivas prioritárias”, concluiu.

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