“Está muito difícil produzir na Zona Franca de Manaus”, desabafa Marcelo Ramos

Nesta entrevista, o deputado estadual Marcelo Ramos (PSB), destaque na Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas) por sua postura exclusivamente de oposição, diz que a bancada federal do Amazonas está perdendo a batalha em favor da Zona Franca de Manaus no Congresso Nacional, e chama a atenção do Palácio do Planalto para investimentos em infraestrutura de energia, comunicação, portos e aeroportos para salvar o PIM.

Jornal do Commercio – Quem é o maior adversário da Zona Franca de Manaus hoje ?
Marcelo Ramos – Nós lamentamos hoje a pouca combatividade da nossa bancada federal no Congresso Nacional. Como precisa do apoio do governo federal para resolver seus problemas pessoais, não se levanta contra o governo mesmo estando em jogo interesses do povo do Amazonas. Outro inimigo é o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, candidato à prefeitura de São Paulo em 2012, e que faz do Ministério um instrumento para conquistar a prefeitura paulista. Assim, ele causa prejuízos a muitos Estados brasileiros, em especial ao Estado do Amazonas com a as medidas provisórias 517, 534 e agora com a insanidade de sustentar a tese de ampliar os benefícios da MP 534, que é específica para os tablets, para aparelhos de telefonia e para os televisores. Isso será o tiro de misericórdia na Zona Franca de Manaus.

JC – Porque o site se chama Imperdível?
PV- A ideia, como já foi dito, surgiu nos EUA. Nós a trouxemos para o Brasil e apostamos que ela iria pegar e crescer, não tínhamos a proporção de que o site iria obter todo esse sucesso.

JC – As três MPs destroem a ZFM ?
MR – Elas tiram as vantagens comparativas da ZFM, está muito difícil produzir em Manaus, onde não há portos modernos, não há aeroportos e nem ligação rodoviária com outras regiões do país, a energia é precária e o sistema de comunicação é caro e ineficiente. E estamos distantes dos mercados consumidores. O que compensa isso são as vantagens comparativas da ZFM. A presidente Dilma Rousseff, ao mesmo tempo em que a ZFM, retira suas vantagens comparativas. Na hora em que o custo do nosso caos logístico for menor ou próximo do benefício do incentivo fiscal, a empresa fecha as portas no PIM e reabre seus negócios em São Paulo.

JC – Então, o PIM está condenado ao sucateamento?
MR- Espero que não. Lamentavelmente, aparece um deputado federal (Francisco Praciano) e diz à imprensa que a MP 534 veio em boa hora e ajuda a repensar a ZFM. Ora, a MP 534 é o caos, desemprego no PIM e gente morrendo de fome.

JC – Como a Assembleia Legislativa poderia fiscalizar a obrigatoriedade das empresas que atuam na ZFM a investirem cinco por cento dos seus lucros em pesquisas a fim de fortalecer a atividade industrial em Manaus?
MR – Em primeiro lugar, nós temos um problema no modelo, que não é a vocação da nossa região. Mas é ele quem faz o Amazonas ser o quarto maior PIB do país e, então, deveria ter financiado a construção de alternativas econômicas, porque a ZFM sempre teve data pra acabar.

JC – O deputado federal Francisco Praciano, em entrevista ao Jornal do Commercio, informou a apresentação de proposta diminuindo de cinco para dois por cento a exigência para que as empresas invistam em pesquisas em Manaus. Como o senhor analisa essa proposta ?

MR – O deputado Praciano, por quem eu tenho carinho e respeito, poderia levantar-se contras as medidas provisórias que infelicitam a Zona Franca de Manaus e sensibilizar a presidente da República, Dilma Rousseff, que é do partido dele, a garantir as vantagens comparativas da ZFM. A proposta do deputado Praciano, na verdade, culpa as vítimas, só complica mais a situação do PIM.

JC – O deputado Praciano diz que a ZFM não perde nada com a Medida Provisória 534, e passa a produzir tablets.
MR – Hoje, para produzir tablets em nível nacional, com a redução do PIS/COFINS/IPI, o empresário vai ter um custo de 3%. Aqui em Manaus, o empresário tem um custo de 3.75%. Então, se o empresário paga mais caro em Manaus, incluindo os custos com comunicação, energia e de transporte, ela vai produzir tablets em outro lugar, o argumento do deputado Praciano não se sustenta, ele tem que reconhecer que há uma MP do governo que ele apoia que contraria os interesses do Estado do Amazonas.

JC – O senhor conhece as emendas apresentadas pela bancada federal do Estado ao Congresso para diminuir os impactos da MP 534?
MR – As emendas são um jogo de cena dos senadores amazonenses. Ouvi um deles dizer que a forma de proteger a ZFM é proibir os controles remotos. Isso não tem cabimento. Outros ficam discutindo o tamanho dos tablets. O tamanho na lei deveria ser o tamanho do tablet da Samsung, do Ipad, que é que eles querem produzir em outro centro. Eles flexibilizam o tamanho, que abre margem pra outros tablets. O tablet da Samsung, o Galax, já tem TV analógica e digital, produzido lá na Bahia.

JC – O ex-senador Artur Neto diz estar ficando cada vez mais difícil defender a ZFM diante da evolução da tecnologia. Como se comportar diante disso?
MR – Primeiro temos que estabelecer o marco zero de um resgate da infraestrutura do PIM. Se o governo federal quer que o Amazonas concorra em igualdade de condições com outros estados brasileiros com relação a produção de bens de informática, ele tem que reorganizar o nosso aeroporto, construir um porto decente, investir num parque elétrico e construir um novo sistema de comunicação. Isso é dever do governo federal, o que poderia ser concretizado com o governo descontingenciando aproximadamente R$ 1 bilhão da Suframa. Isso nos colocaria em condições de competir. De outra forma, é impossível.

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