Esquecidos e sofridos seringueiros da Amazônia

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Carlos Teixeira e Frederico Alexandre lançam livros sobre histórias na floresta

Acontece hoje, às 9h, no auditório da Escola Normal Superior da UEA, o lançamento de dois livros que são referência quando o assunto são os fatos da história da borracha no Amazonas, desde o final do século 19 até os dias atuais: ‘Servidão humana na selva’, de Carlos Corrêa Teixeira; e ‘Soldados da borracha’, de Frederico Alexandre de Oliveira Lima.

‘Servidão humana na selva’ começou a ser gerado ainda em 1976, quando seu autor, o professor Carlos Corrêa, nascido em Humaitá, passou a pesquisar os seringais existentes naquele município, manancial de seringueiras nativas desde tempos remotos. Ao longo de dez anos ele visitou seringais e conversou com seringueiros, e ex-seringueiros, que contaram suas histórias de quando enfrentavam a floresta selvagem.

“Um dos encontros que me marcou foi com um ex-seringueiro ao qual eu perguntei sobre o que ele mais lembrava daqueles tempos de quando era jovem percorrendo as ‘estradas’, entre as seringueiras. Ele respondeu: a solidão, a tranquilidade, a paz”, contou.

“Ele falou que seus dois únicos companheiros eram um macaco e um cachorro. Só pelo balançar do rabo do cachorro ele sabia se o animal queria comida ou água”, relatou.

As pesquisas de Carlos viraram sua dissertação de mestrado, depois transformada em livro que agora sai em segunda edição, editado pela Valer.

Sendo de Humaitá, lógico que o livro traz uma referência ao seringal Paraíso, onde morou o escritor Ferreira de Castro, descrito em seu livro ‘A Selva’, de reconhecimento internacional.

Esquecidos pelo Brasil    

‘Soldados da borracha’ também é a dissertação de mestrado de Frederico Alexandre, e também sai em segunda edição pela Valer.

“Trabalhei no Centro de Pagamentos do Exército, em Brasília, e vez por outra aparecia a solicitação de alguém para ser reconhecido como ‘soldado da borracha’, mas não tínhamos informação alguma sobre tal pessoa. Quando vim para Manaus, tais solicitações continuaram. Então fui pesquisar para saber quem eram aquelas pessoas que se consideravam ‘soldados da borracha’, mas que, parece, haviam sido esquecidas pelo Estado brasileiro”, falou.

“Descobri que essas pessoas, principalmente nordestinos, começaram a vir para cá a partir de 1942, após acordos do Brasil com os Estados Unidos. Essas vindas aumentaram a partir de quando o Brasil entrou na guerra, em 1944, e continuaram até o fim da contenda, em 1945”, revelou.

“Pesquisando em documentos no porto de Belém, porta de entrada deles para a Amazônia, contabilizei a entrada de 42 mil homens, fora as mulheres e os filhos, que muitos traziam. Mas são números incertos. Calculo que umas 100 mil pessoas tenham vindo trabalhar na Amazônia, os homens, como ‘soldados da borracha’, pois eles decidiam se queriam ir lutar na Itália ou vir para cá. Lógico, eles escolhiam vir para cá, mal sabendo que a situação na floresta era bem pior do que nos campos de guerra italianos”, afirmou.

“E não vieram somente nordestinos. Entre eles descobri romenos, espanhóis, portugueses e manauenses”, disse.

“Descobri, ainda, que os americanos destinaram cem dólares para cada ‘soldado da borracha’, uma pequena fortuna para essas pessoas, mas nenhuma recebeu esse dinheiro. Se calcularmos 100 mil pessoas, isso dá um milhão de dólares que, simplesmente sumiu. Esses ‘soldados da borracha’ costumavam dizer que Brasília lhes pertencia, pois o dinheiro que deveria ter sido entregue a eles, foi desviado para a construção da capital do país. O certo é que esses milhares de homens e mulheres deram o sangue, e até a vida, para ajudar o país no esforço de guerra, e quando a guerra acabou, o Brasil simplesmente lhes virou as costas”, refletiu.

   

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