Esperar a vez é civilizado

Há quase um ano, o Brasil entraria em um de seus maiores desafios: enfrentar até então, o desconhecido vírus Sars COV-2. Em março de 2020, o país inteiro praticamente parou por conta dos agravos da pandemia e de um possível colapso na rede de saúde, uma doença até então, sem tratamento específico, sem vacina, havendo apenas a possibilidade de evitar a disseminação do contágio por medidas sanitárias.

Muitas pessoas não tiveram a opção de ficar em casa. Entre elas, principalmente, os profissionais de saúde. Estes tiveram que lutar contra o medo. Medo de se infectar e por consequência, tiveram que se afastar de suas famílias. Muitos deles viram seus colegas contraírem a doença e não resistirem. Além de lutarem fisicamente, emocionalmente estavam sendo testados, um desgaste muito grande.

Houve uma imensa mobilização nas redes sociais, pelo reconhecimento da bravura dos profissionais de saúde da linha de frente de combate ao COVID-19. Corrente de aplausos e inúmeras demonstrações de empatia. Porém, ninguém imaginava que um ano depois de tudo isso que ocorreu, os mesmos profissionais de saúde que tanto sofreram com a angústia de não saber seus destinos, seriam parcialmente ignorados e desvalorizados perante o egoísmo de alguns.

Início de 2021, mais de 200 mil mortes e os casos da doença continuam a crescer. Manaus perde seus pacientes por falta de oxigênio nos hospitais, profissionais de saúde desesperados e aflitos, desabafam nas redes. O Brasil se une para ajudar.

Em janeiro, a esperança chegou. As primeiras vacinas são aprovadas para distribuição em caráter emergencial, afinal, temos poucas doses e estas, seriam direcionadas especificamente ao grupo de risco, grupo prioritário. Entre eles, os profissionais que atuam diretamente na linha de frente. Mas o que vemos é, além de uma falta de respeito, uma covardia e egoísmo sem dimensões. Pessoas que podem aguardar a sua vez, que tem a opção de ficar em casa, continuam roubando a dose de esperança de quem não sabe o seu destino.

São os fura-filas da vacina. Um episódio lamentável. Um crime passível de diversos enquadramentos no Código Penal.

Para os que sofrem, que lutam, a punição não é maior que o desgosto e angústia de ver o quão tamanho é, o egoísmo e falta de empatia do ser humano.

O maior crime que o fura-fila estará cometendo é a falta de humanidade. Conseguimos passar um ano à espera. Não vale tirar a chance de sobrevivência de quem está lutando para salvar vidas. 

Foto/Destaque: Divulgação

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