Especialistas temem crise maior

O parlamento do Chipre rejeitou ontem por ampla maioria dos votos um imposto profundamente impopular sobre o dinheiro depositado em contas bancárias, o que coloca em dúvida o plano de resgate internacional para o país.
O Parlamento de 56 integrantes decidiu, por 36 votos contrários e 19 abstenções, enterrar o projeto de lei, condição para o resgate de 10 bilhões de euros (13 bilhões de dólares) da União Europeia para a ilha do Mediterrâneo. Um parlamentar não compareceu à votação.
A rejeição da proposta deixa a ilha do leste do Mediterrâneo, um dos menores Estados do continente, à beira do colapso financeiro.
A exigência europeia no final de semana para que o Chipre quebrasse práticas anteriores e adotasse imposto sobre as contas bancárias como parte do resgate da União Europeia (UE) deixou os cipriotas furiosos e agitou os mercados financeiros.
Após a votação, o Banco Central Europeu (BCE) disse ter conhecimento do resultado e reforçou seu compromisso de prover liquidez na medida do necessário dentro das regras.
O plano determinava uma taxa de até 10% sobre os depósitos bancários – um tipo de confisco que assustou depositantes de outros países da zona do euro, uma vez que abriria precedente para ser usado por outros países em situações semelhantes. O objetivo do imposto era arrecadar 5,8 bilhões de euros como parte do resgate considerado necessário para evitar o default e o colapso do setor bancário.

Inquietação

A decisāo dos ministros da zona do Euro de tributar o dinheiro depositado em contas bancárias no Chipre é considerada “inquietante” e “surpreendente” pelas principais associações de correntistas europeus, que temem uma grave crise de confiança entre investidores e denunciam a medida como ilegal.
“As consequências são muito negativas. O resultado é uma desconfiança geral que pode, inclusive, repercutir na economia. Imagine se as pessoas começarem a retirar o dinheiro dos bancos para investir em outros serviços, como ouro ou imóveis, por exemplo?”, disse à BBC Brasil Juan Manuel Viver, representante da Eurofinuse, a Federação Europeia de Usuários de Serviços Financeiros, entidade que representa cerca de 50 associações na Europa.
O reflexo já é sentido nas principais economias, como o Brasil. O mercado futuro de juros local opera em queda desde o início do pregão da última segunda-feira, em linha com a aversão ao risco no exterior. O motivo é a preocupação com a crise das dívidas da zona do euro e com um efeito contágio, renovada após o Chipre garantir um pacote de resgate com confisco. O país terá ajuda de 10 bilhões de euros, mas com a participação, pela primeira vez na região, de correntistas.
“O mercado teme reflexos sobre o crescimento econômico mundial e impactos disso sobre o crescimento brasileiro, que poderiam levar o Banco Central a postergar uma alta de juros”, afirma o estrategista-chefe do banco WestLB, Luciano Rostagno.
O representante da Eurofinuse não acredita que haverá corrida em massa dos clientes aos bancos europeus para retirar dinheiro, mas considera que a decisão abre um precedente. “As pessoas vão ter medo, pois vão pensar que se fizeram uma vez, podem fazer de novo”, acrescentou.

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