Especialistas esperam nova alta

O Banco Central anunciou na noite de ontem a quarta elevação seguida no juro básico da economia brasileira (Selic), levando a taxa para 9% ao ano. Como não houve novidade no comunicado que acompanhou a decisão, as principais apostas do mercado apontam para novo aumento de 0,5 ponto percentual em outubro.
“Não houve indicações no comunicado de que o BC está inclinado a desacelerar o ritmo de aumento [da Selic] no próximo encontro, uma vez que o teor da nota foi idêntico ao das reuniões de maio e julho”, diz Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs, em relatório.
Como o aumento já havia sido amplamente antecipado, o impacto foi reduzido nos mercados hoje. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subia 1,17% às 13h30, a 50.451 pontos, influenciado por fatores externos.
No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha alta de 0,92% em relação ao real às 13h30, cotado em R$ 2,359 na venda. No mesmo horário, o dólar comercial, utilizado no comércio exterior, avançava 0,46%, também a R$ 2,359.
O cenário para a inflação no país continua desafiador, segundo Ramos, e pode se deteriorar ainda mais no curto prazo diante da depreciação do real em relação ao dólar.
“Por causa da significativa depreciação do real nas últimas semanas e as crescentes chances de um reajuste no preço do combustível antes do final deste ano, provavelmente o BC manterá o ritmo de aumento de 0,5 ponto percentual na Selic em outubro e estenderá o fim do ciclo de aperto monetário para a última reunião de 2013, em novembro”, afirma.
A pressão cambial sobre os preços indicava, segundo o economista do Goldman Sachs, que seria “razoável” se o Banco Central tivesse elevado a Selic em 0,75 ponto percentual na reunião de ontem, o que não ocorreu por causa do plano de intervenções diárias da autoridade no câmbio, anunciado na semana passada.
“A dinâmica lenta da atividade real, a recente moderação dos preços, a expressiva deterioração da confiança dos consumidores e da indústria e o significante aperto das condições financeiras domésticas provavelmente contribuíram para reduzir o apetite do BC em acelerar a alta da Selic nesse cenário”, avalia Ramos.

Novo Aumento

O economista David Beker, do Bank of America, destaca em relatório que a fragilidade da atividade econômica brasileira também pesa para que o BC encerre o ciclo de aumento da Selic ainda em 2013, provavelmente com um aumento de 0,5 ponto percentual na próxima reunião, levando a taxa a 9,5% ao ano.
A ausência de novidades no comunicado da decisão foi interpretada por Beker de forma positiva. “Uma mudança na linguagem nesta reunião teria adicionado um ruído desnecessário ao já volátil mercado, na minha visão. O BC claramente optou por não surpreender o mercado”, diz.
Mesmo enfatizando que “o cenário mais provável é um aumento de 0,50 ponto percentual na Selic em outubro”, Beker não descarta que a autoridade possa considerar elevar a taxa em apenas 0,25 ponto percentual nesse encontro.
Mas a confirmação dessa perspectiva, segundo ele, vai depender da avaliação sobre a economia brasileira que estará presente na ata do encontro de ontem do BC, a qual será conhecida na próxima semana.

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