Especialistas alertam para reflexos da alta de juros no PIM

Hoje sai o veredicto que ditará o final desta novela chamada Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia). Com 10,75%, a taxa básica já é considerada a mais alta do mundo e, pelo visto, está longe de provar o contrário. Segundo analistas do mercado financeiro, nesta reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) a Selic deve ser reajustada para 11,25% ao ano.
O economista e consultor da Assis Consultoria, Mourão Júnior, comenta que por um lado a ação é positiva, porque permite dar uma freada na inflação, atualmente na faixa dos 5,9%. A expectativa do governo é reduzir este número para 4,5% ao ano.
Segundo o consultor, o ‘remédio é amargo’ para os consumidores, ainda mais quando a demanda por crédito no ano anterior teve alta de 16,4% ante 2009, índice recorde desde o início da série em 2007, de acordo com o levantamento da Serasa Experian. Provavelmente este ano, o percentual sofra uma desaceleração.
Mourão Júnior ressalta que, provavelmente, a alta para Selic aconteça somente neste primeiro semestre, sendo reduzida a partir do segundo.
O economista e professor de economia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), José Alberto Machado, explica que o aumento já é um consenso, tendo em vista as pressões do mercado financeiro.
Machado acredita que, embora não seja positiva, a providência é inevitável para manter o domínio da inflação, em conjunto com as outras medidas que estão sendo adotadas pelo governo, como o corte no Orçamento da União.
Neste caso, a própria CNI (Confederação Nacional da Indústria) sustenta que um corte de aproximadamente R$ 40 bilhões já seria decisivo para o controle inflacionário, sem mesmo contar com a hipótese de elevação nos juros.
Por mais que aceite esta ideia, o economista e conselheiro titular do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Edson Nogueira Júnior, analisa que esta saída deve ser bem calculada. De acordo com ele, a solução pode melhorar a administração da máquina pública, mas é preciso que haja uma verificação de quais programas serão cortados da pauta governamental.
Além disso, o conselheiro fala que o aumento na Selic não deve refletir no consumo, como o previsto. E os principais vilões, os alimentos e as bebidas, não serão atacados. “Não há como reduzir o consumo desses produtos, sendo que não podemos parar de comer, nem de beber”, frisou.
Segundo divulgação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em dezembro, o grupo de alimentos e bebidas tem uma forte participação na inflação do país, com um peso de 23% no caso do IPCA. Em 2010, os preços desses itens subiram 10,30%, contribuindo com 2,34 pontos percentuais da alta inflacionária.
Nogueira também afirma que o reflexo da alta de juros na inflação será absolutamente zero, enquanto os efeitos negativos serão bem maiores, como o próprio deficit na balança comercial. “O valor do real fica mais valorizado, os produtos brasileiros perdem competitividade e aumenta a importação”, destacou.
Se isto realmente acontecer, no PIM (Polo Industrial de Manaus) a situação deve ser mais conturbada, pois, atualmente, a balança já mostra um deficit de US$ 8.75 milhões.
Nogueira Júnior pensa que a melhor maneira de conter a inflação já foi aplicada pelo BC (Banco Central), com o aumento dos compulsórios, instrumentos de política monetária usados pelo BC para controlar a quantidade de dinheiro em circulação na economia.
“Seria necessário uma monitoração por aproximadamente um mês para aí verificar outra medida. Caso não desse resultado, que aumentasse o compulsório novamente”, finalizou.

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