14 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Especialista diz que dificilmente desemprego cairá

A taxa de desemprego dificilmente atingirá um porcentual abaixo de 7%, avalia a economista do Banco Santander, Luiza Rodrigues

A taxa de desemprego dificilmente atingirá um porcentual abaixo de 7%, avalia a economista do Banco Santander, Luiza Rodrigues. Ela se apoia no estudo “Emprego e Oferta Qualificada de Mão de Obra no Brasil: Impactos do Crescimento Econômico Pós-crise”, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), para afirmar que as razões para tal suporte são de cunho estrutural.
O que preocupa é a falta de mão de obra especializada no país. “Há 5,5 milhões de pessoas desqualificadas no Brasil que não vão encontrar emprego”, afirma a economista do Santander. E isso é um dos vários impeditivos a um recuo da taxa desemprego para um patamar abaixo do que o País vivencia atualmente. De acordo com o estudo do Ipea, “a rápida recuperação econômica após a contaminação da crise internacional impõe importantes efeitos sobre o comportamento do mercado de trabalho brasileiro. Apesar disso, o país segue ainda detentor de elevado excedente de força de trabalho, tendo em vista que se espera para 2010 uma demanda potencial de mão de obra equivalente a 18,6 milhões de ocupações frente à disponibilidade de cerca de 24,8 milhões de trabalhadores”. Mas não é só isso, ressalta Luiza. Por mais paradoxal que possa parecer, diz ela, há também gente qualificada que continua inadequada ao preenchimento de vagas disponíveis. E o estudo do Ipea toca também nesta questão. Isso porque, de acordo com ela, há muita gente com curso superior em áreas e lugares onde não há demanda para estas especialidades. No Estado de São Paulo, por exemplo, afirma a economista do Santander, devem faltar profissionais nos setores de alojamento, construção civil e construção, enquanto no Nordeste, Estados como Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte podem apresentar excessos de mão de obra qualificada profissional nesses mesmos setores. Toda essa dissonância faz com que dificilmente a taxa de desemprego caia abaixo de 7% no Brasil, de acordo com Luiza, porque, mesmo com o crescimento econômico, continuará havendo um número expressivo de trabalhadores desempregados no Brasil.
Na última quinta, o IBGE informou que a taxa de desemprego brasileira atingiu 7,4% em fevereiro, de 7,2% em janeiro, consagrando-se no nível mais baixo de desocupados para o mês desde 2003. Porém, segundo um estudo feito pela economista do Santander, taxas de desemprego no patamar de 7% são bastante comuns no mundo. Ela fez uma lista de 30 países e comparou suas respectivas taxas médias de desocupação, no prazo de 2000 a 2007, e chegou a uma média de desemprego de 7% a 8% nesses países. “É meio comum que estas taxas de longo prazo fiquem neste patamar”, diz a economista, ressaltando que a taxa de crescimento do PIB afeta diferentemente a taxa de desemprego de cada país. Para Luiza, as baixas taxas de desemprego domésticas vistas em janeiro e fevereiro são sustentadas por um aquecimento de demanda interna e externa.
Outro desdobramento que a falta de mão de obra qualificada impõe ao mercado de trabalho reside na pressão sobre os salários pagos pelas empresas a seus empregados. Em outras palavras, para segurar funcionários especializados em seus quadros e até mesmo para “roubar” empregados dos concorrentes, as empresas pagam salários mais altos, o que num contexto mais macro, pode se reverter em aumento de inflação. A contrapartida desta melhoria salarial e do poder aquisitivo de algumas categorias profissionais, além da pressão sobre os salários e consequente aumento de preços, é o número de pessoas que não vão conseguir emprego por não terem as qualificações demandadas pelos segmentos da economia.

Produção cresce abaixo do esperado em fevereiro

A utilização do parque industrial brasileiro ficou abaixo do esperado para fevereiro, de acordo com a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Industria).
O indicador que mede a produção ficou em 48,9, numa escala em que os números abaixo de 50 indicam que a produção foi menor do que a esperada pelos empresários no período.
A atividade da indústria brasileira ficou praticamente estável, com leve alta em relação a janeiro. Na pesquisa, o indicador foi de 50,8 pontos contra os 49,2 registrados em janeiro. Os números acima de 50 significam aumento na produção.
“Ainda que tenha superado a linha divisória de 50 pontos, o índice manteve-se muito próximo a ela, o que denota estabilidade”, aponta a CNI em nota.
O otimismo se mantém em relação a atividade industrial para os próximos seis meses. Os empresários esperam aumento na demanda para o período. O índice que mede essa expectativa ficou em 66,1.
Os estoques ficaram abaixo do esperado pelos empresários. O indicador ficou em 48,8 pontos (abaixo de 50 pontos significa estoques abaixo do planejado).

Inflação na construção sobe 4,12% em 12 meses

A variação de 4,12% registrada nos últimos 12 meses no INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção) teve como destaque o grupo mão-de-obra, que no mesmo período teve alta de 8,32%, de acordo com os dados divulgados hoje pela FGV (Fundação Getulio Vargas).
O segmento de materiais e equipamentos apresentou queda de 0,82% nesse intervalo e, serviços, alta de 6,23%. Em março, no entanto, mão-de-obra subiu 0,40%, abaixo da média do índice geral (0,45%). Em Salvador, teve variação de 2,99% devido aos reajustes salariais na data-base. Em Belo Horizonte, Brasília, Recife e São Paulo, a maioria dos aumentos se deveu ao reajuste do salário mínimo. Entre as cinco maiores influências para a alta no mês aparecem ajudante especializado (0,45%), servente (0,38%) e engenheiro (0,75%). Vergalhões e arames de aço ao carbono (0,82%) e tubos e conexões de PVC (2,23%) completam a lista.

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