Esforços para compensar prejuízos

Desde que tiveram a atividade restrita pelas medidas de contenção ao avanço da Covid 19, donos de embarcações “têm se virado” como podem para tentar suprir as perdas com a  ausência do transporte fluvial de passageiros. 

Para buscar esse equilíbrio, o dono de embarcação, Regilson Coimbra, precisou optar por viagens apenas para os municípios de Manicoré e Novo Aripuanã. Acertou com os colegas de outras embarcações uma espécie de rodízio. 

Ele explica que se todos resolvessem realizar as viagens ao mesmo tempo não iria valer a pena, pois a média de faturamento na viagem normal só ia suprir 40% das despesas da viagem. “De oito barcos que realizam essas viagens pela região, ficaram apenas cinco. Alinhamos o dia da saída, a equipe vai para o Porto pegar a carga e quando carrega cem por cento seguem viagem”. 

“Tem dado certo porque conseguimos falar com os comerciantes que concordaram sobre o reajuste nos preços dos fretes. Até mesmo porque os nossos preços não tinham reajustes há muitos anos. Nesta pandemia fizemos uma acerto dessa forma a gente consegue pagar as despesas, tripulação e ainda sobra alguma coisa para ir custeando as despesas do dia a dia. Por enquanto está minimizando a  situação”.

Ele explica que consegue ir custeando os gastos  e ainda consegue ajudar quem está sem trabalhar. “Essas últimas semanas o transporte de cargas nos municípios em que abastecemos deu uma aquecida. Aumentou a quantidade de volume”. Ele atribui o aumento na demanda ao pagamento do Auxílio Emergencial disponibilizado pelo governo. 

Antes da pandemia ele lembra que realizava viagens regulares e com uma equipe de oitenta funcionários. Com a quarentena muitos estão parados e também em sistema de revezamento “Conseguimos nos organizar. Apesar de não suprir totalmente  a necessidade com a falta de passageiros, foi o que conseguimos alinhar para minimizar as perdas”. 

Apesar do aumento na demanda no transportes de cargas, André Luiz, dono de uma embarcação que viaja para os município de Tabatinga, lamenta que os barcos que faziam três viagens em dois meses, agora fazem uma por mês.

“A carga  deu uma diminuída em alguns artigos o que obrigou as embarcações da nossa calha a operarem em um modo diferente onde toda carga que chega vai somente para uma embarcação até ela carregar por completa, e passar pra outra embarcação, os passageiros fazem uma grande diferença no resultado final por isso a ideia de fazer esse novo modo de carregamento”. 

Para compensar a falta do passageiro os preços foram reajustados. “O passageiro corresponde a 40% da nossa receita. Nós  ajustamos o valor do frete de todos os ítens, mas não por conta da pandemia, e sim, pela defasagem de anos sem aumento”, conta ele, que também precisou manter os funcionários mesmo após dois meses do anúncio do decreto .

Equilíbrio

Apesar da tentativa da categoria em manter a estabilidade na atividade, a  situação é motivo de preocupação para o conselheiro do Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas) e representante do setor, Dodó Carvalho.

“Existe esse buraco de 30% em cada viagem sem o passageiro. Em relação ao combustível isso representa 40%. Amargamos um prejuízo grande. Não tivemos  por parte do governo nenhum tipo ajuda, nem redução do ICMS do combustível,  nem aporte financeiro que pudesse ajudar o setor  atravessar esse momento,. 

Ele reitera que é necessário encontrar um equilíbrio que justifique que barco fique operando apenas com a carga. “E aí como o diesel representa de 45% a 50% do custo da viagem e desse custo 25% é ICMS, o governo agora poderia suspender esse tributo dos barcos para que eles pudessem comprar o combustível mais barato e fazer uma viagem mais barata para não onerar o preço da mercadoria”. 

Decreto

Em razão da crescente preocupação com a crise em saúde pública, o Governador do estado do Amazonas editou o Decreto nº 42.087, ainda em 19 de março de 2020, prevendo a suspensão do transporte fluvial de passageiros em todo o estado.

No dia 15 de abril foi publicado no Diário Oficial, a prorrogação o período de estado de calamidade pública no Amazonas foi prorrogado por mais 180 dias em virtude do aumento no número de casos de contaminação por coronavírus na região. 

Fonte: Andreia Leite

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