29 de junho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Muitos dos grandes escritores escreveram para jornais, dentre eles, podemos elencar, sem pestanejar, Machado de Assis, Clarice Lispector, José Saramago e o próprio Dostoiévsk. Não que tenha algo de diferente, que quer que seja, é meramente analítico, porém me dá a pena ática a sensação de que estou num lugar familiar para a minha essência de escritor. A ansiedade de ir a uma banca de revistas, procurar pelo jornal e abrir na página, procurar pelo meu texto e ler de novo é muito gostosa. Vez ou outra, a contragosto, até a achar algum erro. 

A sensação, na verdade, é que a literatura se permite demorar demais na vida de quem passa, com livros e textos a consumir um tempo que, nos dias de hoje, provoca ansiedade nos que até por algum motivo querem ficar. A revolução do digital, a trazer coisas boas, nos trouxe também uma dificuldade, principalmente na geração Z, de se demorar. O tempo tornou-se um dos ativos mais valiosos do mercado e a jogar o jogo, as redes sociais hoje em dia consomem um tempo no dia de cada um de nós nunca antes visto. 

O jornal, no meio de tudo isso, é consumido às pressas, com manchetes e textos rasos. Alguns ainda compram os jornais físicos, mas não sei até quando, têm se tornado cada vez mais obsoletos. Parece muito mais fácil se informar a ver TV ou simplesmente consumir um jornal que chega no e-mail, gratuitamente, todos os dias. Não pense que estou do lado deles, digo isso com pesar e aperto no peito. Sobretudo pelo fato de que estou a escrever isso numa coluna, num jornal impresso, como faziam meus heróis da literatura no período auge das crônicas em folhetins. 

Ficará cada vez mais comuns retiros espirituais em que a presença da tecnologia é proibida, lugares à parte da sociedade comum onde o objetivo é se curar de todo o mal que a tecnologia nos causou. Um mal que, a longo prazo, há de ser deveras destrutivo para a sociedade. Não sabemos de que forma as mídias sociais afetam a nossa mente e tudo me leva a crer que não é de forma positiva. O bilionário da tecnologia Steve Jobs, por exemplo, mesmo sendo o fundador da maior empresa de tecnologia do mundo, sequer deixava seus filhos ficarem muito tempo de posse de um iPad ou iPhone. O que ele sabe que não sabemos? Quando descobrirmos, temo eu, já há de ser tarde demais.

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