Escolas privadas adotam estratégias para sobreviver

As escolas particulares estão entre os segmentos duramente impactados pela crise financeira causada pela pandemia de Covid-19. Os efeitos repercutem num relatório produzido pelo Grupo Rabbit, consultoria de gestão escolar, ao revelar que os estabelecimentos da rede privada de ensino, tiveram um desfalque com a pandemia, registrando perdas de um terço das matrículas em todo o país. As instituições de pequeno e médio porte, estão entre as mais afetadas.

A estimativa é baseada nos dados do Censo Escolar de 2018 e em pesquisa feita com mais de 1,2 mil escolas em todo o Brasil entre setembro de 2020 e março de 2021. Ao todo, estima-se que 2,7 milhões de estudantes tenham deixado as escolas privadas, o que representa 34% dos alunos dessas instituições de ensino.

Embora o cenário no Amazonas seja bem parecido, Laura Vital, vice-presidente do Sinepe-AM (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado do Amazonas) diz que entre as escolas associadas, observa-se uma melhora gradativa nos números de matrículas, inclusive por conta do retorno das aulas presenciais. Mas ainda não tem os números do cenário atual. 

Rede particular foi impactada pela pandemia e pequenas instituições sofreram mais
Foto: Divulgação

Segundo ela, para compensar as perdas o segmento tem adotado estratégias focadas nas propostas pedagógicas de cada instituição, seja no quesito de divulgação ou implementando um meio de flexibilizar os custos das mensalidades com valores acessíveis ou promocionais para recuperar. “Mas eu acredito que não seja uma recuperação imediata. Seria para médio a longo prazo”. 

Apesar da Justiça ter determinado a redução  de 20% nas mensalidades para 2021, medida que não é bem vista pelo Sindicato,  a crise foi bem maior e o cancelamento nos contratos foi inevitável. “A gente acredita que a crise foi muito forte. Muitas pessoas se estabilizaram financeiramente e a pandemia  atingiu como um todo. E como eu mencionei para recuperar é um projeto de médio a longo prazo para que as escolas retomem. Mas eu acredito que a cautela nesse momento dar um passo de cada vez seria o ideal. A gente está vivendo num momento de incertezas e não sabe o que vai aconrecer”, diz ela, ao lembrar que muitos especialistas têm alertado sobre a terceira onda da doença no Estado. 

No início do ano, uma pesquisa divulgada pelo Sinepe-AM, indicava que 100% das escolas constataram o cancelamentos de matrículas em suas unidades, destes, mais de 80% na educação infantil, o que representa a faixa etária entre 0 e 5 anos de idade. Ao menos 56,9% das instituições  não têm certeza do retorno dos alunos com matrículas canceladas. E 41,5% das instituições afirmaram ter mais de 20 cancelamentos por conta da pandemia de Covid-19.

É justamente essa fatia que concentra grande parte do mercado, que está entre as mais afetadas, escolas de pequeno e médio porte, com até 180 alunos. Elas chegaram a perder de 38% a 41% de suas matrículas, respectivamente, de acordo com o relatório do Grupo Rabbit. Já aquelas com mais de 550 alunos foram proporcionalmente menos prejudicadas, conseguindo reter cerca de 80% das matrículas.

Para o presidente da  Fenep (Federação Nacional das Escolas Particulares ), Ademar Batista, a pandemia foi acachapante para todos setores produtivos. “Acredito que houve uma perda de alunos, a crise é grande, as pessoas estão com dificuldade de pagar”.

Segundo Batista, no entanto, a Fenep acredita que as perdas foram menores do que a estimada no levantamento. Ele afirma que só se saberá ao certo quantos estudantes deixaram as escolas particulares com os dados do Censo Escolar 2020 e 2021. Segundo o presidente da Fenep, muitas das famílias, com a suspensão das aulas presenciais, sobretudo na educação infantil, retiraram as crianças das escolas particulares. Esses estudantes devem retornar, quando a situação melhorar.

“No ano passado, as escolas tiveram mais dificuldade, mas se estruturaram, se adaptaram, fizeram formações, contrataram plataformas [para ensino online]. Temos um protocolo seguro. As escolas estão estruturadas e os alunos estão aprendendo”, diz, Batista.

O Sinepe-AM, considera que a perspectiva de retomada do setor nesse momento de crise está alinhado com as propostas das associadas. “Eu acredito muito no trabalho das nossas associadas. Cada uma tem a sua proposta e isso é que faz com que a gente desenvolva um ótimo  trabalho em Manaus para que os pais se identifiquem com cada escola. Um processo de apresentação de  divulgação do trabalho da proposta pedagógica, o marketing das escolas, a precificação ao lado do contador, um bom atendimento eu acredito que são algumas ações que a gente pode elencar para que a gente tenha uma retomada nesse cenário de crise pro nosso setor”, destaca Laura Vital, vice-presidente do Sinepe-AM.

Retomada

O relatório mostra ainda que, desde o início deste ano, a procura por colégios particulares cresceu 88%. Essa busca, no entanto, ainda está aquém do registrado no cenário pré-pandêmico. De acordo com a consultoria, a procura agora é maior por escolas menores por fatores socioeconômicos, que fizeram com que muitas famílias reduzissem a renda na pandemia e por essas escolas serem mais acessíveis.

Enquanto colégios com mais de 500 alunos chegaram a um crescimento de 16%, as escolas com até 150 estudantes tiveram o dobro de crescimento da matrícula desde setembro do ano passado.

“Hoje, as escolas , inclusive as de educação infantil, se prepararam, seguindo os protocolos estaduais e municipais de saúde”, ressaltou o vice-presidente da Associação Brasileira de Educação Infantil (Asbrei), Frederico Venturini. O ensino infantil perdeu muitas matrículas, segundo ele, pela dificuldade de se adaptar ao ensino remoto. As crianças, nessa etapa, têm até 5 anos de idade e o ensino é voltado para a convivência e para o brincar.

“Foi um erro do país inteiro deixar as crianças afastadas da escola. O que estamos vendo agora é uma conscientização maior, inclusive das famílias, da necessidade desses alunos retornarem ao ambiente escolar”, defende, Venturini. De acordo com ele, as escolas estão usando estratégias como aulas em espaços externos para reduzir o risco de contágio pelo coronavírus, além do uso de máscaras, do distanciamento, da higienização e ensino híbrido – mesclando aulas presenciais e ensino remoto.

A inclusão de professores e trabalhadores em educação como grupo prioritário na vacinação é também um fator que anima o setor. Essa é uma das demandas de educadores e funcionários do setor público e privado para um retorno mais seguro às salas de aula.

Foto/Destaque: Divulgação

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