Escolas municipais de Manaus realizam ‘intercâmbio cultural on-line’ com outras cidades brasileiras

Em tempo de isolamento social, o estudante do ensino fundamental e morador do ramal do Brasileirinho de Manaus, Ruan Victor Campos, de 11 anos, teve a oportunidade de, pela primeira vez e por uma tela de um celular, conhecer e trocar conhecimentos com uma pessoa de fora do Estado. Assim como ele, outros 65 alunos municipais têm essa experiência assegurada pelo “Intercâmbio Cultural On-line”, promovido pela Prefeitura de Manaus. 

O projeto de intercâmbio é baseado nas ações do instituto Recriar e atende estudantes do Centro Integrado Municipal de Educação (Cime) Professor Doutor José Aldemir de Oliveira, no ramal do Brasileirinho, Distrito Industrial 2, zona Leste, e da escola municipal José Sobreira do Nascimento, localizada na comunidade Nossa Senhora de Fátima, zona ribeirinha de Manaus. De forma on-line, os alunos de Manaus trocam realidades, costumes e tradições, com os estudantes das escolas de Niterói (RJ) e de Osório (RS).

Segundo a secretária municipal de Educação, Kátia Schweickardt, o intuito do intercâmbio é promover a cultura local e fazer com que os alunos da rede municipal conheçam as diferenças regionais entre as cidades do Brasil. “É importante para esses estudantes ter conexão com outras localidades do país, pois isso dá a eles a oportunidade de começar a formar a bagagem cultural deles. É algo que acrescenta muito na educação e que vai ao encontro do que o prefeito Arthur Virgílio Neto nos orienta”, disse a secretária.

Ruan é aluno do 6° ano, do Cime José Aldemir, e morador do quilômetro três do ramal do Brasileirinho. Ele se mostrou empolgado com as videoconferências. “Com essa pandemia, estamos isolados, então eu não tenho com quem conversar, além da minha família. Estou ansioso para os próximos encontros, pois conheço outras pessoas, como elas falam e como é na cidade delas”, destacou o estudante.

“Além de ele conhecer um pouco da cultura, que é bem diferente daqui do Amazonas, ele pôde contar a realidade dele, os pontos turísticos que ele gosta e os alimentos que come. É legal que ele tenha essa conexão com pessoas da idade dele, de fora do nosso Estado”, disse a dona de casa Sílvia Lima, mãe do aluno Ruan.

Em outros anos, os alunos e professores montavam uma caixa com objetos que representavam a cidade e encaminhavam para a cidade com a qual realizavam o intercâmbio, o mesmo acontecia com a unidade que recebia os objetos. Em 2020, devido a paralisação das aulas presenciais, cada escola decidiu como o intercâmbio poderia ser realizado, respeitando, claro, o isolamento social, devido ao novo coronavírus.

No Cime, 41 estudantes do 6° ao 9° ano trocaram experiência com uma escola particular de Niterói, no Rio de Janeiro, que desenvolve também a modalidade de Educação Integral e Democrática. As unidades abordaram o tema “Variação Linguística”. De acordo com a gestora da unidade, Zilene Trovão, a conversa que aconteceu por videoconferência foi proveitosa, com assuntos baseados na pandemia, isolamento e até sobre o que cada um mais gosta de fazer na sua cidade.

“O primeiro intercâmbio foi muito interessante, os alunos conversaram sobre vários assuntos. O tema principal era pandemia e o isolamento, mas também procuraram saber o que cada um mais gosta de fazer na sua cidade, foi bem empolgante que muitos deles já disseram que vão estudar e trabalhar bastante para conhecer o Rio de Janeiro”, disse a diretora.

Olhar ribeirinho

Já na escola José Sobreira do Nascimento, o intercâmbio aconteceu com uma unidade municipal de Osório, no Rio Grande do Sul, e o tema escolhido foi “Olhares Isolados”, aproximadamente 25 alunos, do 4º ano do ensino fundamental, participam do projeto. Os alunos foram orientados pelo professor da turma a fotografar o que cada um enxergava da janela de casa, já que moram em uma área ribeirinha da cidade. As fotos serão selecionadas para um vídeo, que deve ser compartilhado entre os alunos das duas unidades.

“A foto da janela mostra o olhar dos nossos alunos que moram em uma área ribeirinha, a diferença entre eles e como estão na pandemia, o que cada um vive de acordo com a sua realidade”, explicou o professor da turma, Kelcimar Sabóia.

Segundo a coordenadora do projeto na Secretaria Municipal de Educação (Semed), Lucilene Pacheco Santos, a aceitação da equipe escolar em manter o intercâmbio no momento em que os alunos estudam em casa, prova que é possível manter a conexão entre estudantes e professores, mesmo a distância. 

“Fico muito feliz e parabenizo os professores e alunos que continuaram o projeto, isso prova que é possível manter ações realizadas pela secretaria, mesmo a distância. O intercâmbio é uma forma de os nossos alunos mostrarem para outros estudantes as nossas realidades, e eles também conhecerem realidades de cidades bem distantes de Manaus. Todos trocaram experiências com fotos, textos e conversas sobre o momento de isolamento que estão vivendo”, comentou a coordenadora.

Outra rodada das webconferências de intercâmbio está prevista para a primeira quinzena de julho.

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