Escola, espaço para transformação

Imposições maiores… das leis, referenciais, parâmetros, currículos, projetos, planejamentos… Imposições menores… dos olhares, dos gestos, das falas, das expectativas, da prestação de conta de sala de aula. Como é possível transformar um espaço que se encontra – perdido – totalmente capturado por discursos de controle e de asujeitamentos?
Ações medidas, confinadas num pensar entorpecido pelas práticas exatas dos receituários de palestras, congressos e assessorias de formação em educações-show. O espetáculo da educação está por todas as partes! A escola é prisioneira dos grandes ideais, dos grandes projetos, das grandes políticas. Esse espetáculo acontece justamente por termos medo de nos entregar ao estudo, de ler um livro de letras miúdas, por não querermos nos perder, sofrer instabilidades, desconcertos e incertezas. Facilitam a vida… mas empobrecem as relações. Profetas, magos, supereducadores estão por todas as partes afagando e acariciando as angústias e as cabeças dos tão sofridos professores. Professores precisam de estudo, não de consolo!

O que é preciso aprender na escola? O que um professor pode aprender em uma escola? Pergunta gostosa de ser respondida!
Professor precisa se espalhar por culturas. Freqüentar museus, cinemas, exposições, teatros, ficar em casa lendo livros, assistindo a filmes. Precisa conversar com companheiros de trabalho e não falar de trabalho, precisa ver a escola com olhares mais descolados das obrigações docentes. Precisa ser escutado, de corpo e alma. Precisa ter um espaço dentro de sua Escola para criar, desenhar, rabiscar, pintar, dançar, cantar, ouvir, se emocionar… Precisa de espaço para relacionar e criar conceitos. Precisa se afastar das representações de escola. Apagar a escola. Afastar-se dela para poder habitá-la.
A educação exige espaços. Espaços múltiplos, leves, livres, fora… Territórios de passagem e desapegados do tempo escolarizado. Os habitantes desses espaços podem circular por conceitos fechados, ampliá-los com outros conceitos, idéias, imagens, sons… Podem inverter palavras, podem desenhar idéias, podem abrir a visão para ver as coisas com os olhos de outros lugares, que parecem não lhes pertencer.

Para habitar esses espaços, não é preciso bagagem, somente se abrir para a criação. Não é preciso receitas prontas, planejamentos semanais, boletins, relatórios, avaliações diagnósticas, apostilas… Criação como possibilidade de invenção, de resistência. A criação não é apenas criar algo novo a partir do velho ou do que já existia. Quando se fala em autoria em sala de aula, fala-se de resistência. O poeta-inventor cria outros espaços: não determinados, espaços marotos. Espaços ágeis que escapam aos discursos hierárquicos da escola.
Criação e resistência como miragem. Imagens desfocadas do “fazer-pedagógico”. Imagens de paisagens educacionais que apenas alguns vêem. Imagens não projetadas, pois não podem ser focadas. Imagens geográficas…
Resistir em sala de aula quer dizer ir além do que o outro diz ou impõe como correto de ser feito-pensado. Resistir é criar outras possibilidades de entender os conteúdos fechados e prontos das metodologias do aprender. Resistir é se desapegar do futuro e do saber! Sim, do saber. Aquele templo montado em volta da escola que não permite ou admite erros ou escorregões. Não admite desculpas ou humildade. Não consegue andar sozinho, não admite solidão, sofrimento ou padecimento. Sabemos e conhecemos a pressão que os “saberes” nos colocam. Uma segurança – falsa – de estabilidade, de sucesso de futuro. Em escola, vive-se pouco o presente. Passado que acumula saberes e fazeres construindo futuros estares… Futuro não pode existir em escola. O que importa para a criação ou resistência é se preocupar com o hoje, o agora, o aqui. O agora importa porque é único, um presente das possibilidades, da multiplicação. Momento de surpresas, momento que provoca sons que ecoam. Momentos de experiência! Não podemos ter isso vivendo no futuro.

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