Claro que não existe uma fórmula mágica ou receitas prontas que garantam que as pessoas não errem em suas ações como líderes, menos ainda a ilusão de encontrar a forma certa que seja perfeita para todas as ocasiões, ou ainda, repetições que funcionem em cenários diferentes com pessoas diferentes, muito menos a certeza de que é possível eliminar todas as dificuldades e problemas e assim seguir mais confiante de que não vai cometer o mesmo erro após um aprendizado.

No entanto, percebo que existem erros na condução da liderança que estratégias de treinamento, coaching ou mentoria podem ajudar a eliminar ou minimizar, considerando que o líder em questão esteja disposto a gerar mais autoconhecimento e entender o impacto de seus comportamentos nos resultados, bem como de seus pensamentos e sentimentos em suas ações.

O ponto de partida é que todos nós cometemos falhas, temos muito para aprender e quanto mais formos humildes de reconhecer o que não sabemos ainda, ou que precisamos desaprender algo, mais rapidamente utilizaremos os erros alheios ou os nossos para crescer e evoluir.

Hoje vejo que o que mais preocupa os líderes no seu cotidiano profissional são os seus próprios erros, com a dificuldade de perceber que eles existem e que ao reconhecê-los é possível encontrar técnicas, ferramentas e modelos eficazes.

Percebo que os mais comuns ocorrem por falta de conhecimento, maus hábitos ou até mesmo, estresse. Pontos que perfeitamente podem ser identificados e eliminados em estratégias de desenvolvimento pessoal.

Certamente não será possível fazer uma lista de todos eles, mas alguns frequentes podem ser elencados para você avaliar a presença ou ausência deles em seu dia a dia:

– Falta de dedicação de tempo para criar laços com as pessoas. A ausência de vínculo paralisa os elos de confiança, abertura para mostrar as vulnerabilidades, espaço para discordâncias e tantas outras bases sólidas para relacionamentos a longo prazo. Muitos líderes não possuem agenda ou sistematização inicial para aprender a criar laços com sua equipe.

– Comunicação falha, ausente e as vezes até violenta. Permanecer calmo e tranquilo diante das adversidades para não agredir ou gerar uma fala carregada de sentimentos negativos. Deixar de transmitir de forma clara e transparente as informações. Ter pouca disponibilidade para entender o liderado de forma que saiba qual o melhor canal de comunicação com ele. Ausência de fala que promova reconhecimento, propague conhecimento e entendimento. São tantos os erros diários nos processos de comunicação que merece atenção por comprometer tão fortemente a liderança.

– Não saber delegar com agravante de dificuldades de comunicação. Como relatado acima, inúmeras são as barreiras e ruídos no processo de comunicação, dentre eles, ainda percebo ausência de habilidade em delegação. É preciso entender que delegar não é sinônimo de distanciamento emocional, o que muitas vezes gera o abandono da equipe. O delargar e não delegar. É preciso criar meios de comunicação, entendimento de maturidade e clareza do estágio da equipe para que sejam delegadas atribuições e responsabilidades compatíveis com o que o líder possui em termos de pessoas e processos.

– Não geram estratégias de desenvolvimento. Ainda temos muitas lideranças acreditando que gente é coisa de Recursos Humanos. Muitas vezes, os líderes focam exclusivamente nos processos e na realização dos objetivos organizacionais, pecando na ausência de ações para aprendizado, para formação das pessoas, para compartilhamento de saberes. Ser um líder treinador que começa a identificar talentos, montam estratégias de jogos para treinar cada pessoa e formar um time multidisciplinar, passa a ser um verdadeiro Coach, gerando resultados ainda melhores. Treinar não é uma opção, é uma obrigação do líder. 

– Não são adeptos ao feedback ou feedforward. Sabemos que muitas pessoas têm aversão ao feedback e carregam verdadeiros traumas. Os líderes de alto impacto conseguem transformar essa dor em alerta e dicas para que as pessoas aprendam com a própria história de forma construtiva. Podem ser hábeis em mostrar comportamentos e resultados positivos ou negativos para o crescimento de todos. Quando os líderes focam em formatos de feedback com julgamento, interpretação, baixa mobilização para exemplificar o esperado, ou sem objetivos, distanciam-se de gerar o desenvolvimento da equipe e o crescimento em resultados.

– Não dar importância para o emocional da equipe. Líderes que ignoram as emoções geradas por fatos negativos, acabam reduzindo – e muito – o engajamento de sua equipe. É possível melhorar muitos fatores ao se conscientizar destas emoções e demonstrar interesse verdadeiro nas experiências pessoais dos indivíduos. Dentro dos conceitos acerca dos elementos da inteligência emocional desenvolvida por Daniel Goleman, os líderes que não erram nesta direção passam a reconhecer que com um alto grau de autoconhecimento, autocontrole, motivação, empatia e habilidade social têm um desempenho em torno de 50% maior do que os outros.

A lista não acaba aqui, temos líderes que não reconhecem o propósito, outros com dificuldades de administrar conflitos, muitos são incapazes de promover ações que geram mudanças, tantos outros são administradores de tarefas e não líderes de pessoas. O mais importante é reconhecer as dificuldades, limitações, oportunidades de evoluir, entender que como comportamento é sempre possível o aprendizado e empenhar-se para tornar-se a sua melhor versão como líder. Vamos?

Quando vencemos os obstáculos, hábitos que nos fazem repetir esses erros ou nem reconhecê-los, conseguimos assumir esta melhor versão e com autenticidade e responsabilidade, gerar ainda mais valor para os liderados, empresa, clientes e todas as pessoas que aproveitarão nosso exemplo e referência. Pense nisto!!

*Cintia Lima é Psicóloga, Master Coach e Mentora [email protected] – 92 981004470

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