18 de abril de 2021

‘Erros custaram muitas vidas em escala mundial’, afirma Ricardo Nicolau

Embalado pelo êxito na gestão do combate à Covid-19 em Manaus, com a expertise desenvolvida pelo seu grupo privado de saúde, o deputado estadual Ricardo Nicolau foi confirmado nesta semana como pré-candidato à Prefeitura de Manaus pelo PSD. Ricardo Nicolau defende a saúde como prioritária para a capital e propõe a construção do primeiro hospital municipal, voltado exclusivamente para cirurgias. O deputado também aponta erros cometidos em escala mundial que foram replicados em muitos locais, inclusive no Amazonas que dificultaram o combate à pandemia do novo coronavírus. Ele avalia que a estratégia global do “fique em casa” foi um agravante para os problemas verificados. Leia a seguir a entrevista na íntegra.

Jornal do Commercio – Há algum tempo, o seu nome vem figurando entre os possíveis candidatos do PSD à Prefeitura de Manaus. Finalmente seu partido confirmou o seu nome como pré-candidato na disputa majoritária. Que fatores o movem a disputar este ano a eleição para a Prefeitura de Manaus?

Ricardo Nicolau – Creio que chegou a hora de colocar a minha experiência como gestor e como parlamentar à disposição da cidade de Manaus.  É totalmente possível fazer uma gestão de qualidade e diferente para o futuro da cidade. Eu já provei isso quando fui presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas e quando estive à frente do Hospital de Campanha Gilberto Novaes, durante o pico da pandemia na capital. Manaus tem muitos desafios a serem enfrentados, mas com gestão, um planejamento bem feito, com metas e estratégia, é possível construir um programa que seja viável e com soluções concretas para a cidade.

JCAM – O grupo Samel, cujas empresas são de sua família, protagonizou de forma positiva, inclusive como referência no tratamento contra o novo coronavírus durante o pico da pandemia da Covid-19 no Amazonas. Caso vença a eleição, o senhor, como filho de médico e com todo esse vínculo com questões ligadas à saúde, vê possibilidade de implementarem  Manaus, projetos novos para melhorar o serviço de saúde pública municipal. Quais seriam esses projetos?

Ricardo – O Grupo Samel poderia ter cuidado somente de seus pacientes com plano de saúde, mas a responsabilidade com a vida foi maior. Num momento tão difícil como uma pandemia, jamais deixaríamos de compartilhar, gratuitamente, com o poder público um protocolo clínico e uma tecnologia que sabíamos que daria certo no enfrentamento da Covid-19. O Hospital de Campanha Gilberto Novaes mostrou que é perfeitamente possível prestar um serviço de qualidade numa unidade pública de saúde.

Eu acredito que Manaus precisa ter seu primeiro hospital municipal, voltado exclusivamente para cirurgias. Além disso, é preciso ampliar os leitos de maternidade, que representam o maior deficit da cidade. Também é preciso aumentar a cobertura da saúde básica para 100%, tanto na parte médica como na odontológica, para contemplar os cidadãos que não têm plano de saúde particular. Tudo isso pode se tornar realidade, basta gestão.

JCAM – Durante o pico da pandemia, Manaus foi uma das cidades mais violentamente afetadas pelo novo coronavírus, inclusive com caos no sistema funerário. Como o senhor avalia as iniciativas do prefeito naquele período. O que o senhor faria que o prefeito não fez?

Ricardo – O Amazonas, assim como o restante do país, teve muitos erros no combate ao novo coronavírus. Eu sempre digo que o enfrentamento da Covid-19 se dá em três fases: isolamento social, diagnóstico precoce e acompanhamento médico para evitar a hospitalização. O Amazonas falhou em todas.

Outro agravante foi a estratégia global do “fique em casa”, que orientava as pessoas a procurarem uma unidade de saúde somente quando apresentassem sintomas severos, como falta de ar. Toda doença, quando diagnosticada no início, começa a ser tratada precocemente, porque isso aumenta as chances de sucesso do tratamento. Por que com a Covid-19 isso seria diferente? Houve, também, a recomendação da OMS de fazer a intubação orotraqueal precoce do paciente. Foram dois erros, em nível mundial, que custaram muitas vidas. 

Felizmente, nós, do Grupo Samel, optamos por seguir o caminho contrário a tudo isso. E, três meses depois, tanto a OMS quanto o Ministério da Saúde mudaram suas estratégias de combate à pandemia, comprovando que os métodos da Samel –de tratamento precoce e de uso da Ventilação Não Invasiva –sempre foram os corretos.

A Covid-19 era uma doença até então desconhecida da comunidade científica. O Amazonas poderia, sim, ter se preparado melhor, porque se já estavam acontecendo tantos casos na China e na Europa, no início do ano, uma hora iria chegar por aqui. Então, foi falta de planejamento também.

JCAM – Quais seus planos para minimizar a poluição ou despoluir os igarapés que cortam Manaus?

Ricardo – A despoluição dos igarapés é um problema de saneamento básico. Manaus não é coberta por uma rede bem estruturada de captação e tratamento de efluentes e, com isso, nossos igarapés acabam virando depósito de dejetos. O primeiro passo é evitar que isso aconteça.

Manaus teve um trabalho de reurbanização muito importante, que foi o Prosamim. Entretanto, não foi feita a rede de esgoto necessária que mantivesse os igarapés limpos.

O mais importante, hoje, é criar uma rede de saneamento para quando houver o despejo dos dejetos, eles estejam em condições de não poluir os igarapés. Depois, será possível pensar na despoluição gradativa, com ajuda da tecnologia disponível.

 JCAM – Qual será o grande diferencial em uma eventual gestão sua, em relação à gestões dos prefeitos anteriores?

Ricardo – Estamos de fato trabalhando pra fazer diferente pela cidade. Estamos dispostos a construir um plano com soluções viáveis e concretas que resolvam os reais problemas da cidade. Manaus tem muitos desafios, no âmbito da saúde, educação, segurança, mobilidade urbana, mas principalmente na reestruturação econômica, para garantir os empregos necessários. Muitos desses problemas podem ser resolvidos com alternativas simples, porém eficazes. 

Uma das nossas prioridades será cortar o custeio para sobrar dinheiro para novos investimentos. Iremos trabalhar muito para uma cidade melhor, porque Manaus precisa e merece. O PSD não vai abrir mão na formação de alianças de buscar parceiros que pensem dessa mesma forma. Não irei abrir mão desse princípio, que é de reunir pessoas que pensem como o PSD, que quer o melhor e fazer diferente por Manaus. 

JCAM – Quais seus projetos para mobilidade urbana? Quais interferências se podem fazer no trânsito de Manaus com objetivo de diminuir os congestionamentos? Quais seus projetos para melhorar o transporte coletivo urbano?

Ricardo –  A mobilidade urbana é um dos maiores gargalos de Manaus, que precisa tanto de intervenções complexas como, também, de medidas simples. Entre essas alternativas, podemos citar uma simples sincronização de sinais, a construção de novas alças de retorno, direitas livres e a reavaliação da Faixa Azul. O transporte coletivo urbano também precisa receber melhores condições, aumentando inclusive o quilômetro rodado dos veículos para o trânsito fluir melhor.

JCAM – Quais seus projetos para educação municipal?

Ricardo – Iremos continuar o que deu certo, como os Cimes (Centros Integrados Municipais de Ensinos), além de substituir a enorme quantidade de escolas em prédios alugados por complexos escolares que reúnam desde a pré-escola até o ensino médio em único espaço. Isso possibilitará uma economia significativa de logística e de espaço, trazendo melhores condições para alunos, pais e profissionais da educação. Manaus também precisa de um novo programa pedagógico, modernizar o Bolsa Universidade e utilizar o espaço físico das escolas, no período noturno, para cursos de capacitação.

 JCAM – Quais seus projetos de urbanismo e paisagismo para Manaus?

Ricardo – Nessa questão, há uma contradição muito grande em Manaus, que está no meio da floresta amazônica e é uma das cidades que menos tem árvores e urbanismo. Sendo uma cidade que possui altas temperaturas, Manaus precisa de um planejamento eficaz, no qual possamos trabalhar com plantas nativas da região, que cumpram a função de recuperar a parte urbanística, mas que também tragam beleza para a nossa cidade. 

Precisamos fazer uma reformulação do paisagismo tanto em áreas públicas, como nos bairros e nas casas, promovendo incentivos nesse sentido. Temos um potencial muito grande e precisamos trabalhá-lo.

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