Entrevista com o Superintendente da Suframa

Com a firmeza de um comandante-em-chefe e a euforia de quem veio para “fazer o que tem que ser feito”, o amazonense Alfredo Menezes, um coronel obstinado pela qualificação acadêmica e realizações objetivas em favor da Amazônia, recebeu a Coluna Follow-up para compartilhar seus propósitos pós-pandemia. Ideias, iniciativas e fatos em andamento se misturam. A Suframa tem propostas e pressa. Seu titular conseguiu driblar os embargos de gaveta do PPB, os Processos Produtivos Básicos, o outrora inferno burocrático dos investidores e criou, enfim, o Marco Regulatório que agiliza e facilita a atração de investimentos. Para isso, os pilares de sustentação dos Polos da Indústria da Saúde e da Bioindústria já estão alocados. De resto, a porta está aberta para atrair investidores e conversar com as empresas e suas entidades. Quem tiver projetos e compromissos será sempre bem-vindo! Confira…

1. FOLLOW-UP: Pensando em pós-pandemia, e considerando que um dos principais gargalos do Polo Industrial de Manaus é exatamente a dependência da cadeia global (asiática!!) de suprimentos, como melhorar o ambiente de negócios para atrair alguns desses fabricantes para Manaus?

Cel. ALFREDO MENEZES: Carece de sentido gerar emprego em outros países enquanto fazemos tanto esforço para superar essa taxa preocupante de desemprego no Brasil. Já estávamos trabalhando com o Ministério das Relações Exteriores e com a APEX desde a viagem do presidente Bolsonaro aos países asiáticos e a Israel no ano passado, onde a Suframa teve assento diferenciado nas conversas e negociações. Temos no presidente um aliado importante para nossa região. Ele orientou o pessoal do MRE e APEX para, durante a Missão à Ásia e Oriente Médio a priorizar a ZFM. E como vocês sabem a Apex trabalha em três níveis: exportação, atração de investimentos e internacionalização das empresas brasileiras. Com a Pandemia essas tarefas ganharam mais relevância e emergência, afinal 95% de dependência da cadeia global de suprimentos nunca mais. A nosso favor tem muita boa-vontade por parte do gabinete da Presidência, e dos ministros que conhecem nosso perfil e nossas demandas.

2. FUP: Pelo visto as janelas de oportunidades começam a se abrir em nossa direção. E quais são as iniciativas da Suframa para encarar esse desafio?

CAM: Há uma onda mundial de descontentamento com a dependência asiática e nós já iniciamos tratativas com empresas americanas e japonesas, pois são parceiros de longa data que já anunciaram a decisão de retirar da China seus investidores. Com isso desenhamos um Plank Pós-Pandemia para organizar isso que chamamos de nossa grande chance. Já iniciamos com as negociações, sempre com apoio direto da APEX, para instalação da Cal-Comp de Taiwan, no Polo Industrial de Manaus. Nosso foco serão as Câmaras de Comércio e nossa obrigação é trabalhar em conjunto. Efetivamente, estamos identificando com todos os que estão olhando na mesma direção do desenvolvimento integral do Amazonas e da Amazônia Ocidental, além do Amapá. Criamos, a propósito, uma Coordenadoria de Inteligência Estratégica justamente para adensar nossa interlocução com as empresas e as entidades locais. Já estamos operando uma interação por meio de pesquisas para sistematizar sugestões, críticas e apoios.

3. FUP: Antes de sua gestão, os investidores eram mal tratados ao desembarcar no Amazonas, sendo obrigados a viajar para Brasília para submeter-se à vontade imperial do GT PPB. Como assegurar essa rotina de análise e liberação dos Processos no âmbito do CAS?

CAM: Estamos avançando para resgatar esse direito. Aliás, afirmar esse direito pois o embargo é crônico. Colocaram um guizo no pescoço da Suframa para engavetar nossos projetos de PPB. Temos que enfrentar o apetite Industrial do Golias chamado Sudeste, onde temos 30% das empresas industriais do país. E eles querem mais. Nossa tarefa é ciscar para dentro, como se diz no interior. E temos feito isso. Neste momento, temos debatido com as empresas do setor de plásticos e de duas rodas. Quem tiver projetos e compromissos será sempre bem-vindo. Nós não temos ou não tínhamos noção de nossa capacidade produtiva e criativa. Veja o caso dos respiradores. Temos o principal, a inteligência inovadora de nossos jovens. Os equipamentos é 40% plástico e nosso parque tecnológico neste setor é imbatível. 40% fica por conta da indústria de split, que é top, e 20% da Mecatrônica que é o suporte da inovação, do nosso Senai e dos recursos de P&D&I. Por que impor qualquer óbice para produzir partes e produto final de respiradores no PIM?

4. FUP: Então, o Conselho de Administração da Suframa passa a ser o lócus de decisão para aprovar PPB?

CAM: Nessa quarentena tivemos bastante tempo para mediar sobre esta questão tão crucial. Já demos passos firmes nesta direção e mexemos com gente muito poderosa, com muitos interesses. Publicamos e recomendamos a leitura da Resolução CAS Nº 204 DE 06/08/2019. Este é o Marco Regulatório do PPB, uma conquista da Suframa, ao trazer para seu Conselho esta atribuição estribada num aparato jurídico. Aqui já estão os primeiros indícios deste novo tempo. Aprovação rápida para empresas que precisam importar anualmente até US$ 24 milhões. De forma republicana conseguimos manter o prazo de até 120 dias que a Suframa tinha para se manifestar. Em muitos casos, este prazo passou para 60 dias. Isso soa como música para empresários que padeceram com as Luminárias de LED. O PPB de Luminária LED estava há mais de doze anos sem solução no âmbito do GT-PPB. Criamos Grupo Decisório (GD) do GT-PPB, instância composta pelo superintendente da Suframa, e secretários dos ministérios da Economia e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que só se reúne quando não há consenso sobre a aprovação. O assunto será sempre tratado em Manaus.

5. FUP: E quais são os itens já definidos para atração de investimentos para o Polo Industrial de Manaus?

CAM: Já me adiantei com o exemplo dos respiradores. Temos tudo para incluir este item emblemático para abrir o Polo Industrial da Saúde, que já vai começar com outros tantos artefatos médicos como EPIs e, quem sabe, expandir para a produção de equipamentos com tecnologia de ponta. Já direcionamos recursos de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a linha de produtos médicos que nos levou ao desespero com a falência do fornecimento para atender as demandas da Pandemia no Amazonas. Além disso, já estamos direcionando o CBA para adensar o Polo de Biomedicina, Fármaco-química, Antígenos, testes de controle, e todos os produtos originários de nossa biodiversidade com possibilidades de responder as demandas da Humanidade. Temos muito ainda a contar para seus leitores, até a próxima.

* Coronel Alfredo Menezes é doutor em Planejamento e Superintendente da Zona Franca de Manaus

*Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

Fonte: Cieam

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