Entrevista com o Superintendente da Suframa

Se o assunto é Amazônia, teses de qualificação acadêmica e pesquisas de opinião levadas a efeito junto às populações da Amazônia, colocam os militares como a presença mais benfazeja entre as instituições e organizações que atuam na região. Do ponto de vista constitucional, aqui os fardados cumprem, com vivência e muitos estudos, o papel de guardiões do território amazônico, com braço forte e mão amiga. Ocupação, desenvolvimento e soberania. Ao incluir o programa ZFM como fator de soberania brasileira sobre a Amazônia, as Forças Armadas, sob orientação de seu comandante maior, o presidente da República, Jair Bolsonaro, reafirmam a importância estratégica e civilizatória da presença empresarial como fator de promoção do desenvolvimento sustentável e de prosperidade social. Ou seja, a melhor forma de proteger um patrimônio natural é dar-lhe uma função socioeconômica, diz nosso entrevistado de hoje, mais uma vez, Cel. Alfredo Menezes, superintendente da Suframa. Confira!

1. FOLLOW-UP: Sua iniciativa de instalação do Polo Industrial da Saúde se tornou a boa notícia que todos esperam neste momento angústia da pandemia. O termômetro foi a repercussão dos comentários anotados e compartilhado nas redes sociais. Uma reação de apoio e expectativas com a ideia que já saiu do papel. Quais são os próximos passos dessa empreitada ?

Cel. ALFREDO MENEZES: A ideia do Polo da Saúde, uma obviedade gritante diante de nossa dependência do mercado asiático de produtos hospitalares, se insere num conjunto de iniciativas que já estão em curso para adensar nossa planta industrial, diversificar e encorpar nossa capacidade instalada. Nós só iremos justificar o papel estratégico da ZFM se fizermos isso. Quando o presidente Bolsonaro se manifesta sobre este programa- “A ZFM é um símbolo. É uma garantia que, enquanto ela existir, a Amazônia é do Brasil”. Este alerta é também uma advertência e uma responsabilidade, pois está associando  desenvolvimento integrado como instrumento de posse sobre a Amazônia e tenho certeza que o Brasil espera de nós exatamente isso. Estamos fazendo nossa parte como Suframa e, com as iniciativas de produção local dos EPIs nesta epidemia, a indústria fez a sua. Agora é só avançar. Remando firme na mesma direção, não tem como não dar certo. Sem esquecer que a melhor forma de proteger nosso patrimônio natural amazônico é dar-lhe uma atribuição socioeconômica.

2. FUP: O maior impacto dessa informação se deu no âmbito das entidades de classe. Polo de Saúde é mais empregos, mais oportunidades de negócios, mais autonomia em relação à cadeia global de suprimentos, entre outros avanços. Que medidas adicionais estão previstas, além da flexibilização dos PPBs, suporte biotecnológico do CBA e das verbas de P&D?

CAM: O desafio de avançar na direção da maior autonomia produtiva do Polo Industrial sempre ocorreu mais lento do que o desejável. Infelizmente, houve uma acomodação local e muito embargo no âmbito federal, onde nossa economia perdia quase todas as batalhas para os emissários de regiões mais ricas. Temos que aproveitar a mudança que já conquistamos até aqui. Apesar de tudo, temos avançado. O Polo Industrial de Manaus tem dado lições de seriedade como setor produtivo. Hoje é mais seguro ir trabalhar do que ficar em casa para se proteger. 70% das Indústrias mantiveram suas atividades com um protocolo invejável de proteção ao trabalhador. Isso é digno de aplausos. Precisamos mostrar isso ao Brasil. E o que mais alvissareiro: o desempenho da indústria de janeiro a abril cresceu 10,8% em relação ao mesmo quadrimestre de 2019. Temos que ter mais programas e mais projetos que agreguem valor e visibilidade ao papel estratégico da ZFM. Isso nos empurra a pensar grande como um hub de grandes negócios.

3. FUP: Em que medida, revitalizar e investir no Distrito Agropecuário da Suframa tem relação com o Polo Industrial da Saúde?

CAM: Saúde, em nosso ponto de vista voltado ao interesse regional, ganha um sentido mais amplo quando incluímos as potencialidades do Distrito Agropecuário da Suframa. Neste mês, fizemos o Edital de chamamento aos interessados em adquirir lotes com valores simbólicos mediante projetos de geração de empregos e de produção agrícola e agroindustrial. Teremos, por exemplo, as condições para o plantio de alimentos para os 100 mil colaboradores, mas também podemos cultivar espécies como a seringueira para atender as demandas de látex das indústrias aqui instaladas e espécies fitoterápicos para indústria farmacêutica ou dermocosméticos. A economia precisa ter um caráter circular e sustentável. Alimento e medicamentos com espécies regionais significam saúde, item escasso no perfil sanitário da população.

4. FUP: Mas isso exigiria um planejamento estratégico e uma mudança dos paradigmas gerenciais aqui adotados?

CAM: Isso já está previsto no papel. Quando os militares decretaram este formato de desenvolvimento regional, há mais de 50 anos, as bases foram lançadas a partir de muito estudo e muita competência técnica. As mudanças que o tempo estabelece não afetaram a grandiosidade deste programa. Infelizmente ele foi esfacelado na hora de sua implementação. Por isso, nosso Parque Tecnológico não evoluiu como poderia, acompanhando a inovação que o mundo adotou. Avançamos, sim, mas aquém de nossas possibilidades e da diversidade imensa de nosso patrimônio natural. Mas ainda está em tempo de diversificar, adensar e regionalizar o desenvolvimento. O nome disso é assegurar a soberania brasileira sobre a Amazônia.

5. FUP: Direcionar as verbas de P&D&I para inovação tecnológica na área da Saúde significa um movimento muito esperado pela sociedade sobre a aplicação na região da riqueza gerada na região, visando reduzir as desigualdades regionais. Esses recursos foram historicamente desviados para outros fins. Como você interpreta e planeja reduzir essa distorção?

CAM: As verbas recolhidas pelas empresas de Informática, para as quais já priorizamos a questão da saúde, além de verbas das taxas da Suframa que foram consignadas para propósitos diferentes daqueles que a Constituição estabelece, precisam ser objeto de uma revisão. Concordo que a riqueza aqui gerada tem que ser aplicada. Precisamos do apoio das entidades, dos órgãos públicos, da imprensa e da representação parlamentar na Amazônia Ocidental e Estado do Amapá. A propósito, a Suframa vai começar a monitorar esses recursos. O cidadão e suas famílias têm que ser o alvo desses recursos. Por isso, está em andamento um programa de gestão e acompanhamento da aplicação e dos impactos que estes recursos provocam. “Follow the money”, isto significa apoiar, acompanhar e aferir resultados em benefícios para a sociedade. Com esse mesmo espírito, publicamos Nota Técnica nesta semana sobre o “Novo mercado do gás”, outra boa notícia para a indústria. Este é um recurso natural do Amazonas e a prioridade são os amazonenses em sua aplicação.

*Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

Fonte: Cieam

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