Entrevista com o secretário de Cultura, Marcos Apolo

As atividades artísticas foram as primeiras a sentir os impactos do isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus, com shows, apresentações, peças e eventos adiados, ou cancelados, e talvez sejam as últimas a voltar à normalidade, se é que a normalidade voltará a ser como antes, por isso desde o primeiro momento a SEC (Secretaria de Cultura e Economia Criativa) tem se desdobrado para dar atenção tanto aos artistas que ficaram desamparados financeiramente quanto à não paralisação da arte, conforme falou ao JC o secretário de Cultura Marcos Apolo Muniz.

Jornal do Commercio: Quanto, em dinheiro, a SEC disponibilizou para os artistas nesse período de isolamento social?

Marcos Apolo: Com a suspensão de eventos e do fechamento dos espaços culturais, o Governo do Amazonas, por meio da SEC, lançou o edital ‘Fica na Rede, Maninho’ para minimizar o impacto no cenário cultural, um dos primeiros afetados pela pandemia do coronavírus. A iniciativa, que visa estimular a difusão de produções artísticas e de ações de capacitação durante o isolamento social, selecionará até 300 propostas. Cada projeto receberá R$ 1 mil. O edital foi aberto para pessoas jurídicas e físicas, maiores de 18 anos, que puderam inscrever até três propostas, uma em cada lote.

JC: Desde então, o ‘Fica na Rede, Maninho’ já atendeu a quantos artistas?

MA: Foram selecionados 290 projetos. Entre as propostas aprovadas estão 52 de ações formativas, 52 de artes cênicas, 13 de artes visuais, 66 de audiovisual, 31 de literatura e 76 de música. Os vídeos contemplados no edital são exibidos no Facebook e Instagram da SEC. Também são disponibilizados no Portal da Cultura (cultura.am.gov.br) e aplicativo Cultura.AM. Na TV Encontro das Águas, o programa #FicaNaRedeManinho é exibido aos domingos, às 17h, com reprise às quartas-feiras, às 19h30. Já as obras literárias, cujos projetos forem selecionados, serão disponibilizadas na Biblioteca Virtual do Amazonas.

JC: Apareceu muita gente nova no mundo das artes se inscrevendo nesses editais?

MA: O edital teve 791 projetos inscritos e 290 contemplados nos três lotes. Deste total, 150 contemplados não tinham cadastro ativo na Secretaria.

JC: Na ‘Agenda Virtual’ o pessoal que mais apareceu foi o da música, mas existem várias outras categorias que poderiam ter mostrado seus trabalhos, como poetas, palhaços, humoristas, performers, e não o fizeram.

MA: A ‘Agenda Virtual’ foi lançada para que artistas e produtores culturais possam divulgar as apresentações realizadas nas redes sociais. Estes profissionais precisam se reinventar no período de isolamento social e nós queremos somar com eles, com ferramentas para ampliar a sua visibilidade. A ‘Agenda Virtual’ faz parte da campanha ‘Cultura Sem Sair de Casa’. Para incluir um evento no calendário, basta fazer o cadastro, com informações como nome do evento, data, hora, link ou perfil onde será realizado, classificação indicativa, breve descrição e uma foto (flyer de divulgação ou foto do artista). A programação é divulgada nas redes sociais da SEC. Além de fazer o cadastro direto no Portal da Cultura, toda semana, a equipe da Secretaria faz contato com artistas e produtores para levantar a programação de lives. Estamos nesta articulação para ampliar o alcance das opções apresentadas pelos profissionais e trabalhando conforme a diversidade de perfis, para que o Portal da Cultura seja uma referência em serviços. É importante ressaltar que a ‘Agenda Virtual’ está disponível para todos.

JC: A SEC também promoveu o recebimento de doações de alimentos para artistas. Quantos quilos já arrecadou até agora e quantos artistas receberam estas cestas?

MA: O Teatro Amazonas está com as portas abertas para receber doações de empresas do setor privado e voluntários individuais, destinadas à artistas em situação de vulnerabilidade. As entregas podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, no sistema de drive-thru. A ação faz parte da campanha ‘Amazonas Solidário’, do Governo do Amazonas. Além desta campanha’, a Secretaria apoia iniciativas de diversos artistas como a ‘Alimente Nossa Arte’, recebendo as doações no Teatro Amazonas, e ainda tem as lives solidárias com arrecadação de donativos. Só vamos ter um levantamento de arrecadação e artistas beneficiados no final das campanhas.

JC: Qual foi a categoria artística que mais sentiu o impacto da falta de público?

MA: Um estudo sobre o impacto da covid-19 na produção cultural e criativa no Amazonas é realizado pela SEC. A coleta de dados é feita através de questionários on-line disponibilizados no Portal da Cultura e o estudo abrange três fases: a primeira destinada aos artistas e profissionais da cultura, de forma a tentar prospectar a realidade deles durante essa pandemia; a segunda fase direcionada aos órgãos e gestores públicos estaduais e municipais, para saber como foram afetados; e a terceira destinada àqueles profissionais que fazem parte da cadeia criativa, mas que não estão ligados diretamente ao fazer da arte. Após a análise dos resultados, os dados obtidos irão auxiliar na busca por decisões mais eficientes para enfrentar a crise na cadeia da economia e cultura criativa pós pandemia.

JC: Que lições podem ser tiradas a partir dessa situação de pandemia?

MA: Na cadeia produtiva da cultura e economia criativa o impacto não tem precedentes. Mas está sendo um grande aprendizado, pois destacou a importância da cultura e deu uma ressignificação às artes. No momento que fomos privados da vida em sociedade, a cultura e as artes conseguiram dar equilíbrio e mais leveza no dia a dia: as pessoas estão conseguindo ler mais livros, têm mais tempo para assistir a filmes, séries, documentários; ouvem mais música. As ações da SEC também tiveram esse restart. Ficamos mais presentes nas mídias digitais. O que já fazíamos para divulgação das nossas ações e eventos, agora se expandiu e preparamos conteúdos para entreter, para dar mais visibilidade aos artistas, para aliviar as tensões do dia a dia, para que as pessoas possam aprender coisas novas. Na campanha ‘Cultura sem Sair de Casa’, por exemplo, disponibilizamos gratuitamente centenas de conteúdos, para diversos públicos: desde atividades para crianças, como a ‘Gincana do Livro’ e obras de arte para colorir, passando por visitas guiadas em 360 graus aos nossos espaços, documentários, cursos completos de desenho, violão e teclado; até o programa ‘Fica na Rede Maninho’, com os vídeos selecionados no edital.

Fonte: Evaldo Ferreira

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