3 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Entraves freiam produção na indústria de cervejas artesanais

Apesar do sentimento de reaquecimento da economia, o impacto da inflação, aumento do dólar, alta nos valores dos insumos e a escassez no frete têm freado o crescimento da indústria de cervejas artesanais. Situação observada por empresários do segmento no Amazonas. Alguns equalizam e ainda carregam efeitos deixados por decretos e lockdowns em razão da pandemia. Em dezembro do ano passado o cenário demonstrava retomada, conforme os números apresentados pelo Censo publicado pelo Sebrae, em parceria com a Abracerva (Associação Brasileira de Cerveja Artesanal).

No estudo, apontava-se otimismo dos fabricantes de cervejas artesanais após o cenário de crise impactado pela pandemia. Em números, para 62% dos empresários a expectativa é que o faturamento de seus negócios seja melhor em 2021, comparado a 2019. A percepção de 28% era que os resultados se manteriam iguais.  Apenas 4% consideram que seria pior. 

Bruno César da Silva, empresário do setor e proprietário da Cervejaria Rio Negro no Amazonas, disse que o aumento do dólar e a inflação deixaram as cervejarias artesanais numa situação difícil. “O nosso lucro caiu.  Inflação da energia e insumos junto com o dólar alto fizeram nossos custos aumentarem. E até agora não conseguimos repassar aos bares e restaurantes”, descreveu o cenário. 

Na mesma proporção que os players que fazem parte da cadeia dos pequenos negócios de cerveja artesanal aumentaram as suas vendas, muitos não suportaram a crise e fecharam as portas em definitivo. “Nos meus pontos de vendas com foco em chopp cresceu em 30%, mas na fábrica houve queda de 10% na produção. A gente tinha mais de cem pontos pequenos instalados e agora estamos com a metade disso. A indústria está com a venda abaixo do que tínhamos em 2019. No varejo estamos com venda bem maior”. 

Bruno reiterou que no mundo todo tem tido problemas de inflação, abastecimento, pioras sociais assim como no Brasil, mas, ainda dentro do panorama adverso, tem recebido visitas de novos investidores no mercado. Novos bares, novos restaurantes. “Eu, por exemplo, estou investindo em uma nova operação no ramo de bares e restaurantes e pretendo gerar 13 empregos diretos. O que deve ajudar a aumentar a venda da cervejaria”. 

A retomada era vista como um fôlego, mas o mercado vem patinando. “Eu acredito que mudou o hábito de consumo. Não somos competitivos em garrafas, por exemplo. Somos fortes em chopp. Hoje o delivery aumentou muito. Latas e garrafas comerciais saem na frente falando em preço, por exemplo”. 

Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva, citou sobre alguns dos importantes desafios do setor que já existiam antes da pandemia, como a alta carga tributária, não acabaram. “Por outro lado, algumas lições deste período como a importância do e-commerce e as vendas em embalagem PET ficaram e podem ajudar as cervejarias artesanais nesta recuperação. A recuperação tem sido lenta mas gradual, não muito diferente da economia de modo geral, que sofre com a redução da renda e o desemprego ainda alto. Mas, de modo geral, o mercado das artesanais ainda tem muito para crescer, se compararmos com mercados mais maduros como os Estados Unidos”, comentou ele. 

O mestre cervejeiro, Herbert Pires, proprietário da Cervejaria Mahy, afirmou que o segmento tem sido afetado por conta da alta no valor dos insumos e que não conseguem repassar para o mercado na mesma velocidade que se paga. “Como a gente está no Amazonas, o frete pesa bastante e consequentemente os insumos ficam mais caros. Além disso, a gente está com escassez em relação a dificuldade de frete”. 

No que diz respeito a demanda ele considera que tem se mantido. “O nosso bar que não abrimos em virtude da pandemia por ser um espaço pequeno e decidimos não abrir esse canal de venda. E agora a gente vai está reabrindo. Então, após esses dois anos, vamos reabrir. A gente acredita que volte a ter a frequência que tinha antes, ou seja, o impacto da venda direta foi só nesse sentido”. 

Potencial de mercado

Em 2019, o setor registrava números consideráveis de crescimento no país. Dados do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), apontavam que em 2010,  o mercado de cervejas artesanais representava 0,7% da produção nacional. Em 2019,  elas já somam 1,2%. Até 2018, houve um crescimento de 23% no número de cervejarias artesanais no país. Conforme os dados, na época, na região Norte havia 26 fabricantes de cervejas com essa proposta.

Naquela ocasião, o proprietário da Cervejaria Rio Negro,  Bruno Silva, concordou que o mercado seguia em expansão. Fator que fez, inclusive, a cachaçaria ampliar a frota de veículos em duas vans 0km e quatro tanques de fermentação. Um deles de 20 mil litros e dois de mil litros. Esses de mil litros é pensando em atender as cervejarias ciganas. ((cervejarias que não tem planta própria ou espaço para crescer e fazem suas cervejas em outra cervejaria). “Os novos negócios como bares e até uma escola especializada no assunto são prova do aumento do interesse e do mercado de cervejas artesanais”, disse ele à época. 

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