Entidades discutem oportunidade a deficientes

A inclusão definitiva de dois mil portadores de deficiência no quadro pessoal de diversos setores da economia foi a meta discutida para 2009 por representantes do Mec (Ministério da Educação) e Procuradoria Geral do Trabalho. A reunião, cujo objetivo foi conquistar a parceria dos sindicatos, empresários e instituições de ensino técnico, ocorreu no auditório da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e contou com a participação de diversos segmentos da sociedade pública e privada do Estado.
A diretora de políticas de educação especial do Mec, Cláudia Maffini Gribosk, disse que as barreiras para a inclusão de deficientes no Amazonas no quadro pessoal talvez sejam mais culturais que necessariamente resultantes de problemas efetivos da empresa. Na análise da executiva, como os deficientes estiveram segregados durante muito tempo, a sociedade acabou por reforçar seus preconceitos, se acostumando a mantê-los sempre isolados e marginalizados. “De acordo com as estimativas atuais, existem no Brasil cerca de 24 milhões de pessoas portadoras de deficiências. Como será que conseguimos manter, por tanto tempo, tantas pessoas à margem da sociedade, sem acesso à educação, a emprego e ao consumo?”, questionou.

Papel decisivo

Lembrando a lei federal de cotas 8.213/91, a qual exige que toda empresa com quadro efetivo de 100 a 200 funcionários destine 2% às pessoas com deficiência, Cláudia Gribosk afirmou que o papel das empresas, enquanto geradoras de emprego, será decisivo. “É claro que a empresa precisará de algumas adaptações para receber estas pessoas, como instalações de rampas, de banheiros adaptados para cadeiras de rodas, de sinais sonoros e instruções em braille para deficientes visuais”, apontou.
Para o empresário Gerson Sato, a inclusão de deficientes no mercado de trabalho ainda é considerada abaixo da média de outras regiões, porque no geral esse público não possui qualificação técnica ou acadêmica. Diretor de recursos humanos de uma empresa japonesa, Sato criticou a lei de cotas que força as empresas do distrito industrial a empregarem operários despreparados apenas para atender a uma legislação trabalhista. “É notório que as empresas somente a duras penas encontram um portador de necessidades especiais com um mínimo de conhecimento. A maioria tem apenas o ensino fundamental por já estar acomodada com o benefício do assistencialismo social”, ressaltou.

Para Adefa, Lei de Cotas no PIM é insuficiente

Mas no contraponto dessa opinião, o presidente da Adefa (Associação dos Deficientes Físicos do Amazonas), Isaac Gomes Benayon, disse que a Lei de Cotas para inclusão dos portadores de deficiência na indústria e comércio, embora seja oportuna, não é a ideal, pois contempla somente pequenos segmentos em detrimento a maioria dos candidatos ao emprego. O dirigente frisou que as indústrias do pólo industrial geralmente exigem apenas o ensino médio completo e informática em nível de usuário, o que deita por terra a afirmação de uma carência de mão-de-obra especializada. “Dizer que a parca inclusão de portadores de deficiência, atualmente, é por falta de qualificação é uma afirmativa muito simplista que contribui para dificultar ainda mais o acesso ao meio produtivo”, rebateu.
Segundo o coordenador do Projeto Curupira para pessoas com deficiência e professor do Cefet-Amazonas, Dalmir Pacheco, de fato, a maioria dos portadores de deficiência não tem qualificação para assumir um posto digno de trabalho. Além do comodismo, o professor elencou a falta de políticas de conscientização e o assistencialismo como influenciadores do despreparo dessa faixa de público. “As empresas se queixam da falta de mão-de-obra qualificada com razão, e os números deixam claro isso. Cerca de 250 mil pessoas em Manaus são portadoras de algum tipo de deficiência, dessas menos de 1% tem algum conhecimento técnico”, destacou.
Dalmir disse ainda que as maiores adaptações, no entanto, estão relacionadas a questões comportamentais nas empresas. “A verdade é que não sabemos lidar com as diferenças. Não tivemos oportunidades, na infância, de conviver com pessoas deficientes e, por tudo isso, temos uma enorme resistência a esta idéia. Pequenas ações de treinamento e sensibilização, no entanto, podem resolver este problema”, sugeriu.

Expansão do mercado

Mas, apesar das resistências ideológicas, o mercado de trabalho para os portadores de deficiência vem se expandindo em Manaus. Pelo menos essa é opinião da coordenadora dos cursos de atualização profissional do Sesc (Serviço Social do Comércio), Kelly Silva, que considerou fundamental o incentivo da família nessa formação profissional. A especialista ratificou o suporte mínimo que os professores locais recebem para trabalharem a inclusão dessa faixa de público, afirmando que as poucas instituições que oferecem esse serviço restringem o atendimento a especialidades mais graves. “Vemos salas lotadas, poucos recursos e profissionais não-qualificados. Com essas condições, como podemos encontrar portadores de necessidades preparados para ingressar no mercado de trabalho? No Sesc, já tivemos vários funcionários especiais com ótima formação, mas a família teve um papel fundamental neste processo”, comentou.

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