Entidades buscam resgate

Os moradores do Centro Histórico de Manaus estão se mobilizando de forma organizada para participarem da requalificação do local. De posse das minutas de dois estatutos para constituição da ASCULT-SVF (Associação Cultural São Vicente de Fora) e da AMACAM-ISV (Associação dos Moradores e Amigos do Centro Antigo de Manaus Ilha de São Vicente) a escritora e jornalista Regina Melo e o artista Nonato Tavares, da Companhia Vitória Régia, apresentaram os documentos na manhã de quinta-feira (25) ao Juiz de Direito Titular da Vemaqa (Vara de Meio Ambiente e de Questões Agrárias), Adalberto Carim António, na sede do TJ-AM (Tribunal de Justiça do Amazonas).
De acordo com o magistrado, o Centro Histórico de Manaus ficou por muito tempo relegado, abandonado pelo poder público. Carin afirma que este fato além de desmotivar as pessoas a morarem naquela área, estimulou a migração para outros locais pelo apelo imobiliário em expansão na capital. “Existe uma miríade de situações que envolvem a violência. Já o descaso público é visível nas fachadas de prédios históricos quase caindo, outras desabando. E, isso fez com que famílias, incluindo as tradicionais, abandonassem seus principais sítios, da época áurea do Centro Histórico para morarem em novos bairros afastados da perturbação urbana e seduzidas pela suposta “qualidade de vida” próxima da natureza”, informa o juiz.
Regina Melo é moradora da rua Frei José dos Inocentes, logradouro historicamente reconhecido e que está degradado principalmente pelo tráfico de drogas ilícitas, seguida pela prática diária do consumo de entorpecentes no próprio local. “Nós moramos na Frei José dos Inocentes, é uma rua histórica. Com uma história fantástica da formação da cidade e hoje está degradada moral e ambientalmente”, lamenta a escritora.
Carim alerta para o símbolo representativo da identidade de todo cidadão manauara, que encontra-se hoje em fase de requalificação; se faz necessário um reconhecimento histórico de fato e de direito, por parte da população. “Não é simplesmente um prédio que está ali para ser visualizado, na verdade isso é parte da nossa identidade. A nossa identidade não é só folclore, só música. A identidade está nesse olhar, nesse contato com esse patrimônio que não pode ser abandonado”, lembra.
Também ouvido pelo Jornal do Commercio, o Secretário da Semex (Secretaria Extraordinária para Requalificação do Centro de Manaus), Rafael Assayag sustenta a necessidade de formar parcerias para que o Centro seja recuperado com maior rapidez e com a participação da comunidade. Ele torce para que mais moradores se associem e que se constituam de maneira organizada. “É sempre muito bem vinda parcerias que agreguem um mecanismo legal para tratar das políticas públicas, cobrando e somando esforços durante este processo de requalificação pacífica do Centro. É um olhar mais cauteloso e mais carinhoso em relação ao Centro da cidade que foi tão abandonado”, comemora.

Zonas Vermelhas

Para o Juiz Carim, ruas como a Joaquim Nabuco e Quintino Bocaiúva tornaram-se palco de espetáculo de terror. Casas são abertas, como “Empreendimentos de Hotelaria”, quando na verdade são verdadeiros abrigos de marginais. “Hotéis e Motéis servem de ponto para o tráfico de drogas e isso na verdade acaba se espraiando como um mal, como um câncer, como um vírus. Esse vírus vai corroendo o Centro Histórico da cidade”, frisou o magistrado.
O mesmo fenômeno aconteceu na rua Frei José dos Inocentes, segundo relatou Regina Melo. “Lá somos vizinhos da rua Bernardo Ramos, já revitalizada, organizada e segura, mas a Frei José é considerada a rua pobre, abandonada, consumida pelo tráfico de drogas, com prostituição, poluição sonora, sem segurança; e a ausência do poder público é total naquela área e nas adjacências da Ilha de São Vicente de Fora”, relatou.

Em memória

Vários governantes amazonenses nasceram e moraram na avenida Joaquim Nabuco, na rua Quintino Bocaiúva. Já a rua Frei José dos Inocentes foi onde tudo começou, onde a Manaós surgiu.
“Todo local do mundo tem viaduto, todo local do mundo tem rotatória, todo local do mundo tem passagem de nível, mas em nenhum local do mundo tem um Centro Histórico com uma Ópera House como a nossa. Com uma Alfândega como a nossa. Com um Palácio da Justiça como o nosso”, dizia Jefferson Perez.

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