Engenharia de movimentação é saída para empresas do segmento

Um país com dimensões continentais como o Brasil depende muito do desenvolvimento e da atuação do setor de logística. Ele integra a cadeia de suprimentos de várias redes produtivas e ainda é pouco compreendido pelos empresários de pequeno porte e mesmo pelo mercado em geral.
Logística é a engenharia de movimentação de cargas com a finalidade de otimizar a distribuição e a oferta de estoques, podendo envolver desde o processo produtivo até o abastecimento das gôndolas nas lojas. “O setor cuida da movimentação dos bens, dos itens, e de otimizar os estoques de forma integrada”, define o professor da Coppead/Centro de Estudos em Logística da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Peter Wanke.
“Comparando com o corpo humano, a logística seria o sistema circulatório”, explicou Peter, durante palestra proferida na semana passada durante evento realizado em Brasília para técnicos do Sistema Sebrae.
Entre as questões que envolvem a logística figuram: Quem vai transportar? Quanto será transportado? Quando transportar? Para onde transportar? Quanto manter em estoque? As atividades de logística dependem de investimentos governamentais em infraestrutura. Nos últimos anos, infelizmente, o Brasil reduziu investimentos nessa área, segundo o especialista.
O segmento de transporte de cargas é apenas um dos integrantes do conjunto de serviços de logística. A evolução do transporte de carga está sendo direcionada para a logística em muitos países, segundo o palestrante. “No Brasil, a maior parte do transporte de carga é feito por rodovias e por empresas prestadoras de serviços de transporte de micro e pequeno porte, geralmente terceirizadas e quarteirizadas ”, informou Peter. Os custos de transporte no país, somados aos de estocagem e armazenagem representam, em média, cerca de 19% do total do preço dos produtos oferecidos no mercado.
Desse percentual, 60% dos gastos são geralmente relativos a transportes rodoviários, modalidade predominante no país. Na formação do preço final dos produtos em geral, há ainda os custos de marketing, que correspondem a 20%, e de produção, em torno de 53%, deixando a margem de lucro em aproximadamente 8%, segundo Peter.

Transporte rodoviário

O segmento de transporte rodoviário no Brasil é composto por 46,3 mil empresas, sendo que 90% da movimentação de cargas de praticamente todas as cadeias produtivas ficam sob a responsabilidade de micro e pequenas empresas transportadoras. O faturamento médio anual é de R$ 51 mil e 25% delas faturam apenas cerca de R$ 27 mil por ano, segundo dados do Centro de Estudos em Logística do Coopead/UFRJ. A idade média da frota nacional de caminhões desse segmento é de 17 anos.
“Concluímos que boa parte das 46 mil empresas é do motorista que dirige o próprio caminhão e faz a vida dessa forma, muitas vezes operando no vermelho”, observou Peter. Já a média do faturamento anual das grandes empresas transportadoras fica em torno de R$ 205 mil. Apenas 2.900 delas possuem mais do que 20 funcionários, apontam os estudos. Uma minoria absoluta das empresas de maior porte do transporte rodoviário possui faturamento médio anual em torno de R$1,7 milhão.
“O quadro é bastante pulverizado e desorganizado, acarretando uma competição redatória. O frete rodoviário fica deprimido e joga as outras modalidades de transporte para baixo”, disse o especialista, referindo-se aos transportes via cabotagem, ferroviário e aéreo.
Dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontam que quase dois terços do faturamento das empresas de transporte de carga ficam comprometidos da seguinte forma: 20% com manutenção dos caminhões e carretas; 19% com despesas de pessoal; 14% com combustíveis e lubrificantes; e 10% com material de consumo.
“Até 2001, o lucro não chegava a 1%, ou seja, a maioria delas operava entre a vida e a morte”, definiu Peter. “Acidentes nas rodovias, tombamentos de cargas e empresas operando no prejuízo depreciam o segmento”, enfatizou.
A situação precária do transporte rodoviário de cargas acaba inibindo, também, os investimentos em infra-estrutura no país, facilitando os roubos de veículos de transporte em geral. Só no Estado de São Paulo, em 2007, o total desses roubos foi avaliado em R$ 1,4 bilhão. “É um prejuízo que atinge toda a economia”, lembrou Peter.
Outro dado importante diz respeito à escolaridade dos trabalhadores do transporte rodoviário de cargas: 75% das pessoas possuem nível fundamental incompleto. A taxa de rotatividade no emprego é elevada: três anos.

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