A energia é gerada por combustível. Alguns poluidores, como o carvão, praticamente em desuso no mundo, apesar de modernos filtros minimizarem seus efeitos; outros, como o petróleo, de alto custo e poluente; e nucleares, de alto risco ambiental. Por isso, ganham espaço formidável as gerações eólica e solar, que, talvez, sejam as do futuro, com maior produtividade nos geradores e painéis.

Em país como o Brasil, no entanto, o combustível mais tradicional, barato e ambientalmente desejável é a água de nossos rios. Portanto, devemos nos empenhar pela preservação de todos eles, a começar pelo mais ameaçado: o São Francisco. Os grandes reservatórios ao longo do grande rio de integração nacional, que percorre vários Estados a partir da serra da Canastra, no norte de Minas, garantem água para consumo humano e uso agrícola, como no projeto Nilo Coelho, em Pernambuco. A realização, aliás, coloca este homem público entre os maiores benfeitores daquele Estado e da agricultura brasileira, pelos resultados internacionalmente reconhecidos na fruticultura, com duas safras anuais de produtos de valor, como manga, melão, uvas, abacaxi e mamão, entre outros.

Os mineiros foram enganados quando do projeto da transposição com a promessa de investimentos nas nascentes. Isso não ocorreu e, hoje, o reservatório de Três Marias, ainda em poder da Cemig, que conserva tão bem a área, tem períodos que chega a desligar suas máquinas -as primeiras, colocadas por JK.

Houve um erro grave nos projetos mais recentes no Norte do país, com a diminuição dos reservatórios, levando a se perder oportunidades, como a de termos uma grande usina em Belo Monte, que acabou muito prejudicada. Agora, é preciso uma política atenta e rápida para o Tapajós, com grande potencial a ser aproveitado.

Hoje, a prioridade energética deve ser a recuperação no atraso nas obras de linhas de transmissão ligada à integração, a partir de Belo Monte, Jirau e Santo Antônio. Além de uma política de interligação de rios que venha a promover uma troca de água entre reservatórios, para evitar desperdício de instalações, como vem ocorrendo com Serra da Mesa.

Neste final de governo, o ministro Moreira Franco poderia dar toda prioridade a retomar essas obras, em regime de urgência, com apoio institucional do governo e de órgãos de controle para contornar prazos burocráticos. A ação traria a tranquilidade e a confiança que precisamos para retomar o crescimento sem riscos de colapso no fornecimento de energia. Parece pouco, mas não é.

*é jornalista, vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro
[email protected]

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email