Endividamento das famílias recua em novembro, aponta CNC

O percentual de famílias de Manaus que se dizem endividadas diminuiu entre outubro e novembro, mas ainda supera com folga a média brasileira, que seguiu caminho contrário e cresceu no mesmo período. Pelo terceiro mês seguido, o percentual de consumidores locais inadimplentes seguiu em queda, embora também tenha batido o número nacional. 

A informação está nos números locais da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), divulgados nesta sexta (6). O levantamento levou em conta a quantidade de famílias com dívidas contraídas com cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimo pessoal, compra de imóvel e prestações de carro e de seguros.

Na sondagem, 77,06% das 483.577 famílias manauenses ouvidas se dizem endividadas, percentual abaixo de outubro de 2019 (78,8% e 490.605), mas muito acima do patamar de novembro de 2018 (65,9% e 405.205). No ano, o maior índice foi registrado em abril (79,8%), quando a taxa começou uma trajetória descendente até atingir seu menor número em julho (75,3%), voltando a subir nos meses seguintes. 

Em âmbito nacional, o indicador de endividamento das famílias brasileiras aumentou de 64,7% para 65,1%, depois do recuo apresentado no mês anterior. Também houve alta em relação a novembro de 2018, quando o indicador chegou a 60,3% do total de famílias, conforme a pesquisa da CNC.

O índice de inadimplência em Manaus recuou de 34,6% (215.356) para 30,4% (189.462) e também ficou menor do que os 31,4% (193.217) de 12 meses atrás. O problema é maior entre os que ganham até dez salários mínimos mensais (32,2%) do que na faixa de remuneração superior (9,6%). Um total de 15% (93.777) dos inadimplentes disse que não terá condição de pagar as dívidas em atraso.

Já o percentual de famílias brasileiras com dívidas ou contas em atraso diminuiu em novembro de 2019, na comparação com o mês anterior, passando de 24,9% para 24,7% do total, interrompendo uma sequência de quatro altas mensais consecutivas. Houve aumento, contudo, do percentual de famílias inadimplentes na comparação com novembro de 2018 (22,9%).

A boa notícia é que, entre as famílias manauenses ‘penduradas’ por compromissos financeiros, a maioria (30,4%) ainda se diz “pouco endividada”, mas o percentual dos que se assumem “muito endividados” (29,7%) subiu e chegou perto dessa marca. Na média brasileira, a maioria também é de “pouco endividados (27,8%), sendo seguidos pela categoria dos “mais ou menos endividados” (22,9%) e pelos “muito endividados” (14,4%).

Cartão e carnê

Em Manaus, assim como na média nacional, o maior vilão do endividamento e da inadimplência ainda é o cartão de crédito. Em nível local, 71,3% apontaram esse meio de pagamento como responsável pela situação – contras os 67% do mês anterior. O percentual é maior entre os manauenses com remuneração acima de dez salários mínimos (84,1%). No Brasil, o índice de famílias ‘penduradas’ no cartão de crédito é de 78,8%, para as duas faixas de renda.

Carnês (41,7%) comparecem na segunda posição entre os meios de pagamento responsáveis pelo endividamento em Manaus, em especial nas famílias que ganham até dez mínimos (44,8%). No Brasil, a modalidade respondeu por 15,7% dos compromissos, em média.

O presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, salientou ao Jornal do Commercio que, enquanto o número de pessoas negativadas continuar elevado e a redução da taxa Selic não chegar aos bancos, não será possível ao varejo em particular e à economia em geral retomar a trajetória de alta. 

“O maior responsável ainda é o cartão de crédito. Ninguém aguenta pagar mais de 300% e o financiamento segue seletivo e caro. Os bancos têm que negociar. É melhor fazer uma composição do que continuar sem receber”, lamentou.

Crédito e sazonalidade

Em texto divulgado pela assessoria de imprensa da CNC, a economista da entidade responsável pela pesquisa, Marianne Hanson, diz que a redução das taxas de juros do crédito e a melhora no emprego formal favoreceram a continuidade da tendência de aumento de crédito e endividamento. 

“O recuo do percentual das famílias com contas em atraso reflete a redução do custo do crédito, além da sazonalidade favorável do período em relação ao emprego e à renda. Já o aumento dos indicadores de inadimplência na comparação com o ano anterior se deve ao maior comprometimento de renda com dívidas e à piora da percepção em relação ao endividamento”, analisou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, salienta que alta no endividamento não é necessariamente negativa, desde que não seja acompanhada de aumento expressivo da inadimplência. “A dívida com responsabilidade e compatível com a renda possibilita a aquisição de bens importantes para as famílias, sejam eles duráveis ou até mesmo imóveis”, encerrou. 

 

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email