Endividamento cai, mas inadimplência sobe em Manaus

O percentual de consumidores de Manaus endividados com cheques, cartões de crédito e carnês de loja, entre outros meios de pagamento, voltou a cair, entre junho e julho. A parcela de manauenses inadimplentes e que admitem não poder mais pagar as contas voltou a subir –especialmente entre os mais pobres. É o que mostram os números locais da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). 

Na sondagem, 79,8% das famílias manauenses ouvidas (502.167) se dizem endividadas, patamar inferior ao de junho de 2020 (81,7%), mas ainda acima do registrado há 12 meses (75,3%). Foi a quarta queda seguida e o menor percentual do ano. Em âmbito nacional, o indicador cresceu de 67,1% para 67,4% na variação mensal –o maior número desde 2010 – e ficou 3,3 pontos percentuais acima da marca de 12 meses atrás (64,1%). 

O índice de inadimplência na capital (25,2% e 158.346 famílias) interrompeu uma sequência de três quedas para voltar a crescer, ficando bem acima de junho de 2020 (21,4% e 134.423) e muito aquém de julho de 2019 (34,6% e 214.739). Apenas 4% disseram que devem poder quitar a dívida totalmente e 38,7%, parcialmente. A proporção de brasileiros nessa situação chegou a 26,3% e foi a maior desde dezembro de 2017, com expansões nas bases mensal (+0,9 p.p.) e anual (+2,4 p.p.).

A fatia correspondente às famílias que declararam não ter condições de quitar suas dívidas em atraso, por outro lado, subiu pelo terceiro mês consecutivo em Manaus e chegou a 14,4% (90.637) –contra os 13,5% (84.721) de junho. O percentual seguiu muito abaixo do registro de um ano atrás (18,8% e 116.911). No país, o índice chegou a 12% –patamar mais alto desde novembro de 2012 –tendo avançado nas comparações mensal (+0,4 p.p.) e anual (2,4 p.p.).

Tempo e dependência

Entre os manauenses inadimplentes, 61,3% devem há mais de 90 dias, com destaque para os que têm vencimentos abaixo de dez mínimos (63,6%). Foram seguidos pelos que estão atrasados entre 30 e 90 dias (31,4%) e pelo grupo pendente há menos de um mês (7,3%). A maioria (36,4%) estima permanecer comprometido com dívidas entre seis meses e um ano ou mais de um ano (35,3%). Foram seguidos por aqueles que ficaram pendurados entre três e seis meses (12,2%) e menos do que três meses (6,4%). 

A maioria dos entrevistados (54,3%) se assume “muito endividada” –contra os 58,1% de junho. São seguidos bem de longe pelos que se dizem “pouco endividados” (13,3%) e “mais ou menos endividados” (12,3%), com níveis bem aquém dos capturados na sondagem anterior (11,6% e 12%, respectivamente). No primeiro grupo, predominam os consumidores com renda total de até dez salários mínimos. 

Cartão e comprometimento

Em Manaus, o maior vilão do endividamento e da inadimplência ainda é o cartão de crédito, mas este reduziu sua participação no bolo, de 97% para 95,5%. Diferente dos meses anteriores, o percentual ficou praticamente empatado entre os que ganham menos (95,5%) e mais de dez mínimos (95,6%). Carnês (66,1%) estão na segunda posição, também reduziram sua fatia ante junho (68,6%), e são predominantes entre os mais pobres (69%). 

Em média, as famílias de Manaus consomem 45% de sua renda para pagar dívidas –pouco abaixo dos 45,9% anteriores. A maioria esmagadora (71,7%) já compromete mais da metade dos ganhos mensais com dívidas. São seguidos de longe pelos que gastam de 11% a 50% (21,2%) e pelos que limitam os dispêndios a 10% (1,4%). No mês passado, essas fatias foram de 76,6%, 17,4% e 1,2%, respectivamente.

“Novo oxigênio” 

O presidente em exercício da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, considerou que os números mais recentes da Peic são motivo de otimismo, por conta das quedas dos níveis de endividamento e inadimplência em relação aos registros dos meses em que os números da pandemia estavam em seu auge em Manaus: março, abril e maio. 

“Isso leva à percepção de que a economia está se enquadrando a um novo momento. É claro que ainda temos os efeitos drásticos do que a própria pandemia nos causou. Mas, o endividamento tem caído e vai haver espaço para o aumento do consumo per capta da população de Manaus. Isso é digno de ser transmitido aos empresários que viveram tantas preocupações neste ano, com o fechamento do comércio: estamos respirando um novo oxigênio e a economia tende a ficar mais estável, com crescimento mais consistente”, ponderou. 

Recuperação e incertezas

Mais cético, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, também considerou que os números são animadores, mas ainda preocupantes. “Os indicadores recentes têm demonstrado sinais de alguma recuperação da economia a partir de maio e junho, mas ainda permanecem incertezas sobre a retomada, e a proporção de consumidores endividados no país é elevada”, frisou, em texto divulgado pela assessoria de imprensa da entidade.

No mesmo texto, o presidente da CNC também reforçou, mais uma vez, a importância da ampliação do acesso ao crédito a custos mais baixos e do alongamento dos prazos de pagamento das dívidas “para mitigar o risco do crédito no sistema financeiro”. 

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email