Enchente causa prejuízos ao comércio

O comércio de Manaus amarga perdas em torno de 1% do faturamento de junho decorrente da enchente, considerada a segunda maior dos últimos 100 anos. Os lojistas das ruas dos Barés, Barão de São Domingos, Marques de Santa Cruz e Eduardo Ribeiro, nas proximidades do Relógio Municipal, são os maiores prejudicados, alguns já fecharam as portas porque as lojas estão no fundo d’água e os clientes não têm como chegar para comprar.
O presidente da FCDL (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas), Ralph Assayag, não soube precisar quanto em reais significa esse 1% que deixou de ser vendido neste mês, porém admitiu ser muito dinheiro.
Além de deixar de vender para o consumidor local, pela falta de acesso às lojas situadas nas ruas tomadas pelas águas, os comerciantes estão sentindo falta dos negócios realizados com o interior do Estado, que geram somam altíssimas neste mês, somando o atacado e o varejo.
Assayag explicou que uma gama de comerciantes e pessoas físicas que normalmente vêm comprar em Manaus nesta época do ano estão impedidas porque também foram prejudicados com a enchente –alguns chegaram a perder suas produções.
“Os números do governo apontam que prejuízos da ordem de R$ 380 milhões com a enchente no Amazonas e o comércio se ressente disso”, lamentou Assayag.
O secretário-geral do SEC (Sindicato dos Empregados no Comércio de Manaus), José Ribamar Vieira do Nascimento, também admitiu que a enchente está prejudicando, consideravelmente, as vendas no comércio varejista e atacadista de Manaus, inclusive culminando em perda de mão-de-obra.
Ele lembrou que o comércio do interior na capital amazonense é forte, mas está desaquecido por conta da grande cheia do rio Negro, que já alcançou a marca histórica de 29,69 metros registrados no dia 9 de junho de 1953.

Média é de 700 demissões por mês, diz sindicato

Pelos cálculos do Sindicato dos Empregados no Co­mércio de Manaus, entre janeiro e maio as demissões ocorreram na média de 700 por mês, o que pode significar uma perda de 3.500 postos de trabalho nesse período.
Para José Ribamar as perdas não chegam a isso porque as demissões homologadas no sindicato de pessoas com carteira assinada acima de um ano tiveram motivos variados: demissão normal (redução de quadro ou substituição), por aposentadoria proporcional, tempo de serviço e por invalidez.
O sindicalista avaliou que apesar do setor ter sido afetado pela crise financeira global, o desemprego não foi alarmante se comparado a outros setores como a indústria. Ele apontou que os lojistas fizeram os ajustes necessários, sem contudo, realizarem grandes demissões.
“A abertura de várias lojas em shoppings centers, a exemplo do Manauara, gerou novos postos de trabalho no comércio neste início de ano”, disse, ressaltando que neste mês de junho as demissões estão encolhidas.
Embasado nos números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), Ralph Assayag apontou que nos últimos 12 meses o comércio de Manaus teve um percentual de 4,5 mil trabalhadores (entre demissão e admissão) a mais se comparado a igual período do ano passado. “Tivemos 150 lojas inauguradas no último trimestre de 2008 e mais 300 lojas no primeiro quadrimestre de 2009, logo se perdemos alguns postos de trabalho ganhamos outros, por isso não temos grande desemprego no comércio”, defendeu.
Segundo Assayag, no primeiro trimestre de 2009 a arrecadação do comércio de Manaus cresceu 7% se comparado a igual período de 2008. Um sinalizador segundo ele de que o setor está conseguindo passar pela crise sem muitas perdas.

Cenário positivo

Diante do atual quadro do comércio, o dirigente do setor e o representante de classe apostam no segundo semestre de 2009, como balizador para esquentar as vendas novamente. Assayag disse que as projeções são boas se continuar o panorama de crescimento da economia brasileira como aponta o governo. “Só não dá para recuperar o que foi perdido”, disse.
José Ribamar não arrisca fazer projeções de novo postos de trabalho para o segundo semestre no comércio, porque considerada ainda cedo, mas torce para que a economia se estabilize, o setor produtivo volte a esquentar as turbinas a todo o vapor com novas encomendas e o comércio incremente as vendas. “O que vai demandar mão-de-obra, o que para nós é excelente”, disse o sindicalista, informando que atualmente a entidade possui 2.000 associados de um total de 90 mil comerciários.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email