25 de junho de 2022

Enchente avança no Amazonas e traz problemas recorrentes

As águas avançam no Amazonas, sinalizando uma nova grande enchente este ano, igual ou até superior ao nível da cheia de 2021, que passou dos 30 centímetros. Parte do centro de Manaus está praticamente inundada. Não demora e o poder público terá que transferir negócios que operam na área do porto, como o fez anteriormente, transferindo a feira central para um flutuante.

A situação já toma ar de muito sofrimento, impactando nas famílias de maior vulnerabilidade, tanto na capital do Estado como nos municípios do interior. Várias cidades ribeirinhas declararam situações de emergência, reclamando auxílios do governo do Amazonas.

O problema é recorrente. Assim o é por milhares de anos. A cheia renova nutrientes do solo sazonalmente, mas também traz muitas dificuldades. As populações que vivem nas áreas de várzeas são as mais atingidas, obrigando as famílias a recorrerem às tradicionais marombas para enfrentar os períodos difíceis.

As águas renovam a fertilidade do solo. Porém, transportam todo tipo de doenças que são uma constante ameaça aos moradores desprotegidos de saneamento básico e de outras necessidades básicas. 

Eles ainda dependem de uma melhor assistência médica. No entanto, as grandes distâncias de um Estado continental dificultam a ajuda, principalmente nas regiões mais remotas, onde a densidade demográfica é infinitamente pequena. 

Lá, apenas os sons da floresta, os cantos de pássaros e os burburinhos de outros animais reverberam por toda a rica biodiversidade. Em geral, o caboclo ribeirinho só conta mesmo com a ajuda divina para sobreviver nessa vastidão que desafia o ser humano com tantas adversidades.

A prefeitura de Manaus e o governo do Amazonas dizem já estar em execução um plano de contingência para auxiliar os impactados pela enchente. Auxílios emergenciais em dinheiro e cestas básicas são direcionados para as populações mais afetadas, um ciclo recorrente a cada ano.

Os governos se revezam no poder, mas os velhos problemas persistem. Por que não investir mais em políticas públicas para prevenir de forma mais assertiva, eficaz, essas situações desesperadoras? 

Há um ciclo vicioso. As prefeituras só podem recorrer ao governo estadual. Os repasses minoram a situação, mas não resolvem os problemas. O Amazonas evoluiu consideravelmente. Porém, as riquezas estão restritas a Manaus, onde prosperam as mais de 500 empresas instaladas na capital, gerando empregos e renda, enquanto a maioria dos municípios vive de pires nas mãos pedindo auxílios financeiros.

O desenvolvimento deveria ser espraiado, como bem o diz o atual superintendente da Suframa, Algacir Polsin, profundo conhecedor das peculiaridades sociais, culturais e econômicas da Região Amazônica. Pena que ainda não despertamos para essas necessidades. Já são 55 anos de existência da Zona Franca. E os benefícios só se fazem notar em Manaus, a capital. É preciso levar novas alternativas econômicas para a população do interior, fixando as pessoas nas cidades ribeirinhas e possibilitando melhor qualidade de vida.

Nota abre Perfil

Estado aposta em nova matriz econômica

O Amazonas está no centro do fogo cruzado de manobras que ameaçam a sobrevivência da ZFM. A pendenga sobre o IPI ainda não foi solucionada. Houve uma trégua com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que suspendeu temporariamente os decretos presidenciais, extremamente prejudicais por tirar a competitividade dos produtos fabricados em Manaus pelas mais de 500 empresas instaladas no Estado. Falta ainda, porém, o referendo da maioria do colegiado para consolidar essa vitória, mantendo as prerrogativas constitucionais da Zona Franca.

Em meio a tudo isso, cresce a conscientização sobre a necessidade de pôr em prática uma nova matriz econômica, que se somaria às atividades industriais do modelo de desenvolvimento mais bem-sucedido do País. Ontem, o governador Wilson Lima (UB) abriu o Fórum de Petróleo e Gás falou ressaltando a importância da busca de novas alternativas econômicas com o aproveitamento das potencialidades regionais. Expertises dos mais diversos segmentos participarão das discussões sobre o tema na capital. Estamos montados em minérios e rodeados de insumos da floresta que podem trazer muitas riquezas, gerando mais empregos e renda, desde que sejam explorados de forma sustentável, mantendo a preservação do ecossistema. Chegou a hora.

Mobilização

Esta marcada para esta quarta-feira (11) a grande mobilização em Brasília em defesa da ZFM. O ato está sendo convocado pela bancada federal do Amazonas na capital. Deputados estaduais, vereadores de Manaus e representantes da OAB estadual e nacional ficaram de engrossar as manifestações. O objetivo é demonstrar o quanto o projeto é importante para gerar empregos e renda no Estado e também em outras regiões do País. Está em jogo toda uma cadeia produtiva. É importante reunir esforços.

Faturamento

Não se entende tanta perseguição contra a ZFM. Os números respondem por si só, mostrando que o modelo é próspero. Segundo a Suframa, o polo industrial faturou R$ 24,79 bilhões no primeiro bimestre de 2022, representando um aumento de 14,49% comparado aos dois primeiros meses de 2021 (R$ 21,65 bilhões). Em dólar, o acumulado até fevereiro foi de US$ 4.72 bilhões, o que representa um incremento de 19,24% em relação ao ano passado (US$ 3.96 bilhões). Existe melhor argumento?

Votos`

Parece que Amazonino Mendes (Cidadania) ainda está caindo nas graças do eleitorado, segundo uma pesquisa divulgada ontem por um veículo local. O velho cacique lidera as intenções de voto com 41%, contra 20,3% de Eduardo Braga (MDB). Na terceira posição, aparece o atual governador Wilson Lima (UB) com 16,6%, seguido de Ricardo Nicolau (Solidariedade), 5,8%; Carol Braz (PDT), 5,8%, e Marcelo Amil (Psol), com 0,9%. Arthur Neto (PSDB) é o preferido para o Senado. Veremos o que dirão as urnas.

Oxigênio

Não adiantaram os apelos de famílias de pessoas vitimadas pela Covid-19 durante a crise oxigênio no Amazonas. Ontem, a Justiça Federal inocentou o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e outros cinco acusados na ação de improbidade administrativa movida pelo MPF. Mas ainda cabe recurso. Segundo a Defensoria Pública, mais de 60 pacientes morreram na fase mais aguda da pandemia pela falta do insumo, crucial para manter vivos os doentes. Vivenciamos um cenário angustiante.

Centrão

O centrão aumenta o seu raio de influência. Parlamentares do grupo atuam para aprovar no Congresso um projeto bilionário que prevê a construção de gasodutos no País. A proposta é de interesse do empresário Carlos Suarez, ex-sócio-fundador da OAS, e de seus sócios, que são os únicos donos autorizados a distribuir gás em oito Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A manobra beneficia diretamente Suarez. O objetivo é tirar R$ 100 bilhões de lucro do pré-sal. Isso só acontece mesmo no Brasil.

Depressão

Acende um novo alerta em Manaus. A cidade é a quarta capital da Região Norte com maior número de adultos que relataram ter diagnóstico de depressão. É o que aponta um estudo do Ministério da Saúde. O transtorno afeta 10,2% da população acima de 18 anos. Os dados foram coletados a partir de uma pesquisa da Vitigel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), que entrevistou 27 mil brasileiros. O problema se agravou mais ainda durante a pandemia.

Milícias

Ontem, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidiu que as investigações sobre milícias digitais antidemocráticas devem ser feitas em conjunto com as apurações sobre os ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral. A decisão atendeu a um pedido da PGR, que apontou a necessidade de juntar as duas apurações antes de decidir se apresenta ou não uma denúncia sobre o caso. O pleito estaria por um fio, segundo analistas, que admitem até uma possibilidade de um novo golpe. Será? 

Pressão

Os caminhoneiros se sentem desprestigiados por Bolsonaro, situação agora agravada com o aumento do óleo diesel, impactando em mais custos e na redução do lucro da classe. A categoria já costura uma nova paralisação para forçar o Planalto a interferir na política de escalada de preços dos combustíveis, que causa uma reação em cadeia em toda a cadeia produtiva e econômica. O presidente diz não ter autonomia para apitar na estatal, hoje sustentada por acionistas. Pior para ele. As eleições vêm aí.

FRASES

“Queremos defender direitos dos amazonenses”.

Marcelo Ramos (PSD-AM), deputado federal, sobre mobilização em defesa da ZFM.

“Bolsonaro tem medo de perder eleições e ser preso”.

Lula (PT), ex-presidente, ao discursar criticando gestão do atual presidente.

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