3 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Enchente avança no AM e já atinge 11 bairros de Manaus

As águas já tomaram praticamente o Centro de Manaus, trazendo o cenário de 2021, quando a enchente passou dos 30 centímetros, causando grandes estragos na capital e nos municípios do interior do Estado.

A prefeitura já avalia a possibilidade de decretação de calamidade pública. Pelo menos 11 bairros da cidade já são atingidos pela cheia. E falta pouco para o fenômeno recorrente alcançar o mesmo nível do ano passado – até ontem passavam dos 29,5 metros. Vias centrais foram interditadas. Algumas só têm acesso por canoas, voadeiras e outros barcos.

Com grande circulação, a rua dos Barés, tão antiga quanto a própria Manaus, foi interditada. Lá, funcionam negócios tão diversificados que absorvem a mão de obra de centenas de pessoas ou até milhares.

No ano passado, a feira central da cidade foi transferida para um grande flutuante, lembrando cenários venezianos, mas com muita diferença em sua essência. A cidade turística italiana e todas as suas adjacências são tão limpas que não oferecem nenhum perigo à saúde de seus transeuntes.

Infelizmente, por aqui as águas trazem todo tipo de doenças, ameaçando constantemente quem ouse desafiá-las. Tanta poluição resulta da falta de planos contingenciais para situações adversas como essas, recorrentes a cada ano.

Os governos se revezam no poder, mas os problemas crônicos persistem. Em geral, políticos e gestores só estão preocupados em angariar mais credibilidade para fortalecer o seu cacife. E são capazes de tudo. Existem até casos de alguns deles entrarem nas águas sujas para impressionar os mais incautos. E poucos fazem para resolver a situação.

A prefeitura de Manaus e o governo do Estado dizem já estar em execução um plano de contingência para auxiliar a população mais vulnerável na capital e nos municípios ribeirinhos. Lavouras estão comprometidas. Flutuantes já abrigam gado (bovino, suíno, equino) até a descida das águas. Os animais ficam confinados, impactando em sua saúde. Os agricultores vivem dessas atividades. E não sabem como vão ressarcir os prejuízos com a enchente.

O Estado concede auxílios. Porém, os recursos não são suficientes para amenizar os impactos negativos na vida dos moradores, principalmente os quem vivem em regiões de difícil acesso.

O Amazonas é tão grande que torna difícil ao poder público estar presente em todas as áreas. Em geral, grande parte dos ribeirinhos só conta mesma com a sorte e a ajuda divina para enfrentar situações tão adversas como essas que ocorrem a cada ano. A cheia é importante para renovar nutrientes das terras amazônicas, mas também causa muito sofrimento.

Precisamos priorizar políticas públicas que possibilitem soluções imediatas nessa direção. Mas na prática, não é o que acontece, infelizmente.

Perfil

ZFM é mote para turbinar pré-candidatos

A propaganda partidária na internet só será permitida em 16 de agosto, mas alguns partidos já estão usando esses recursos para turbinar pré-candidatos, tendo como mote a defesa da ZFM, que trava um embate acirrado para manter a isenção do IPI. A partir desta quinta-feira (19) até o fim do mês, PCdoB, Solidariedade e Podemos serão as três legendas que figurarão nas peças publicitárias. Outras siglas também já estrearam nas inserções – União Brasil, Progressistas e PT. Na mira dos decretos de Bolsonaro, a Zona Franca é grande estratégia para quem deseja ocupar um cargo público a partir do próximo ano.

Em Brasília, a bancada federal define novas ações para consolidar a decisão que suspendeu temporariamente as medidas da equipe econômica alterando a alíquota do imposto. Falta ainda, porém, o referendo do plenário do STF sobre a liminar concedida pelo ministro Alexandre de Moraes favorável ao Amazonas. Por enquanto, o IPI permanece intocável, mas não se sabe mais adiante. Agora, é reforçar a guarda reunindo todas as entidades representativas na luta pela preservação das vantagens comparativas que alimentam praticamente toda a cadeia produtiva do Estado.

Suframa

Ontem, a Suframa comunicou ter enviado ao Ministério da Economia uma lista dos produtos fabricados na ZFM que não podem sofrer redução do IPI, conforme a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Segundo a autarquia, a iniciativa, que ainda é preliminar, contém as NCMs (Nomenclaturas Comuns do Mercosul), códigos de identificação de cada produto, possuindo PPB. A relação tem como base o Sistema Harmonizado dos produtos fabricados na região. Agora, é persuadir o Planalto.

ICMS

As mudanças no ICMS só vão impactar em mais aumentos no preço do diesel, segundo alertou o deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) durante o seu pronunciamento, ontem, na Assembleia. O parlamentar disse que os Estados mantinham acordo com o Confaz para regular o mercado, mas o ministro André Mendonça agravou a situação ao acatar recurso do governo federal, suspendendo o valor diferenciado das alíquotas, algo muito prejudicial. “A inflação vai aumenta mais ainda”, disse. Problemático.

Eleições

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), e o governador do Amazonas, Wilson Lima, faz tempo que se mobilizam pela campanha da reeleição. Desde o ano passado, estabeleceram parcerias nessa direção, reunindo pelo menos R$ 680 milhões em novos investimentos para obras de infraestrutura urbana da capital. Os dois são vistos sempre juntos em público fiscalizando andamento de serviços nas ruas e em inaugurações de novos estabelecimentos. Boa estratégia para vencer as eleições.

Orçamento

Ontem, a Câmara Municipal recebeu o projeto da LDO que aponta receitas de quase R$ 8 bilhões, com estimativas de R$ 640 milhões a mais no orçamento de 2023 em comparação a 2022. Segundo o município, analistas de mercado do Banco Central avaliam a que a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto vem sendo estimada abaixo da meta, na ordem de 1,30%, e a previsão da inflação (IPCA) é de 3,8%. Espera-se que toda essa bolada seja convertida em benefícios à população.

Fritado

Vice-presidente da Câmara Federal, o deputado federal Marcelo Ramos (PSD-AM) está sendo fritado no cargo. Orientado pelo presidente da República, bolsonaristas de carteirinha estão pressionando para que ele deixe a função. A situação se agravou desde que o parlamentar do Amazonas deixou o PL para se filiar ao PSD em represália a Bolsonaro, que também é do partido. E o rolo compressor aumentou com as articulações de Marcelo em defesa da isenção do IPI na ZFM. Até quando vai resistir?

Cassação
A Assembleia de São Paulo decidiu, ontem, pela cassação do ex-deputado estadual e integrante do MBL Arthur do Val. Com a decisão, o político, conhecido como ‘Mamãe Falei’, fica inelegível por oito anos. A votação terminou com 73 votos a favor, nenhum contra e zero abstenções. A defesa de Arthur disse que o desfecho do caso “deixa claro que foi promovida uma perseguição” contra o ex-parlamentar. Merecido. Parlamento nenhum pode abrigar quem não preza pela conduta ética, ocupando-se de futilidades.

Alerta

Continua a pendenga em torno da segurança das eleições. Ontem, o presidente do TSE, Edson Fachin, disse que ataques às instituições durante o pleito devem servir de alerta. E que o risco de “regressão” já se infiltrou no Brasil. O ministro citou como exemplos a invasão do Capitólio, em Washington (EUA), por apoiadores de Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, além de “reiterados ataques” a autoridades eleitorais no México e no Peru. Bolsonaro não controla a língua e se queima por isso.

Lucro

A Eletrobras anunciou que o lucro líquido de suas operações avançou 69% no primeiro trimestre de 2022, em relação ao mesmo período de 2021, de R$ 2,716 bilhões. Segundo a companhia, houve a provisão para crédito de liquidação de R$ 1,226 bilhão, decorrente da inadimplência da Amazonas Energia – R$ 867 milhões para compra de energia de produtores independentes no Estado e R$ 359 milhões em contratos de empréstimo devidos pela distribuidora. Mesmo assim, o serviço continua precário.

“Ministro André Mendonça foi induzido”.

Serafim Corrêa (PSB), deputado estadual, sobre suspensão de ICMS diferenciado.

“Casa foi branda em relação a casos mais graves”.

Arthur do Val, ex-deputado, após ser cassado pela Assembleia de São Paulo.

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