10 de abril de 2021

Empresas ligadas à cadeia de cosméticos seguem imune à crise

Ao contrário das grandes empresas, que parecem ser as mais atingidas até o momento pelos efeitos da crise econômica mundial no país, as micro e pequenas empresas da cadeia produtiva de cosméticos e produtos de higiene iniciaram 2009 com tranquilidade

Jornal do Commercio – Como se comportou o setor de cosméticos no ano passado?

João Basílio – Em 2008, a cadeia produtiva cresceu 10,4% em comparação a 2007 e o Amazonas representou um dos mais fortes eixos nesse sentido, já que duas usinas de beneficiamento de óleos essenciais iniciaram suas operações. O setor é composto por 1.596 empresas, das quais apenas 15 são de grande porte, ou com faturamento anual líquido de impostos acima de R$ 100 milhões. Um crescimento considerável, portanto, em relação a outros setores.

JC – E em termos de geração de emprego?

João Basílio – Juntas, as empresas geram cerca de três milhões de empregos diretos e indiretos no país. A maioria é grande empregadora de mão-de-obra feminina. No Amazonas, as contratações do setor cresceram em média 3% em 2008. As vendas de produtos de beleza e de higiene pessoal no comércio foram favoravelmente atípicas, em dezembro passado. Em janeiro, continuaram com bom ritmo. Há exagero no tratamento da mídia sobre os efeitos da crise na economia e mercado interno.

JC – No fim do ano passado, o polo de cosméticos local tinha certo receio de fechamento com queda no consumo por parte da indústria e comércio devido à crise. Como o setor de cosméticos e produtos de higiene pessoal se saiu nesse período?

João Basílio – As vendas da indústria de insumos em geral reagiram muito bem à recessão, produzindo cota suficiente que supriu a alta demanda das indústrias do eixo Rio-São Paulo. No comércio, optou-se pelo estoque, embora as compras tenham ficado abaixo das expectativas. Normalmente, em dezembro, a indústria abastece pontualmente o mercado, mas de modo não muito significativo. Os estoques para as vendas de Natal são feitos antes. O último dezembro foi excepcional, muito em função das compras programadas pelo comércio, muito menor do que a demanda. Tivemos um bom mês de janeiro, em decorrência dessa situação, que gera boas perspectivas para os próximos meses.

JC –Qual são as estimativas para 2009? O setor vai continuar crescendo?

João Basílio – Nosso setor não depende de crédito, depende da renda e hábitos dos consumidores. Enquanto o desemprego estiver focado em alguns setores das grandes empresas e não contaminar a economia como um todo, nós continuamos na expectativa de um ano nada fácil, porém com crescimento.

JC – Isso significa que o setor de cosméticos não será afetado diretamente pela retração?

João Basílio – É difícil fazer projeções. Se tomarmos como referência o boletim Focus do Banco Central, que sinaliza o dólar em R$ 2,20, inflação inferior a 5% ao ano, superávit na balança comercial de US$ 15 bilhões e investimentos na ordem de US$ 20 bilhões, nosso setor deverá crescer acima de 5% este ano. Para nossa cadeia, se o dólar ficar entre R$ 2,20 e R$ 2,30 até o fim do ano, conseguiremos incorporar os custos nas nossas transações sem grandes traumas.

JC – Qual é a expectativa em relação à mão-de-obra para o setor em 2009?

João Basílio – Tivemos crescimento de empregos em 2008, considerado baixo ou de 3%, em termos de novas contratações. Para nosso setor essa taxa é baixa, pois a média nos últimos 12 anos está na casa de 8% ao ano. Mais uma vez, a substituição tributária refletiu na criação de empregos no nosso setor. Para 2009, queremos oferecer novas oportunidades de trabalho para a sociedade brasileira. Quando há problema de desemprego em outros setores, somos uma das alternativas. Revendedor ou revendedora de produtos cosméticos é uma das oportunidades criadas. Nosso setor passa a absorver mão-de-obra desempregada. Hoje, com pouco capital, baixo conhecimento e curso de pequena duração é possível tornar-se uma manicure. Geramos oportunidade de trabalho para mais de 3,5 milhões de pessoas no país. Mais de 90% são mulheres. São mais de três milhões de mulheres ligadas à indústria de cosméticos e produtos de higiene pessoal.

JC – Qual o melhor conselho aos empresários da indústria da beleza e higiene pessoal no Amazonas?

João Basílio – Continuar com cautela e precaução, porém enxergar oportunidades. O mercado está cheio de gente com cabeça quente. Crise significa oportunidade. O cenário para nosso setor continua bom, como sempre foi. Vamos lutar para continuar crescendo. É bom lutar.

JC – Como o senhor analisa a falta ou a dificuldade de acesso ao crédito no país?

João Basílio – Nosso setor não depende de crédito. Renda e hábitos dos consumidores é que são importantes para as empresas. As taxas de juros no Brasil são altíssimas. Estamos em 13,75% (Selic). Se fossem reduzidas em três pontos, esse país bombava. Não tem nada que impeça o governo fazer isso. Os bancos estão sabendo disso. O crédito está sobrando. Sei de banco que só empresta para pessoas físicas e que registrou queda de 30% na procura por crédito, ultimamente. Os custos dos empréstimos estão baixando em bancos públicos e privados. Sou um pequeno industrial e necessito do sistema financeiro para tocar os negócios. Estamos adquirindo um novo equipamento. Fechamos empréstimo no BNDES sem dificuldade e com pouca burocracia.

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