Empresas do Polo Industrial de Manaus utilizam tecnologia de ponta

Enquanto as empresas instaladas no PIM (Polo Industrial de Manaus) utilizam tecnologia de manufatura de ponta, um estudo inédito realizado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) aponta que apenas 48% das empresas industriais do país utilizam pelo menos uma tecnologia digital. A pesquisa foi realizada com 2.225 empresas de todos os portes. O Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) rebate a afirmação constatando que nos momentos de crise as empresas buscam na Indústria 4.0 alternativas para aprimorar os seus processos, reduzir custos e aumentar a competividade para aproveitar as oportunidades em outros mercados promissores.
A pesquisa da CNI revelou que a indústria 4.0 está mais consolidada no exterior do que no Brasil, o que torna ainda urgente a tarefa das empresas brasileiras de avançar na digitalização. Para se ter uma ideia, apenas 48% das indústrias brasileiras são ‘4.0’. A manufatura digital emerge com base na integração das tecnologias físicas e digitais em todas as etapas de desenvolvimento de um produto. A lista de tecnologia consideradas 4.0 englobam o uso de sensores, impressão 3D e a utilização de serviços em nuvem, entre outros.
De acordo com o presidente do Cieam, Wilson Périco, as empresas do Polo Industrial de Manaus utilizam tecnologia de manufatura de ponta em todos os segmentos. “E, digo que as empresas que ainda não fazem uso da alta tecnologia estão pensando em melhorar os seus processos para se manter no negócio competitivo”, frisou. Ele afirma que o crescimento do número de desemprego é reflexo direto da crise no país. “Mas isso não tem nada, neste momento, com o número de empregos do Polo Industrial. O desemprego hoje está por conta do momento econômico que o país passa”, completou.
Segundo Périco, a Indústria 4.0 Verde e Amarela é sinônimo de investimento para as empresas que querem se manter no mercado internacional, mesmo em momento de crise interna no país. “Certamente, se isso trouxer benefício para as empresas que ainda não utilizam, elas vão fazer o investimento. Existe uma diferença muito grande entre despesa e investimento, quando o que vem agregar valor ao negócio é visto como investimento, e tem que ser assim. Eu entendo que se isso realmente for importante e fizer diferença para o negócio, as empresas vão investir”.
Para o gerente executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato Fonseca, o relativo atraso do Brasil também fica evidente porque 43% das empresas consultadas pela CNI não identificam quais tecnologias têm potencial para alavancar a competitividade do setor industrial. Nas pequenas empresas, esse porcentual sobe para 57%. Entre as grandes, a fatia recua para 32%. “O Brasil hoje tem um problema muito grande da baixa produtividade da indústria. Os países desenvolvidos já têm as indústrias mais avançadas com essa tecnologia. O Brasil está correndo atrás”, afirma.
Quando questionado se é neste momento de crise que as empresas aproveitam para passar por uma transformação e automatizar o máximo para reduzir as despesas com mão de obra direta, Périco reafirma que a dispensa que está acontecendo em massa no PIM é uma consequência da própria crise. “Não tem como substituir mão de obra por automação, não. É isso que eu quero falar, muitas vezes as pessoas acham que as empresas estão demitindo porque estão investindo na automação do processo produtivo. Só que isso já existe há muito tempo”, reitera.
Périco finaliza afirmando que apesar da crise, o momento é de investir em inovação com criatividade para não perder as boas oportunidades de negócios. “Eu acredito que é nesse momento de crise que as empresas buscam alternativas para melhorar os seus processos, melhorar os seus custos e as oportunidades que venham a ser desenvolvidas ainda”, concluiu.
O uso das tecnologias digitais também permanece limitado porque está mais concentrado no processo e não no desenvolvimento e na concepção de novos modelos de negócios. “Hoje ainda a indústria está muito centrada no controle de processo. Isso é bom porque vai aumentar a competitividade, mas as empresas precisam estar preparadas para essa onda”, afirma Fonseca, da CNI.
Procurada pela reportagem, a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) informou por meio da assessoria de comunicação que, infelizmente, não teriam condições de responder a solicitação do JC, até o fechamento da matéria.

Reduzir custos

O levantamento também apurou que as empresas decidem usar as novas tecnologias principalmente para reduzir custos operacionais (54%) e aumentar a produtividade (50%). O uso das novas tecnologias varia de acordo com o tamanho das empresas e setores e é maior naqueles com mais intensidade tecnológica.
Na indústria de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, por exemplo, 61% das empresas consultadas pela CNI fazem uso de, ao menos, uma das tecnologias digitais. Entre os setores que mais utilizam as novas tecnologias, também estão máquinas, aparelhos e materiais elétricos (60%) e derivados de petróleo e biocombustíveis (53%).
Na outra ponta, dos setores que menos utilizam as novas tecnologias, estão equipamentos de transporte (23%), manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (25%) e no setor de farmoquímicos e farmacêuticos (27%). A pesquisa foi realizada pela CNI com 2.225 empresas de todos os portes. Fonte: O Estado de S. Paulo.

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