2 de março de 2021

Empresas do Norte ainda impactadas pela pandemia, diz IBGE

Praticamente metade (48,3%) das empresas da região Norte perdeu vendas durante a primeira quinzena de julho, por força da crise da covid-19. É uma fatia significativamente maior do que a registrada na quinzena anterior (38,3%). Para 26,3%, o impacto foi pequeno ou inexistente, enquanto outras 25,3% garantem que saíram ganhando clientes, mesmo com a pandemia. 

O levantamento aponta que, das 53.945 empresas da região em funcionamento no período, 48,1% perceberam algum efeito negativo em suas atividades, decorrente da onipresença do novo coronavírus – mesmo percentual do que o do registro anterior. A covid-19 teve impacto nulo para 19,2% das pessoas jurídicas em questão, mas os ganhos se ampliaram para 32,4%.

Os dados estão na Pesquisa Pulso Empresa, divulgada pelo IBGE, nesta terça (18). A sondagem ouviu empresas de todos os setores em todo o território nacional e integra as estatísticas experimentais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Os maiores impactos negativos da pandemia estão concentrados na região Centro-Oeste (51%). O Norte (48,1%) vem em segundo, sendo seguido por Sul (47,2%) e Sudeste (46,3%). O Nordeste, por sua vez, desponta em um distante último lugar (32,1%).

Perdas semelhantes se deram na capacidade de fabricação de produtos nas indústrias e de atendimento. A maior parte das empresas nortistas (45,5%) sondadas pelo IBGE relatou problemas do gênero. Em contraste, e 20,8% afirmam que houve maior facilidade nas operações, no período analisado, enquanto 33,6% dizem não ter sofrido alteração significativa nos trabalhos.

Também é maior o percentual de empresas que reportaram ao IBGE o enfrentamento de dificuldades para manter acesso aos fornecedores de insumos, matérias-primas ou mesmo mercadorias prontas: 50,2%. Na outra ponta, 12,8% delas garantem que tudo ficou mais fácil e outras 33% informam que tudo ficou na mesma.

Dívidas e demissões

O maior gargalo se situou na capacidade financeira das empresas e sua aptidão à sobrevivência no mercado. Nada menos do que 56,2% informaram que a pandemia trouxe obstáculos aos pagamentos de rotina durante a primeira quinzena de julho – 10% a mais do que na quinzena anterior. Uma minoria garantiu não ter percebido alteração alguma (31%) ou que até teve maior facilidade para tanto (8,6%).

A boa notícia é que, apesar dos efeitos da crise da covid-19 na circulação de pessoas e na atividade econômica, uma maioria esmagadora de 74,8% das empresas da Região Norte informou ao IBGE que evitou desligamentos e manteve seu quadro de funcionários intacto, enquanto outras 3,3% conseguiram até contratar mais. Apenas 18,4% (9.926 empresas) tiveram de demitir para equilibrar as contas.

Entre as empresas da região Norte que se viram forçadas a dar baixa em carteiras de trabalho diante da crise da covid-19, 50,2% conseguiram manter os cortes abaixo da linha dos 25% dos quadros de funcionais. A minoria (15,3%) recorreu a uma faixa de desligamento intermediária (de 26% a 50%), mas pelo menos 30,8% das pessoas jurídicas consultadas foi obrigada a mandar mais da metade de seu contingente para casa.

Medidas e apoio

Entre as medidas de reação adotadas para enfrentar a pandemia, a maior parte das empresas da região Norte (89,7%) realizou campanhas de informação e prevenção e adotou medidas extras de higiene. Em torno de 28,8% anteciparam férias dos funcionários e 39,3% adiaram o pagamento de impostos. A taxa de adesão ao trabalho remoto, por outro lado, sofreu um decréscimo de 15,4 pontos percentuais e só é encampado por 34,2% delas. Outra queda significativa em relação ao levantamento de 15 dias atrás veio do percentual de companhias que adotou método online para entrega de produtos ou serviços: de 47,3% para 33,3%.

Na adoção dessas medidas, cerca de 21% das empresas informaram que se sentiram apoiadas pela autoridade governamental em questão. Foi outro dado da pesquisa que sofreu queda, já que a taxa anterior foi de 36,4%. O percentual de pessoas jurídicas que adiaram o pagamento de impostos foi de 32,6%, enquanto 82,3% conseguiram linhas de crédito para o pagamento da folha salarial com o apoio do Governo.

Logística e desabastecimento  

Na análise do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, a situação piorou para a Região Norte, no que diz respeito aos efeitos causados pela pandemia da Covid-19. Se, na quinzena anterior, as empresas apresentavam resultados positivo pelo simples fato de poderem reabrir as portas e terem deixado para trás os piores números de casos e mortes por covid-19, o mesmo não pode ser dito do período posterior, marcado por desabastecimentos pontuais e acomodações de mercado.

“À medida em que as empresas vão voltando, as dificuldades de vender vão surgindo e ganhando corpo. Outro tema que chama atenção são os problemas de acesso a fornecedores e insumos, o que reflete muito bem a logística da região. Se você vai a uma loja do Centro, por exemplo, encontra prateleiras vazias, ou porque a loja não pediu, ou porque ainda não chegou. Por outro lado, as empresas que relataram maior facilidade provavelmente trabalham com produtos e serviços mais demandados na pandemia, como gêneros de primeira necessidade”, arrematou.

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