Empresas do Amazonas lideram faturamento na Região Norte

Com faturamento de R$ 273,5 bilhões, setor de atacado distribuidor nacional cresce 4,5% em 2019. Região Norte destaca-se com um crescimento de 32,7% em relação ao ano anterior. Das dez maiores companhias da região, quatro são amazonenses: Mercantil Nova Era, Dunorte, Big Amigão e Di Felicia. O estudo foi divulgado ontem (28), em coletiva de imprensa online realizada pela ABAD (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores) em parceria com a consultoria Nielsen.

Entre os 667 respondentes da pesquisa, 106 estão na região Norte, e oito estão no Amazonas. Entre as empresas que se destacaram no ranking estão: Mercantil Nova Era com um faturamento R$ 1,021 bilhão, Dunorte com R$ 1,011 bilhão, Big Amigão (R$ 614,1 milhões), Di Felicia (R$ 494,4 milhões) e Broker Amazônia com R$ 130,2 milhões. Estão sediados na região Norte 16% dos atacadistas e distribuidores que participaram do Ranking deste ano, correspondendo a 6% do faturamento total das empresas estudadas. 

Segundo o presidente da ABAD, Emerson Destro, mesmo antes da pandemia, a expectativa do setor para o início de 2020 era positiva, com sinais promissores na economia. “As empresas que atendem o varejo alimentar tiveram um primeiro quadrimestre positivo, de crescimento, embaladas pelo otimismo dos primeiros meses do ano e até pelo incremento provocado pela corrida da população aos supermercados no início da pandemia. Mesmo em abril, com o receio de desabastecimento debelado, o aquecimento se manteve”, ressalta.

Destro reforça, que um dos principais fatores que contribuíram para a participação expressiva do setor no mercado foi a força do varejo independente. “É o canal indireto, fortalecido pela indústria, que abastece o pequeno e médio varejo, que está em crescimento. Esse movimento mostra a importância do setor atacadista distribuidor tanto no aspecto econômico quanto no social”, destacou.

Analise

Segundo o economista Farid Mendonça Júnior, outro ponto que pode ser citado para o faturamento positivo dos supermercados amazonense, foi a questão do distanciamento da região das zonas de produção nacional e os custos e desafios logísticos envolvidos. Além desse fator, ele destacou o cenário de recuperação da economia brasileira em 2018, que  deu sinais de estabilização em relação a crise de 2014 a 2017. Em 2019, com a mudança política e o otimismo, a economia dava sinais de recuperação. 

“Uma das possibilidades da explicação deste crescimento nas empresas que é a concentração do setor atacadista e de distribuição na região norte. Na região norte temos características peculiares, como um distanciamento das zonas de produção, principalmente de produtos agrícolas, que chegam na maior parte das vezes do centro oeste do país. Logo, como a quantidade de empresas no setor não é tão grande, um crescimento, em um ano de recuperação, acaba se concentrando, pois o próprio setor é concentrado”, explicou.

Para o economista Ailson Rezende, outro fator importante que contribui para a manutenção do bom desempenho do setor, mesmo em período de pandemia,  foi o anúncio que haveria lockdown ou fechamento das atividade por determinado período.

“Com a iminência da paralisação temporária das atividades, as pessoas correram para comprar os gêneros de primeira necessidade. Outro motivo é que a população de Manaus não respeitou o isolamento social, as feiras, mercados, atacados e até mesmo diversas atividades consideradas não essenciais se mantiveram em funcionamento. O resultado foi maior movimentação financeira no cidade de Manaus, principalmente nos grandes atacadistas da capital”, disse.

Panorama

Segundo a Abad, o setor atacadista e distribuidor movimenta 53% do mercado mercearil nacional. E a expectativa é que em 2020 o desempenho seja equilibrado,  com consumo mais racional e voltado para produtos essenciais e de primeira necessidade. 

É o 16º ano consecutivo em que a participação do setor permanece superior a 50%, reforçando sua abrangência e importância na economia brasileira. No ano passado, o atacado distribuidor registrou crescimento nominal de 4,5% e real de 0,19% sobre o ano anterior. O dado real foi deflacionado pelo índice oficial de inflação (IPCA) calculado pelo IBGE para 2019, que foi de 4,31%.

Para Nelson Barrizzelli, coordenador de projetos da FIA – Fundação Instituto de Administração, e mesmo com a competição mais acirrada e a queda do poder aquisitivo do brasileiro, o setor se fortaleceu e apresentou crescimento real.

“o atacado distribuidor continua a desempenhar bem seu papel de levar produtos industrializados de amplo consumo aos mais de 5.500 municípios do país. Sem ele, não seria possível manter o abastecimento atual”, disse.

Por dentro

O Ranking ABAD/Nielsen, é publicado desde 1994 pela revista Distribuição. Ele analisa anualmente os resultados e a atuação dos agentes de distribuição de todo o país. O estudo de 2020 – ano base 2019, apurou que no ano passado o setor atacadista e distribuidor atingiu nacionalmente o faturamento de R$ 273,5 bilhões, equivalente a participação de 53% no mercado mercearil brasileiro. Com isso, o setor registrou crescimento nominal de 4,5% e real de 0,19% frente a 2018. 

Fonte: Antonio Parente

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