Empresas desconhecem recuperação

Apesar da PMI (Pes­quisa Mercado Imo­biliário) do Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas) divulgar alta de 76,88% no IVV (Índice de Velocidade de Vendas) referente ao primeiro trimestre deste ano em comparação com os três últimos meses de 2008, as empresas do setor não reconhecem aumento nas vendas. Verificando os três primeiros meses de 2008, em relação ao mesmo período de 2009, houve queda de 8,37%.
O primeiro trimestre deste ano marca 34,05% da diferença entre oferta e o volume de vendas, contra 42,42% do período de janeiro a março de 2008. Foram oferecidos 3.236 imóveis, e somente 1.102 tiveram a venda concluída, o que correspondem aos já 34,05% citados.
Segundo o presidente do Sinduscon/AM, Joaquim Auzier, apesar da retração do volume de vendas no início deste ano, analisando a conjuntura da crise financeira atual o setor teve recuperação. “Nós passamos todo o ano de 2008 crescendo muito, até a crise começar em setembro. E mesmo com a crise o setor tem um quadro atual estável, apesar da baixa comparada com o início do ano passado”, afirmou.

Empresas discordam

O Jornal do Commercio consultou quatro empresas de grande porte atuantes no mercado imobiliário residencial na cidade de Manaus, e segundo as entrevistadas, não houve crescimento significativo das vendas no período. Por questão de sigilo comercial, as empresas não divulgaram os índices de oferta e venda.
A única empresa que informou seu quadro de venda foi a construtora Capital. De acordo com a gerente comercial, Maria José da Costa Santos, o mercado está “mais devagar” no início deste ano que no mesmo período do ano passado.
No primeiro trimestre de 2008 houve 500 unidades domésticas disponíveis e 390 vendidas. Em 2009, nos três primeiros meses deste ano foram comercializados 70 imóveis, dos 150 ofertados. “O resultado lento deste ano é reflexo da ausência de lançamentos. Estávamos vendendo o que restou do final de 2008”, completou Maria José.
A gerente comercial da Capital disse, ainda, que durante a feira ConstruNorte, a ser realizada em junho, a empresa lançará dois empreendimentos. No total serão 2.300 unidades residenciais, vendidas entre R$ 70 e 200 mil.

Santa Etelvina lidera vendas

Os imóveis com até 50m² tiveram IVV de 98,52%, seguidos pelas construções de 150 a 200m² com 27,54%. As casas e apartamentos com metragem de 50 metros quadrados somaram 338 unidades postas à venda de janeiro a março de 2009, com 333 construções vendidas. O segundo grupo, que representa os imóveis com 150 a 200 metros quadrados, teve 393 unidades vendidas, de um total de 1.436 pontos à venda.
A faixa de construções com área de 200 a 250m² consolidou 22 pontos no Índice de Velocidade de Vendas, com 11 unidades vendidas. Os imóveis com 250 a 300m² não pontuaram nesta pesquisa, pois não houve construções de casas ou apartamentos neste tamanho. E apesar das obras com área a partir de 300 metros quadrados ficarem com 30 unidades a venda, não houve compras.

Metodologia aplicada

A pesquisa considerou os imóveis residenciais localizados no perímetro urbano de Manaus, segmentando por tipologia, faixa de valor, bairro, área, preço médio do metro quadrado, estágio da obra e fonte de recurso para a construção. A metodologia de amostragem foi escolhida, obtendo-se dados gerais sobre oferta e venda de imóveis a partir de 30 empresas.
De acordo com os números de janeiro a março deste ano, as construtoras com empreendimento no bairro Santa Etelvina tiveram 97,41% dos imóveis vendidos. Foram 425 unidades ofertadas e 414 comercializadas.
O bairro Aleixo marcou 684 unidades disponíveis para o mercado e apenas 232 vendidas, 33,92 pontos no índice de vendas.
A terceira posição do ranking ficou com o bairro Ponta Negra, com 229 imóveis vendidos, apesar dos 572 ofertados, apresentando 40,03% no IVV.
No fim da lista estão os bairros Planalto e Distrito Industrial, com 15 e 291 construções respectivamente, e nenhuma venda.
O maior volume de vendas foi notado ainda na planta, três em cada dez imóveis (29,67%) foram vendidos na fundação.
Os empreendimentos com três quartos representaram 29,40% das unidades habitacionais vendidas, enquanto os com quatro ou mais dormitórios detêm apenas 20,31%, com 89 imóveis vendidos.
De acordo com o responsável pela pesquisa, Frank do Carmo Souza, não há espaço para grandes construções nas áreas consideradas “nobres”. “As empresas têm dificuldade para encontrar locais adequados para a construção de novas obras. Dessa forma elas precisam migrar para as áreas periféricas”, explicou.

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