Empresas de construção civil com passo reduzido

A crise da covid-19 não parou a construção civil do Amazonas, mas a atividade teve de reduzir o passo, sendo que algumas empresas simplesmente ficaram sem poder trabalhar. Quem seguiu no mercado, amargou obras paradas e o afastamento de funcionários, seja pelos efeitos econômicos da pandemia, seja pela doença em si. A despeito de redobrarem as medidas de prevenção, as construtoras amazonenses registraram, em suas dependências, pelo menos 211 casos suspeitos, 53 confirmações e uma morte.  

É o que aponta a prévia de uma pesquisa direta online do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas) junto a 17 empresas, entre pequenas, médias e grandes, realizada entre 20 de maio e 4 de junho. A entidade ressalta, contudo, que não é possível considerar que os resultados representam estatisticamente todo o mercado local do setor, uma vez que se trata apenas de um levantamento parcial e ainda em andamento.

A sondagem informa que o Amazonas tem pelo menos 46 obras sendo realizadas. A maioria esmagadora (93%) está concentrada em Manaus, enquanto as 7% restantes estão em Anori. As empresas ouvidas relataram ter entre um e cinco empreendimentos em andamento, sendo que seis delas conseguiram manter os trabalhos em três projetos. O Estado contabiliza ainda, por outro lado, seis obras paralisadas: 75% na capital e 25% em Coari.  

Pelo menos metade das construtoras amazonenses sondadas teve que adiar cronogramas das obras. Para 22% delas, isso ocorreu em poucas obras, mas 11% relataram ter enfrentado esse problema em muitos empreendimentos e outras 17% disseram que isso ocorreu em todos. A boa notícia é que 39% das companhias garante que não sofreu nenhum atraso no cronograma, ao passo que outras 11% informaram não ter nenhuma obra em execução no portfólio. 

As 17 construtoras pesquisadas pelo Sinduscon-AM somam um total de 2.831 trabalhadores. Os contingentes variam, conforme o porte da empresa, de 15 a 587 operários. Uma, entretanto, relatou não ter nenhum contratado em seus quadros, no período do estudo. Os percentuais de trabalhadores ativos por companhia variam de 36% a 97%. A maioria está na faixa dos 90%, mas duas informaram que não contam com nenhum colaborador nessa situação, por não estar executando obras.      

Um total de 332 trabalhadores das 17 empresas ouvidas –o equivalente a 11,7% do contingente –foi banido dos canteiros de obras. A quantidade de pessoas nessa situação variou de uma de um a cem, por companhia. O motivo predominante para os afastamentos foi para proteger grupos de riscos (70% dos casos). Isso ocorreu também por férias, suspensão de contratos e a própria falta de serviços (18%).

Confirmações e prevenção

A suspeita ou confirmação de contágio nos canteiros foi motivo para 12% das situações em que as construtoras se viram forçadas a afastar seus colaboradores do local de trabalho. Pelo menos 211 casos suspeitos foram registrados – 50 deles, em uma única companhia. As 17 empresas sondadas relataram que um total de 53 trabalhadores testaram positivo para covid-19, sendo que duas apresentaram dez registros, cada.   

Entre os casos confirmados com covid-19, 52 pertencem à capital amazonense e apenas um foi originado de Boa Vista (RR). Apenas quatro trabalhadores ainda se encontravam em internação hospitalar, no período da pesquisa, mas uma empresa chegou a registrar a morte de um operário pela doença, em Manaus.

As ocorrências se seguiram em paralelo ao reforço das empresas em suas medidas de segurança. Todas distribuem entre uma e seis máscaras para cada um de seus colaboradores, destinadas não apenas ao canteiro de obras, mas também ao uso no transporte entre casa e trabalho e vice-versa. 

A medida preventiva mais comum, adotada por todas as construtoras sondadas, é a disponibilização de informativos de prevenção ao coronavírus. Reforço de higiene, com mais banheiros e disponibilização de álcool gel, assim como a restrição de funcionários com sintomas ou grupo de risco, foram ações tomadas por 16 empresas. Na sequência, vieram o horário escalonado de almoço (15), palestras informativas (13), medição de temperatura dos funcionários na entrada e saída da obra, e horário escalonado de vestiário (ambas adotadas por 12 companhias).

Além dessas iniciativas, uma empresa mencionou exercícios respiratórios com os trabalhadores, aumento de lavatórios e intensificação da limpeza de ambientes. Outra construtora ouvida informou que alterou as atividades que poderiam gerar aglomeração para elevar o distanciamento entre os trabalhadores durantes a atividade, além de realizar a limpeza diária das ferramentas.

“Setor essencial”

O presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, considera que a pesquisa é importante ao mostrar que, apesar das dificuldades geradas pela crise da covid-19, em momento algum a construção civil “não estacionou 100%” no Estado. O dirigente destaca também que a mesma sondagem confirma que o setor está tomando os cuidados e as medidas necessárias para continuar operando com segurança no período da pandemia.

“Foi acertado que o setor não parasse, pois é considerado essencial. As obras já estavam em andamento e tudo foi feito para manter os cronogramas, pois há multas, caso os empreendimentos não sejam entregues. E há os compromissos com os bancos, assim como o fato de que, parada, a atividade não emprega os trabalhadores. Os números mostram que foi possível manter os trabalhos na pandemia. Tanto na capital, quanto no interior, houveram algumas paralisações, mas o saldo foi positivo para os trabalhadores e para as obras. Os cronogramas físico e financeiro devem atrasar um pouquinho, mas a maioria bateu”, concluiu

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