6 de dezembro de 2021

Empresas correm mais risco no Amazonas, aponta IBGE

Somente 16,3% das empresas amazonenses com mais de dez anos de atuação no mercado sobreviveram, no ano imediatamente anterior à pandemia. Foi a segunda taxa mais baixa no país –ficando à frente apenas do Amapá (13,2%). As médias nacional e da região Norte foram 22,9% e 19%, respectivamente. O gargalo já começa após apenas um ano de existência, período em que apenas 66,8% das pessoas jurídicas locais conseguiam manter as portas abertas. O Estado também perdeu para os números brasileiro (77,5%) e nortista (73,1%), neste caso. 

O saldo entre empresas abertas e encerradas em 2019 em todo o Brasil, por outro lado, voltou a ser positivo (290,9 mil), após o desempenho negativo de 2018 (-65,9 mil), com as entradas no mercado (947,3 mil) superando as saídas (656,4 mil). O movimento permitiu reverter parte do encolhimento ocorrido entre 2014 a 2018 (perda de 382,5 mil empresas). No Amazonas, os nascimentos de empresas (7.097) também superaram as mortes (5.951). É o que revelam os dados do estudo conjunto da Demografia das empresas e empreendedorismo 2019, calculado e divulgado pelo IBGE.

Em linhas gerais, ao analisar a sobrevivência das empresas por faixas de pessoal ocupado assalariado, o órgão federal de pesquisa verificou que quanto maior o porte da entidade, maior a taxa de sobrevivência. E que, ao chegar aos dez anos, a proeza fica bem mais difícil. Apenas 22,9% das unidades brasileiras –e 16,3% das amazonenses –nascidas em 2009 ainda estavam operando em 2019. O Sul (26%) se destaca com a maior taxa de sobrevivência, seguido por Sudeste (22,8%), Centro-Oeste (22,4%), Nordeste (20,9%) e Norte (19%). Os extremos ficaram no Amapá (13,2%) e em Santa Catarina (30,6%).

Em 2019, existiam 34.669 unidades locais de empresas ativas no Amazonas, que representavam 18,2% do total existente na região Norte (190.938). No Estado, essas unidades empregavam 363 mil pessoas de forma assalariada, o equivalente a 24,4% do total ocupado assalariado nas unidades federativas vizinhas (1,488 milhão). O salário médio mensal pago nas unidades locais de empresas amazonenses ativas foi de R$ 2.223, por outro lado, ficou acima da média percebida nos Estados nortistas (R$ 2.000).

Entradas e saídas

Em torno de 73,1% (25.360) eram unidades locais sobreviventes no Estado, e 26,9% correspondiam a entradas (9.309) –das quais 20,5% referentes a nascimentos (7.097) e 6,4% a reentradas (2.212). As que saíram do mercado totalizaram 17,2% (5.951). “Na comparação com os demais Estados da região Norte, a taxa de entrada do Amazonas é a maior, mas, em contrapartida, a taxa de sobrevivência de unidades locais ativas é a mais baixa”, assinalou o IBGE-AM, no texto de divulgação da pesquisa.

De acordo com o órgão de pesquisa, em 2009, as taxas de entradas (31,2%) e de saídas (25,2%) eram maiores, e a taxa de sobrevivência (68,8%) era menor. Entre 2009 e 2019, o número de empresas ativas no Amazonas cresceu 16,7%, de 28.881 para 34.669. Já a quantidade de baixas diminuiu 8%, de 35.067 (2009) para 32.262 (2019). “As unidades locais sobreviventes destacam-se no percentual de pessoal assalariado (94,8%). As que entraram em atividade em 2019 tiveram participação de 5,2% no pessoal ocupado total, e as que saíram do mercado, por sua vez, representaram 1,2%”, informou o IBGE-AM.

O setor que mais se destacou foi o comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, que somou 16.544 unidades locais, ou 47,7% do total (34.669). Houve um crescimento de 10,75% ante 2018 (31.303). Na sequência vieram o grupo de atividades profissionais, científicas e técnicas (2.287), a indústria de transformação (2.275 unidades) – que caiu da segunda para a terceira posição –e as atividades administrativas e serviços complementares (2.185) –que recuou da terceira para a quarta posição. As atividades de alojamento e alimentação (1.971), que figuraram em quarto lugar, em 2018, não apareceram no pódio, em 2019.

Planejamento e vendas

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressalta à reportagem do Jornal do Commercio que, embora o Amazonas seja um dos Estados da região Norte que mais abrem empresas, a taxa de sobrevivência para dez anos de existência é a segunda menor da região. Para o pesquisador, trata-se de um reflexo dos problemas enfrentados pelas empresas da segunda economia regional, que até oportuniza novos negócios, mas a maioria não consegue se manter por muito tempo. 

“A situação pode ser ocasionada por diversos fatores, entre os quais, a ausência de planejamento do empresário, aporte financeiro, custeio e até mesmo a falta de vendas de produtos e serviços. Comércio, atividades científicas técnicas e indústria de transformação foram as seções de atividade que tiveram melhor desempenho em 2019. Em dez anos o salário médio mensal pago pelas empresas praticamente dobrou no Estado. No entanto, ele perdeu representatividade em termo regional, embora ainda ocupe a primeira colocação para as empresas ativas”, destacou.

Metodologia e porte

Em texto postado na Agência Brasil, o gerente da pesquisa, Thiego Gonçalves Ferreira, explica que os dados devem ser observados com cautela porque a pesquisa sofreu alteração na metodologia que define organizações ativas, em razão do novo sistema de registro adotado pelo governo federal, ao substituir a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) pelo de registros administrativos para escrituração das obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas, o chamado eSocial. 

Uma das perguntas não incluídas no sistema do eSocial é aquela em que a empresa declara ter exercido ou não suas atividades naquele ano. “É possível que algumas empresas estejam formalmente ativas, mas que, na prática, não estejam operando. Já havíamos identificado, quando da divulgação das Estatísticas do Cempre, por exemplo, uma alta incomum no número de organizações ativas sem pessoal ocupado, que não era observada na mesma proporção quando se olhava para as empresas com pelo menos uma pessoa ocupada”, ressalta.

Ferreira ressalta que as empresas sobreviventes, no geral, possuem porte maior, além de responderem pela maioria das ocupações (96,9%) e pagarem salários mais elevados (cerca de 15% acima da média), e que essa combinação contribuiria para atraírem mais profissionais com ensino superior (em torno de 14,7%, em média). “O ambiente microeconômico no qual a empresa está inserida, o capital humano, e a capacidade de acesso ao crédito são alguns fatores que podem explicar a diferença entre as taxas de sobrevivência em cada unidade da federação”, encerrou.

Foto/Destaque: Divulgação

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