Empresários voltam às aulas

Tempo para curtir os filhos, aumento nos lucros e expansão dos negócios. Não é ficção. É o que o investimento em educação empreendedora vem trazendo a alguns donos de pequenos negócios que decidiram voltar para a sala de aula, planejar e colocar em prática os conhecimentos adquiridos nos mais diversos cursos voltados ao empreendedorismo. O Sebrae oferece atualmente mais de uma dúzia de cursos, desde a educação infantil até o público adulto. Existem cursos e consultorias voltados exatamente para aqueles que investem ou pretendem abrir seu próprio empreendimento. E eles têm atraído cada vez mais o empresariado na certeza da rentabilidade desse tipo de investimento: após apostar em educação empreendedora, esses donos de pequenos negócios têm registrado crescimento de até 70% em suas atividades.
Na última semana, estiveram reunidos em Brasília educadores, especialistas internacionais, empreendedores e reitores de universidades para discutir a importância da educação empreendedora. O Encontro Nacional de Educação Empreendedora focou no desenvolvimento do comportamento empreendedor como parte da formação de novos profissionais. “A sociedade contemporânea exige pessoas empreendedoras, autônomas, com competências múltiplas, que saibam trabalhar em equipe, tenham capacidade de aprender com situações novas e complexas, que enfrentam novos desafios e promovem transformações”, afirma o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.

Divisor de águas

Investir na educação empreendedora foi, por exemplo, um divisor na vida do empresário Marcos Rozzato, de 34 anos, dono da Belare, duas clínicas de estética com foco em foto depilação com preço fixo. Ele viu a carreira empresarial dar uma guinada após fazer o Empretec, metodologia da ONU (Organização das Nações Unidas) para o desenvolvimento de competências empreendedoras e carro-chefe dos cursos oferecidos pelo Sebrae a empresários.
Marcos conta que uma das primeiras decisões que tomou após o curso foi aderir ao sistema de franquias. E não se arrepende. Até junho deste ano, estarão de portas abertas cinco fraqueados, sendo quatro na capital paulista e uma em Ribeirão Preto, interior do Estado. “O Empretec fez com que eu seguisse o sonho de firmar a marca no mercado. Reestruturei a empresa com foco nas metas e estou colhendo frutos”, afirma. E completa: “logo após o Empretec, minha empresa cresceu 70% em faturamento”. As duas clínicas atendem por mês quase 700 clientes.
Uma pesquisa inédita feita pelo Sebrae com quase dois mil empreendedores do Empretec aponta que os participantes tiveram um crescimento no seu lucro líquido anual de 7,4% e aumento médio de faturamento mensal de R$ 24,6 mil. Esse aumento, segundo cerca de 90% do público entrevistado, foi resultado da implantação imediata – logo após a conclusão do seminário – de mudanças em produtos e serviços aprendidas durante o seminário.

Gestão ambiental

Para a Cunha Alimentos, o crescimento dos lucros veio com o investimento no estudo de gestão com foco na inovação, cursos de boas práticas e de gestão financeira. A empresa cresceu depois que acrescentou um diferencial ao negócio. O negócio começou em 1996 com três funcionários e a vontade de dar certo. Os salgados, que levam a marca Twin Peaks, eram vendidos apenas para pequenas lanchonetes de Campinas (SP). A produção diária era de 50 kg, o que rendia R$ 10 mil de faturamento mensal. A conta de luz era alta e o gasto com água também pesava no bolso do casal Murilo e Sueli Cunha.
Depois de 11 anos de trabalho, eles decidiram investir e crescer. O casal comprou um terreno em Valinhos, na região metropolitana de Campinas, onde instalou uma fábrica. A nova unidade já começou apostando na sustentabilidade. Murilo se inspirou nos conceitos da antiga profissão de engenheiro e contou com ajuda do Sebraetec, metodologia de gestão com foco na inovação tecnológica, cursos de boas práticas na produção de alimentos e de gestão financeira para adequar a produção.
Depois do curso, ele instalou placa solar para aquecimento da água utilizada no preparo dos alimentos e um sistema de captação de água da chuva, que é jogada em uma cisterna e usada para a limpeza dos ambientes da indústria. “Os cursos tiveram papel importante na mudança de rumo da empresa. Eles me conduziram, de certa forma, à gestão ambiental”, lembra. As medidas adotadas pela empresa foram certeiras. Hoje, a produção diária de mais de 70 tipos de salgados e massas é de 2,5 toneladas e o faturamento é de R$ 330 mil por mês. São 40 funcionários que abastecem a cozinha de multinacionais e hotéis instalados no Estado de São Paulo.

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