Empresários do setor de estética propõem novas regras para retorno

Há pelo menos quatro meses parado em Manaus, o segmento de salões de beleza, barbearias, cabeleireiros e estética em geral apresentou, ontem, uma proposta ao governo do Amazonas e à prefeitura para negociar a liberação dos serviços até o dia  1º de junho,  quando se encerra o prazo do isolamento social.

A força-tarefa envolve os sindicatos patronal e dos trabalhadores. Eles propõem manter o atendimento só com agendamento, seguido de intervalo para higienização de instrumentos, e ainda disponibilizar EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), além de outras exigências como o uso de máscara e álcool gel, nesse último caso, tanto para os profissionais como para os clientes.

Essas são basicamente as principais normas apresentadas pela categoria, além de outras que reforçam a proteção dos trabalhadores e do público consumidor. “Apresentamos as regras que representam um consenso de toda a categoria, que se sente muito penalizada por não ter opção de renda para sobreviver nesta época de pandemia de Covid-10”, disse a presidente do presidente do Sisbisim (Sindicato dos Salões, Barbeiros, Cabeleireiros, Instituto de Beleza e Similares de Manaus), Antônia Moura de Souza.

Segundo a sindicalista, a situação se agravou desde que o setor foi excluído do auxílio emergencial do governo federal. Um decreto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) incluiu o segmento e também o de academias como serviços essenciais à população, dispensando a ajuda que vinha da União. 

A decisão, porém, não obriga Estados a aderirem à medida, que fica a cargo de cada unidade da federação brasileira. O governo do Amazonas optou por manter o isolamento social até 31 de maio, prevendo que a curva de ascendência do novo coronavírus tende a crescer em Manaus e no interior, neste momento. 

Com isso, salões e academias estão proibidos de manter as atividades até uma decisão contrária das autoridades governamentais e de saúde, no Estado. O segmento argumenta que o governo estadual  deveria assumir esse auxílio ao decidir pelo fechamento dos serviços na região. 

“Mas isso não aconteceu, infelizmente. Como vamos manter nossas famílias se não temos opção de renda para suprirmos as necessidades básicas. A vida está muito difícil. Tem gente passando fome e que só conta com a ajuda que vem dos donos de salões e de outros trabalhadores”, questiona o presidente do Sinetheam (Sindicato dos Empregados em Turismo e Hospitalidade do Estado do Amazonas), Sebastião Deive Couto Braga.

Ele reforça que o governo do Amazonas deveria assumir o pagamento do auxílio emergencial, já que a categoria está de ‘mãos atadas’, sem poder trabalhar, pelo isolamento social que segue em curso no Estado. “Ninguém se preocupou (os dois governos) com a situação dos profissionais com o fim dessa ajuda, já que achavam que todos os Estados iriam aderir ao decreto”, questiona.

O sindicalista avalia que supermercados, farmácias e outros segmentos oferecem mais riscos ao público em termos de contágio pela Covid-19. “Nós seguimos à risca as normas de higiene quando estamos lidando com o público e também com a limpeza dos salões”, acrescenta Couto Braga.

A categoria alega que passa necessidades básicas junto com familiares. Falta alimentos em casa e as contas de água e luz se acumulam. “Estamos coletando donativos e realizando rifas para reunir recursos e comprar cestas básicas para os profissionais que não têm como ganhar dinheiro neste momento. É de extrema penúria o que se vê hoje com milhares de pessoas que dependem desta atividade para sobreviver no Amazonas”, lamenta Antônia  Moura.

Segundo o sindicato patronal, existem pelo menos 6,8 mil salões em Manaus e no interior do Estado. Cada salão tem, em média, de cinco a seis trabalhadores, cujo número supera em até três vezes o de estabelecimentos. Alguns proprietários estão pagando água e luz, mesmo sem poder trabalhar. “Agora, nossa expectativa é que o governo e a prefeitura se sensibilizem com a nossa situação e nos liberem para trabalhar a partir do dia 1º”, espera Antônia Moura.

As academias também passam dificuldades com as proibições para operar devido à quarentena. A Companhia Atala, uma das mais tradicionais de Manaus, acabou fechando, situação que também atingiu a Fitness. O salão Sempre Bella Centro de Beleza Eireli, localizado na rua Rio Mar, no bairro Nossa Senhora das Graças, foi fechado por fiscais da prefeitura. A proprietária Mishelly Carrate Cunha, filha da vereadora Glória Carrate (PL), foi flagrada reabrindo o estabelecimento depois que o decreto presidencial liberou os serviços, mas que foi embargado no Amazonas.

A proprietária recorreu da decisão do decreto municipal que proíbe as atividades nesta época de pandemia. Um juiz acatou a liminar e determinou a abertura das atividades no salão. São apenas casos isolados que obtiveram recursos favoráveis em Manaus.

Fonte: Marcelo Peres

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