18 de maio de 2021

Empresários apoiam punições contra irregularidades sanitárias

Blitz realizada por agentes da CIF (Central Integrada de Fiscalização), neste fim de semana, registrou pelo menos 20 ocorrências de bares, flutuantes e festas clandestinas na capital amazonense, operando em descumprimento do decreto governamental, que prevê medidas para conter a escalada da pandemia no Estado. Ao menos 17 estabelecimentos foram fechados e outros três foram interditados. Seis deles estão situados na tradicional Praça do Eldorado, na zona Centro-Sul da cidade, e foram autuados por gerar aglomerações e funcionar fora do horário permitido.

O governador do Amazonas, Wilson Lima, anunciou, nesta segunda (12), que os seis bares e restaurantes da ‘Praça do Caranguejo’ ficarão fechados pelos próximos 15 dias, mediante a condição de apresentarem condições de funcionamento, guardando os critérios estabelecidos de distanciamento social e segurança sanitária. Em nota à imprensa, a Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – Seção Amazonas) anunciou apoio à medida e empresários ouvidos pela reportagem do Jornal do Commercio vão na mesma linha –mas destacam as dificuldades de operar nas atuais condições.

“A polícia está indo lá no final do dia, para interditar todos aqueles bares e restaurantes. Só voltarão a funcionar quando apresentarem um plano de distanciamento social respeitando todos os protocolos sanitários. Não é justo que a nossa população continue sendo penalizada pela ação irresponsável de alguns. E não é justo que aqueles estabelecimentos comerciais, que aqueles restaurantes, sejam penalizados por conta da negligência de alguns”, enfatizou o governador Wilson Lima, em texto distribuído pela Secom (Secretaria de Comunicação Social).

O governador ressaltou que a reabertura do setor, realizada em consonância com monitoramento da FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas), apontou queda na média móvel de casos e óbitos por covid-19, e faz parte do planejamento para recuperação econômica do Estado. Mas, salientou que as empresas precisam cumprir todas as medidas de combate à proliferação do coronavírus.

“Medidas cabíveis”

Em nota à imprensa, a Abrasel-AM reforçou que apenas três associados trabalham na praça e estes “seguiram totalmente” as regras e protocolos de segurança estabelecidos pelo governo estadual: Monique Bar, Mika’s Chopp e Espetos Eldorado. “Os três cumpriram todas as regras: distanciamento entre as mesas, que tinham álcool em gel e comportavam quatro pessoas; tapetes de sanitização; sabonetes líquidos para a lavagem das mãos nos banheiros; funcionários de máscaras e viseiras. E ainda solicitavam dos clientes o uso de todos os itens mencionados, principalmente a máscara”, listou.  

Representantes da Abrasel/AM estiveram em reunião para avaliar estratégias
Foto: Divulgação

No mesmo texto, o presidente em exercício da Abrasel-AM, Jean Fabrízio, garantiu que situações como as flagradas pelo CIF, neste fim de semana, não acontecem com os associados da entidade e acrescentou que, caso aconteçam, a diretoria tomará medidas cabíveis e levará os eventuais casos à assembleia da Associação, para que “a falta de responsabilidade e de compromisso” não prejudique os empresários que levam as normas a sério.

“Se todos obedecessem às regras, nem horários restritivos precisariam existir. Apoiamos que o governo penalize exemplarmente quem não cumpre com os protocolos de segurança impostos pela FVS-AM. Hoje, chamamos para uma reunião [os proprietários] desses bares do Eldorado, e vamos orientá-los a fazer um planejamento para que voltem a funcionar, seguindo os protocolos. Os que não entrarem na linha e levarem a causa com irresponsabilidade, devem ser punidos e até fechados”, afiançou.

“Demanda faz oferta” 

De acordo com o proprietário do Salomé Bar, do All Night Pub, Rodrigo Silva, há uma demanda significativa por lazer em Manaus, após “meses de trancamento”, em virtude das quarentenas. Ao mesmo tempo, a limitação dos espaços e de horários acabaria gerando aglomerações na rua.  No entendimento do empresário, que também possui um flutuante, a população tem se comportado mal e “a demanda faz a oferta”. 

“Infelizmente, alguns indivíduos podem se aproveitar do momento para ganhar dinheiro de forma irregular. É uma pena generalizar todos os empresários do setor e da própria praça como irresponsáveis. Especificamente no nosso caso, temos de negar acesso a vários clientes por noite. Por ser local público, eventualmente a praça acaba sendo refúgio para quem não consegue acesso a outros locais”, ponderou. 

O empresário descarta a possibilidade de que a notícia dos fechamentos gere repercussões negativas na confiança do consumidor. “Acho que parcela da população vai vociferar mais contra os comércios abertos por conta do alarmismo da terceira onda. Mas, o comportamento em geral só muda efetivamente quando – e se – houver outra escalada de mortes e internações”, justificou.

Rodrigo Silva avalia que a primeira quinzena tem sido de recuperação para os negócios, mas não deixa de ressaltar que “as atuais limitações” atrapalham o faturamento. Segundo o proprietário do Salomé Bar, o horário já está “quase normalizado”, mas a necessidade de reduzir o atendimento à metade, para garantir o distanciamento social, gera não apenas transtornos de caixa, como também leva o público irredutivelmente disposto a sair a procurar outras festas.  

“Manaus toda está com 50% da capacidade oficial. Isso significa que metade do público não tem para onde ir. Se, entre a população que quer sair, 30% ficam efetivamente em casa, temos um déficit. Não é de fácil solução, nem é momento de pedir flexibilização nesse sentido, mas é preciso reconhecer esse problema. Porque, fechar a Praça do Eldorado hoje só vai empurrar parte da população para outros destinos clandestinos”, encerrou.

CIF visita 40 locais e autua 20

As 20 autuações realizadas pela CIF (Central Integrada de Fiscalização) foram aplicadas entre a noite de sexta (9) e a madrugada de segunda (12). No total, 40 locais foram vistoriados. Na sexta, o bar Rabelo’s, no Santo Antônio, zona Oeste, foi fechado por aglomeração: mais de 100 pessoas consumiam bebidas alcoólicas no local. 

No sábado (10), após denúncias ao 190, a CIF fechou os bares da ‘Praça do Caranguejo’. Além de estarem causando aglomeração, com mesas que não obedeciam ao distanciamento recomendado, os estabelecimentos descumpriam outras medidas preventivas, como uso de álcool em gel e máscaras de proteção. Na noite de domingo, o Boteco da Loira e o Boteco da Branca foram autuados por funcionar como bar, o que é proibido pelo decreto estadual. A pastelaria da Juju, no conjunto Boas Novas, Cidade Nova, zona Norte, foi orientada a recolher mesas e funcionar apenas como delivery.

A CIF vistoriou 11 flutuantes no rio Tarumã-Açu. No sábado, o Sun Paradise e o Flutuante da Tia receberam orientações sobre a licença sanitária e conduta de prevenção. No domingo, o flutuante Pérola Negra foi autuado e o Tupinambar foi interditado, por não ter licença sanitária. Além da falta de regularização, havia aglomeração no local. O Anaconda também foi interditado por não possuir licença sanitária e por estar com excesso de banhistas. Os fiscais também identificaram precariedade na estrutura do estabelecimento.

Foto/Destaque: Divulgação

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