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Empresa parceira da Sony eleva investimentos na ZFM para produzir jogos de PS5

A Sony vai produzir jogos para o PlayStation 5, na Zona Franca de Manaus. A meta é vender para toda a América Latina. Lideranças do PIM ouvidas pela reportagem do Jornal do Commercio comemoram a notícia, assinalando que a iniciativa configura reforço de confiança na ZFM, em um mercado que vem ganhando corpo. Diferente do divulgado por outros meios de comunicação, a operação não implica em retorno efetivo da multinacional ao Polo Industrial de Manaus, já que a produção será terceirizada por empresa com a qual já mantém parceria – e cujas instalações estão sendo ampliadas e modernizadas. 

Em 2021, a tradicional fabricante japonesa encerrou suas linhas de produção de eletroeletrônicos em Manaus, após quase cinco décadas de atividades na indústria incentivada, alegando mudanças no “recente ambiente de mercado”. Seus ativos locais – incluindo a fábrica de 27 mil metros quadrados de área construída, laboratórios e equipamentos – foram vendidos à Mondial. A marca brasileira de eletrodomésticos portáteis, que já atuava no Polo desde 2014, produzindo DVDs e caixas de som, viu no negócio a oportunidade de agregar TVs, fornos de micro-ondas e aparelhos de ar condicionado ao seu portfólio.

Mas, apesar de ter deixado de produzir seus eletroeletrônicos no PIM (pela Sony Brasil Ltda), a gigante japonesa manteve suas operações locais nas divisões de games, em manufatura terceirizada. A Sony DADC Brasil Indústria, Comércio e Distribuição deu lugar à Solutions 2 Go do Brasil, que se define como “uma multinacional distribuidora de entretenimento, entre videogames, home vídeo (DVD/Blu-ray), eletrônicos e acessórios”, conforme texto postado em seu site. Ela atua em parceria com players globais do segmento, incluindo a própria Sony, além da Warner (home vídeo), da Activision/Blizzard, da Bandai Namco, da Square Enix, e da Ubisoft (games), entre outros.

“De última geração”

No texto veiculado no Playstation.Blog BR, a Sony Interactive Entertainment informa que as instalações da Solutions 2 Go já contavam com a manufatura de mídia física destinada a consoles PlayStation de até 66 GB. Com o investimento, cujo valor não foi revelado, passará também a fabricar discos que suportam jogos de até 100 GB para PS5. A produção da ZFM terá jogos exclusivos da plataforma – incluindo hits de mercado, como God of War Ragnarök  – e também os chamados “third-parties” – desenvolvidos por terceiros e multiplataforma.

“A Sony Interactive Entertainment trabalhou lado a lado com a parceira de longa data Solutions 2 GO – uma conhecida empresa multinacional de entretenimento, eletrônicos e acessórios – para criar uma instalação de última geração na Zona Franca de Manaus para produzir jogos em discos que serão distribuídos nacionalmente e exportados para todos os países da América Latina”, frisou a empresa, em comunicado oficial, veiculado pelo Playstation Blog. 

A multinacional destacou ainda que vem acompanhando a operação in loco. “Para garantir a máxima eficiência no processo de produção, uma equipe de especialistas da Sony Interactive do Japão passou semanas no Brasil trabalhando na instalação, programação e treinamento da equipe local. A iniciativa reforça o compromisso com o Brasil e com a comunidade brasileira”, salientou, sem informar se o começo da produção local vai implicar em redução de custos e repasse aos preços dos produtos vendidos ao mercado consumidor brasileiro.

Os games despontam como um dos pilares da economia criativa, superando o cinema e a indústria fonográfica em todo o mundo. A estimativa da Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Digitais) é que o segmento movimentou R$ 13 bilhões e faturou R$ 1,2 bilhão no Brasil, em 2022. Segundo a consultoria Newzoo, o país é o décimo maior mercado global, com mais de 100 milhões de jogadores gastando US$ 2,7 bilhões por ano. É também o segundo maior mercado do Sul Global, atrás apenas da China. Espera-se que os jogadores brasileiros dispendam US$ 3,5 bilhões até 2025, em uma taxa de crescimento médio acumulado de 10% ao ano, desde 2020. 

Reforma e logística

O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e vice-presidente executivo da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Antonio Silva, disse reportagem do Jornal do Commercio que a iniciativa da produção local tem “mais relação” com o crescimento do mercado de games e com uma mudança de posicionamento mercadológico da Sony global. O dirigente concorda, contudo, que a aprovação da reforma Tributária ajudou a cimentar o caminho, embora regulamentações referentes à ZFM ainda estejam em pauta. 

“A Sony já produziu jogos e consoles no Polo Industrial de Manaus e conhece de forma clara a estrutura tributária do modelo, de sorte que é natural que opte por retomar a produção aqui no Estado. O intuito é também suprir o mercado da América Latina. Nesse sentido, a proximidade de Manaus com os demais países é um fator importante, além da reiterada segurança jurídica atrelada à Zona Franca, mesmo em meio à discussão [das leis complementares] da reforma Tributária”, ponderou.

O presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Componentes do Amazonas), Roberto Moreno, lembrou à reportagem que, ao se instalarem com novas unidades, parcerias e acordos tecnológicos, as empresas presentes no PIM levam em conta vários fatores. A lista inclui disponibilidade e capacitação de mão de obra, segurança jurídica e logística, e tudo que possa preocupar os dirigentes e impactar a indústria na produção em condições favoráveis para atender seus clientes.

“O objetivo final de todos nós é a satisfação dos seus clientes. E é isso que ratificamos que havendo. A ZFM estará sempre na disputa e deverá sair na frente nessas decisões. O Polo, devido à diversificação de suas indústrias, tem atratividade [para investimentos] e é um grande parque industrial nacional. Com a ratificação das medidas a serem tomadas na reforma Tributária e a consolidação de investimentos em logística – um ponto de muita atenção –, tudo isso deverá ocorrer em curto a médio prazo, trazendo investimentos e ampliações de negócios para nossa região”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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