Empregos no AM começam a minguar em dezembro, aponta Novo Caged

Em dezembro, o Amazonas interrompeu uma série de cinco altas mensais consecutivas e registrou seu primeiro saldo negativo de empregos com carteira assinada desde junho – mês de reabertura das lojas em Manaus, após a primeira onda. A retração foi de 0,29%, dada a predominância dos desligamentos (-12.591) em detrimento das admissões (+11.341). No total, foram eliminadas 1.250 vagas no mês, resultado muito aquém do apresentado em novembro (+5.436). Mais da metade dos cortes veio de Manaus (-629)

Foi o quarto pior número do Estado no ano passado, ficando atrás apenas dos registros dos meses da primeira onda de covid-19: abril (8.583), maio (4.846), março (2.682). Na época, a parte majoritária do comércio da capital e de cidades do interior teve de fechar as portas coletivamente pela primeira vez e o PIM estava praticamente parado. O desempenho do Amazonas ficou abaixo da média nacional (-0,17%) e praticamente empatou com a estatística da região Norte (-0,30%).

A despeito do resultado negativo, o Estado conseguiu manter o saldo acumulado do ano no azul, pelo quarto mês seguido, desde o começo da pandemia. De janeiro a dezembro, houve incremento de 2,46% na criação de vagas (+10.205), dado que as contratações (156.990) superaram as demissões (146.785). Com isso, o estoque registrado no mês passado foi de 425.637 ocupações. Os dados foram extraídos da mais recente edição do “Novo Caged”, divulgado pelo Ministério da Economia, nesta quinta (28).

A mesma base de dados indica que a média nacional seguiu a mesma trajetória de decréscimo na variação mensal e incremento no acumulado do ano. Após cinco meses de saldo positivo, em dezembro, o número de demissões superou o de contratações em todo o país, com o fechamento de 67.906 postos de trabalho. De janeiro a dezembro de 2020, contudo, o Brasil contabilizou 142.690 vagas a mais, quando comparado a igual intervalo de 2019.

Serviços e agropecuária 

O levantamento do “Novo Caged” não inclui variações anual e acumulada para as atividades econômicas nos Estados. Dos cinco setores econômicos listados, apenas comércio e reparação de veículos (+214) registrou saldo positivo de postos de trabalho celetistas, na passagem de novembro para dezembro – ainda assim, com desempenho dez vezes pior do que o do mês anterior (+2.280).  

A pior performance em todo o Estado veio dos serviços (-624), justamente o setor que vinha liderando no saldo de vagas celetistas, desde setembro. O pior dado veio do segmento de educação (-468), seguido por atividades administrativas e serviços complementares (-196). Na outra ponta, saúde humana (+133), assim como alojamento a alimentação (+99), conseguiram avançar nas contratações.

Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-294) ficou na segunda posição do ranking de extinções de empregos celetistas no Amazonas, reforçando as quedas dos meses anteriores. Na sequência veio a indústria geral (-277), impactada negativamente pelas indústrias de transformação (-542) e extrativa (-5), mas não pelos segmentos de águas, esgoto, gestão de resíduos e descontaminação (+265) e de eletricidade e gás (+5). A construção (-269) foi a que menos desempregou, embora tenha seguido de perto as demais atividades nos cortes.

Contratos cancelados

O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, aponta que o dado positivo do setor, em meio a um panorama de queda global para os demais setores, se deve especialmente à sazonalidade, o que explica também o fato de o número já vir menor do que o de novembro. O dirigente avalia, no entanto, que o desempenho poderia ser muito melhor, se não fosse o crescimento da segunda onda de covid-19, justamente na reta final do ano.

“As empresas já vinham se preparando no mês anterior, e dezembro vinha sinalizando força nas vendas. Tanto é que até a semana de Natal o varejo já vinha com um crescimento de 4%. Mas, aí veio primeiro decreto e deu uma esfriada. As contratações mergulharam e as demissões aceleraram, já na última semana do mês. Mas, não dá para condenar o governador, pois não havia o que fazer. Se as lojas estivessem abertas, estariam culpando o setor, porque sempre tem que ter um culpado para essas coisas”, lamentou.

No entendimento do presidente da FCDL-AM, dada a evolução das estatísticas de contaminações, internações e mortes por covid-19 no Amazonas, nos últimos dias, as lojas devem permanecer de portas fechadas e com restrições de atendimento remoto na maior parte dos segmentos por pelo menos mais um mês, levando a uma tendência de mais demissões e dados negativos para o varejo.

“Pelo que sei, 100% dos contratos de empregos temporários já foram simplesmente cancelados na virada do ano. Se não estivéssemos passando por tudo isso, certamente as empresas aproveitaram uma parte dessa mão de obra nos próximos meses, conforme a reação da economia. Mas, quando isso tudo passar, certamente as lojas vão precisar de menos pessoal para as vendas”, adiantou.

Sazonalidade e desabastecimento

O vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, considera que a súbita retração nos empregos no setor – especialmente na indústria de transformação, que responde pela maior participação na manufatura amazonense – se deve a uma combinação de sazonalidade e desabastecimento. O dirigente salienta que ainda é cedo para estimar como se dará a resposta do mercado de trabalho nos próximos meses, mas mantém otimismo. 

“Ainda estamos com gargalos e defasagens na cadeia global de suprimentos. A pandemia não agravou apenas no Brasil. Ainda teremos um tempo de resgate da normalização dos insumos, tanto asiáticos como os nacionais. Além disso, janeiro é um mês de férias, onde o consumo cai vertiginosamente, passadas as compras natalinas. Logo estaremos recompondo a oferta de empregos”, concluiu.

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